Preços do petróleo bruto despencam para mínima de 3 anos em meio a temores econômicos globais: o que vem a seguir?

Preços do petróleo bruto despencam para mínima de 3 anos em meio a temores econômicos globais: o que vem a seguir?
Dionysis Partsinevelos
11 de set. de 2024, 11:25 AM
  • Os fundos de hedge reduziram as posições otimistas em petróleo para o menor nível histórico, sinalizando extremo pessimismo.
  • A OPEP+ enfrenta dificuldades para estabilizar os preços em meio ao fraco crescimento da demanda e uma economia global frágil.
  • Problemas contínuos de fornecimento na Líbia e no Golfo do México aumentam a instabilidade do preço do petróleo.

Os preços do petróleo bruto atingiram a mínima de 3 anos na terça-feira, 10 de setembro de 2024, com o sentimento negativo do mercado sobrecarregando os traders.

O petróleo WTI caiu mais de 4%, para US$ 65,75 o barril, enquanto o petróleo Brent caiu para US$ 69,19 o barril.

Essas quedas marcam a queda mais acentuada nos preços do petróleo desde o final de 2021.

Os participantes do mercado estão reagindo a uma combinação de fatores, incluindo interrupções no fornecimento e temores de instabilidade econômica.

O momento da queda de preço coincidiu com o tão aguardado debate presidencial dos EUA entre Donald Trump e Kamala Harris.

Os investidores agora estão preocupados sobre como o resultado da eleição pode influenciar a política energética dos EUA e a economia global em geral.

Sentimento de baixa domina os mercados de petróleo

A atual liquidação nos mercados de petróleo é motivada por níveis recordes de sentimento de baixa entre fundos de hedge e gestores de investimentos.

De acordo com a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), as posições especulativas no petróleo WTI e Brent estão em mínimas de vários anos.

As posições especulativas líquidas longas, que refletem apostas em preços crescentes, caíram para 139.242 lotes em 3 de setembro de 2024, o menor nível desde 2011.

Nas últimas oito semanas, os comerciantes venderam impressionantes 311,2 milhões de barris de petróleo bruto.

Analistas do Standard Chartered relatam que seu índice de posicionamento de petróleo bruto atingiu -100,0 pela primeira vez em 2024, indicando extremo pessimismo.

No entanto, analistas alertam que pontuações de índice tão baixas geralmente precedem altas de preços, como visto em dezembro de 2023, quando os preços se recuperaram acentuadamente.

Medos infundados de um excedente de petróleo?

Apesar do sentimento pessimista predominante, muitos especialistas acreditam que os temores de um excedente de petróleo bruto são exagerados.

Embora existam preocupações legítimas sobre a desaceleração da demanda em mercados importantes como a China, o equilíbrio fundamental entre oferta e demanda não sustenta a extrema negatividade do mercado.

A Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) relatou recentemente uma queda de 1,816 milhão de barris por dia (bpd) nos estoques de petróleo bruto dos EUA, sinalizando uma redução na oferta.

A EIA ainda prevê que choques de oferta podem elevar os preços acima de US$ 80 por barril nos próximos meses.

Interrupções no fornecimento na Líbia e no Golfo do México

Além do sentimento do mercado, o fornecimento global de petróleo foi afetado por interrupções em regiões importantes.

Na Líbia, um impasse entre o clã Haftar e o Banco Central bloqueou as exportações de petróleo por duas semanas, reduzindo a produção de 1,15 milhão de bpd em julho para apenas 230.000 bpd.

Os principais terminais de exportação, como Es Sidra e Ras Lanouf, permanecem fechados, restringindo a oferta global.

Enquanto isso, no Golfo do México, a tempestade tropical Francine causou evacuações generalizadas de plataformas de petróleo offshore, reduzindo temporariamente a produção em mais de 400.000 bpd.

OPEP+ luta para sustentar preços

A OPEP+ tomou medidas para dar suporte aos preços, incluindo o adiamento de um aumento de produção planejado de 180.000 bpd originalmente programado para outubro.

