Trabalhadores da fábrica da Boeing farão greve e interromperão produção de jatos

Trabalhadores da fábrica da Boeing farão greve e interromperão produção de jatos
Vatsala Gaur
13 de set. de 2024, 05:04 AM
  • A greve ocorre após insatisfação com salários e benefícios em uma nova oferta de contrato.
  • 30.000 trabalhadores nas áreas de Seattle e Portland estão prontos para participar.
  • A S&P Global Ratings alertou que uma greve prolongada poderia afetar a classificação de crédito da Boeing.

Em sua primeira grande greve trabalhista desde 2008, milhares de trabalhadores da fábrica da Boeing na Costa Oeste dos EUA deixarão o trabalho depois que 96% deles votaram a favor da greve devido à crescente insatisfação com salários e benefícios na última oferta de contrato da Boeing.

A greve, marcada para começar à meia-noite de sexta-feira, horário do Pacífico, interromperá a produção do popular 737 MAX da Boeing e de outros jatos importantes.

A mudança ocorre em um momento crítico para a Boeing, que vem enfrentando atrasos na produção, preocupações com segurança e dívidas crescentes.

Rejeição de contrato gera greve

A greve ocorre após uma negociação contenciosa entre a Boeing e a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM), o maior sindicato da Boeing.

Apesar da liderança do sindicato recomendar que os membros aceitassem o acordo, o contrato proposto — que incluía um aumento salarial geral de 25% e um bônus de assinatura de US$ 3.000 — foi rejeitado por 94,6% dos trabalhadores.

Muitos trabalhadores ficaram chateados com a oferta, principalmente pela falta de um aumento salarial de 40% inicialmente exigido e pela perda de um bônus anual.

"Isto é sobre respeito, sobre abordar o passado e sobre lutar pelo nosso futuro", disse Jon Holden, que liderou as negociações sindicais.

Após a votação, os membros do sindicato gritaram "Greve! Greve! Greve!" enquanto se preparavam para a greve.

Holden expressou o desejo de retornar à mesa de negociações, mas não especificou quando as negociações seriam retomadas ou quanto tempo a greve poderia durar.

"Vivemos um dia de cada vez, uma semana de cada vez", disse ele.

Consequências financeiras para a Boeing e a indústria aeroespacial

A greve pode ter repercussões financeiras significativas para a Boeing e para o setor aeroespacial em geral.

Com cerca de 30.000 trabalhadores nas áreas de Seattle e Portland prontos para participar, uma paralisação prolongada pode atrapalhar o cronograma de produção já atrasado da Boeing.

As ações da Boeing, que subiram 0,9% na quinta-feira antes da votação, caíram 36% no ano, em meio a preocupações com problemas de segurança, atrasos na produção e uma dívida de US$ 60 bilhões.

Uma greve prolongada poderia impactar severamente os esforços de recuperação da Boeing e sua situação financeira.

Uma nota pré-votação de TD Cowen alertou que uma greve de 50 dias poderia custar à Boeing entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões em fluxo de caixa.

A última grande greve da Boeing, em 2008, durou 52 dias e custou à empresa cerca de US$ 100 milhões por dia.

A S&P Global Ratings já alertou que uma greve prolongada poderia afetar a classificação de crédito da Boeing, que está apenas um nível acima do status de lixo.

Impacto incerto sobre companhias aéreas e fornecedores

Além do impacto financeiro para a Boeing, a greve pode impactar as companhias aéreas que dependem da entrega de novos jatos, especialmente o 737 MAX, um dos modelos mais populares da Boeing.

Fornecedores que fabricam peças e componentes para aeronaves Boeing também podem sentir a pressão se a greve se prolongar.

A duração da greve continua incerta, mas com a produção interrompida, as finanças e as perspectivas de recuperação da Boeing estão em jogo.