As ações da StoneCo estão caindo hoje: aqui está o porquê
- Morgan Stanley reduz preço-alvo da StoneCo, prevendo queda de 40%.
- Resultados do segundo trimestre são fortes, mas aumento de custos e NPLs geram preocupações.
- As ações correm o risco de cair para US$ 9,50 se o suporte de US$ 11,50 falhar.
A StoneCo Ltd (NASDAQ: STNE) testemunhou um declínio significativo no preço de suas ações hoje, despencando mais de 10% depois que o Morgan Stanley rebaixou as ações de Peso Igual para Subponderação e reduziu seu preço-alvo de US$ 16,50 para US$ 7.
Esse corte implica uma queda potencial de mais de 40% em relação aos níveis atuais de negociação, refletindo o pessimismo do mercado em relação às perspectivas de curto prazo da empresa.
O rebaixamento foi motivado principalmente por preocupações com a saturação do mercado no setor de pagamentos digitais brasileiro, onde a StoneCo opera, e pela expectativa de uma desaceleração substancial no crescimento do volume de pagamentos.
A perspectiva do Morgan Stanley contrasta fortemente com o consenso mais amplo, que previa um crescimento contínuo de dois dígitos no lucro líquido da StoneCo.
O rebaixamento do Morgan Stanley ocorre quando a empresa acredita que o mercado de pagamentos digitais do Brasil amadureceu, reduzindo as oportunidades de expansão futura.
O analista expressou preocupações sobre a sustentabilidade da lucratividade da StoneCo, destacando que o crescimento da aquisição de comerciantes e a lucratividade geral podem enfrentar obstáculos significativos.
O relatório sugeriu que o mercado subestima os desafios impostos por essa saturação e a pressão que ela pode exercer sobre os lucros da StoneCo nos próximos anos.
Consequentemente, o Morgan Stanley ajustou suas estimativas de lucros de longo prazo para a StoneCo significativamente para baixo, com expectativas agora 50%-60% abaixo das estimativas de consenso.
Lucros do segundo trimestre da StoneCo
Esse rebaixamento ofuscou o que havia sido um desempenho relativamente forte no segundo trimestre de 2024 da StoneCo.
A empresa registrou receita de R$ 3,21 bilhões (aproximadamente US$ 586 milhões), o que superou as expectativas dos analistas e representou um aumento de 8,5% na comparação anual.
Esse crescimento foi impulsionado por um aumento robusto de 10,6% nas receitas de serviços financeiros, refletindo o crescimento consistente na base de clientes ativos e maior monetização de clientes.
O lucro ajustado por ação (LPA) da StoneCo também superou as estimativas, chegando a R$ 1,61, ante R$ 0,98 no mesmo trimestre do ano passado.
O volume total de pagamentos (TPV) da empresa cresceu de forma impressionante, aumentando 21,6% em relação ao ano anterior, para R$ 126,1 bilhões, com o segmento MSMB contribuindo significativamente para esse crescimento.
Apesar desses resultados positivos, ainda há preocupações quanto à estrutura de custos da empresa, que está sob pressão, com custos aumentando acentuadamente em 22,8% na comparação anual, impulsionados por maiores provisões para dívidas duvidosas e maiores despesas com logística e tecnologia.
Embora a empresa tenha reduzido as despesas administrativas em 15,9%, a pressão sobre as margens continua sendo uma preocupação crítica. A margem EBITDA ajustada, embora tenha melhorado ligeiramente para 49,5%, reflete esses desafios de custo, que podem persistir se a empresa enfrentar ventos contrários em seus principais mercados.
Empréstimos não produtivos da StoneCo
Um dos aspectos mais preocupantes do desempenho recente da StoneCo foi o aumento de empréstimos não produtivos (NPLs). O portfólio de crédito da empresa viu um aumento de NPLs, particularmente nas categorias de 15-90 dias e >90 dias, que aumentaram em 66 e 113 pontos-base, respectivamente.
Esse aumento nos NPLs é preocupante, especialmente dado o histórico de desafios da StoneCo com suas operações de crédito. O aumento dos defaults pode indicar problemas subjacentes com a qualidade do crédito, potencialmente levando a maiores perdas futuras, o que pode prejudicar ainda mais a saúde financeira da empresa.
A gerência da StoneCo tomou medidas para mitigar alguns desses desafios. A empresa se concentrou em expandir seus produtos de margem mais alta e melhorar os processos de gerenciamento de custos.
Essa estratégia ajudou a StoneCo a manter sua lucratividade, como evidenciado pelo aumento de 54% no lucro líquido ano a ano durante o segundo trimestre. Além disso, o programa de recompra de ações em andamento da empresa, apoiado por uma sólida posição de caixa, pode fornecer algum suporte ao preço das ações no curto prazo.
No entanto, esses esforços podem não ser suficientes para compensar os desafios mais amplos que a empresa enfrenta. O rebaixamento do Morgan Stanley reflete um ceticismo crescente sobre a capacidade da StoneCo de navegar no mercado de pagamentos brasileiro cada vez mais competitivo e saturado.
Avaliação da StoneCo
De uma perspectiva de avaliação, as métricas atuais da StoneCo não oferecem muito conforto aos investidores. Apesar do recente declínio no preço das ações, a relação preço/lucro (P/L) da empresa permanece próxima da média do setor, oferecendo pouca margem de segurança.
A avaliação das ações parece exagerada, principalmente quando ajustada pela desaceleração esperada no crescimento e na lucratividade.
Embora a empresa tenha demonstrado resiliência na manutenção do crescimento da receita, a combinação de custos crescentes, aumento de NPLs e um ambiente de mercado saturado representa riscos significativos para suas perspectivas de avaliação de longo prazo.
Para obter insights mais profundos sobre o que pode acontecer com as ações da StoneCo, é essencial recorrer aos indicadores técnicos.
Ao analisar os gráficos, podemos explorar se a recente queda está sinalizando novos declínios ou se há potencial para uma recuperação, fornecendo uma visão mais clara da possível trajetória das ações nas próximas semanas.
StoneCo: Análise técnica
As ações da StoneCo mais que dobraram de preço entre outubro e dezembro do ano passado, mas começaram a cair desde o início deste ano.
Fonte: TradingView
A ação está em uma conjuntura crítica hoje, pois abriu abaixo de seu suporte de médio prazo perto de US$ 11,50. A menos que a ação consiga recuperar esse nível decisivamente e dê um fechamento semanal acima dele, as coisas estão parecendo sombrias para os touros.
Se a ação não recuperar esse nível, ela pode cair novamente para US$ 9,5, onde obteve suporte diversas vezes no ano passado.
Os traders que desejam vender a descoberto as ações têm uma oportunidade de baixo risco e alta recompensa agora, pois podem vender a descoberto as ações perto de US$ 11,7 com um stop loss perto de US$ 12,24 e uma meta de lucro de US$ 9,5.
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