O grupo adiou esse aumento para dezembro, numa tentativa de estabilizar o mercado.

No entanto, a reação do mercado foi moderada, e os preços continuaram caindo abaixo de US$ 70 por barril.

A OPEP+ também revisou sua previsão de demanda de petróleo para 2024, reduzindo sua perspectiva para 2025 para 1,74 milhão de bpd, em relação às expectativas anteriores.

Embora a demanda ainda deva crescer, ela fica aquém das projeções anteriores.

Como a China afeta os preços do petróleo?

A desaceleração da economia da China se tornou uma grande preocupação para os mercados globais de petróleo.

O maior importador de petróleo bruto do mundo viu uma redução acentuada no crescimento da demanda neste ano, em parte devido ao esforço agressivo do país para eletrificar seu setor de transporte.

Até recentemente, a demanda por petróleo da China crescia entre 500.000 e 600.000 bpd anualmente, mas esse número agora caiu para cerca de 200.000 bpd.

Nos primeiros sete meses de 2024, as importações de petróleo da China foram 320.000 bpd menores do que no mesmo período do ano passado.

Com a China lutando para atingir sua meta de crescimento econômico de 5% e a mudança para veículos elétricos acelerando, a demanda do país por petróleo pode continuar a enfraquecer nos próximos anos.

O impacto potencial da política energética dos EUA

A próxima eleição presidencial dos EUA também pode ter implicações significativas para o mercado de petróleo.

Donald Trump prometeu desregulamentar o setor de petróleo de xisto dos EUA se for eleito, com o objetivo de aumentar a produção e reduzir os preços da gasolina.

No entanto, analistas apontam que a produção de petróleo de xisto dos EUA já está perto de níveis recordes, e novos aumentos na produção podem agravar o atual excesso de oferta, empurrando os preços ainda mais para baixo.

No entanto, os planos de Trump para aumentar a produção de petróleo podem não ser economicamente viáveis, já que os preços do WTI em torno ou abaixo de US$ 60 por barril podem tornar algumas operações de xisto dos EUA antieconômicas.

Além disso, o aumento da oferta em um mercado já superabastecido pode desencadear novas quedas de preços, colocando pressão adicional sobre os produtores.

Um mercado volátil à frente

Os preços do petróleo bruto WTI caíram mais de 21% desde julho, e análises técnicas sugerem que novas quedas podem ocorrer.

O nível de suporte atual está entre US$ 65 e US$ 66. Se os preços caírem abaixo dessa faixa, eles poderão cair ainda mais para US$ 60.

No lado positivo, a resistência é esperada em torno de US$ 71, e os preços precisariam subir acima de US$ 75 para sinalizar uma possível recuperação.

Os movimentos de preços de curto prazo também serão influenciados pelos próximos dados econômicos dos EUA e pelas decisões do Federal Reserve.

Embora o sentimento de baixa tenha levado os preços a mínimas de vários anos, alguns analistas argumentam que o mercado pode estar sobrevendido.

O posicionamento extremo dos fundos de hedge e gestores de fundos sugere que uma recuperação de preços pode ocorrer se os comerciantes começarem a reavaliar o equilíbrio real entre oferta e demanda.

Interrupções no fornecimento na Líbia e no Golfo do México, combinadas com os cortes contínuos de produção da OPEP+, devem dar algum suporte aos preços no curto prazo.

Além disso, o potencial de recuperação da demanda chinesa, embora incerto, pode melhorar a perspectiva de crescimento da demanda por petróleo no médio prazo.

No entanto, os investidores não devem se apressar em tomar uma decisão, pois o mercado enfrenta incertezas significativas.

O resultado da eleição presidencial dos EUA pode ter um impacto profundo na política energética e na produção global de petróleo.

A desaceleração econômica da China e a mudança global em direção à energia renovável e aos veículos elétricos representam desafios de longo prazo para a demanda por petróleo.

Por fim, não podemos esquecer da guerra em andamento no Oriente Médio, que não parece diminuir tão cedo, agravando ainda mais as perspectivas sombrias de longo prazo para o preço do petróleo bruto.