Novas máquinas de fabricação de chips da China: elas podem competir com a tecnologia ocidental?

Novas máquinas de fabricação de chips da China: elas podem competir com a tecnologia ocidental?
Harsh Vardhan
16 de set. de 2024, 17:26 PM
  • A melhor máquina DUV da China funciona em um comprimento de onda de 193 nm, em comparação com as máquinas EUV de 13,5 nm do Ocidente.
  • As sanções contínuas às exportações de chips para a China continuam prejudicando o gigante asiático.
  • Enquanto a China trabalha para melhorar suas máquinas DUV, o mundo já está adotando versões aprimoradas.

A China anunciou recentemente o desenvolvimento de duas novas máquinas de litografia, com o objetivo de reduzir sua dependência dos EUA na fabricação de semicondutores.

Essa medida faz parte dos esforços mais amplos da China para superar as restrições lideradas pelos EUA que dificultaram seu acesso à tecnologia avançada de fabricação de chips.

Embora as novas máquinas sinalizem progresso, ainda há dúvidas sobre se elas podem realmente competir com os equipamentos sofisticados produzidos por empresas do Ocidente, como a ASML Holdings.

Qual é o significado dessas máquinas?

As máquinas de litografia são cruciais para a produção de chips, pois usam luz para gravar circuitos complexos em pastilhas de silício.

Quanto mais circuitos forem impressos em um único wafer, mais poderosos e eficientes os chips se tornarão.

As novas máquinas de litografia da China, que operam em comprimentos de onda de 193 nm e 248 nm, representam uma conquista tecnológica significativa para o país.

No entanto, suas capacidades ficam aquém quando comparadas aos equipamentos de ponta usados pelos principais fabricantes de semicondutores do mundo.

Quão boas são as máquinas litográficas da China?

Embora o desenvolvimento dessas máquinas de litografia pela China seja um passo louvável, ele fica atrás das capacidades de sistemas avançados como os produzidos pela empresa holandesa ASML.

As máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV) da ASML operam em um comprimento de onda de 38 nm, muito mais avançado do que a máquina de 193 nm da China.

Além disso, as sanções dos EUA dificultaram o acesso da China à mais recente tecnologia DUV, aumentando ainda mais a lacuna entre as capacidades de fabricação de semicondutores chinesas e ocidentais.

Os EUA têm pressionado ativamente os fabricantes globais de equipamentos semicondutores para limitar o acesso da China à tecnologia crítica.

Isso inclui pedir ao governo holandês que imponha restrições às vendas da ASML para a China, exigindo até mesmo licenças especiais para atualizações de máquinas já entregues ao país.

Como resultado, as novas máquinas de litografia da China podem não ter o impacto transformador que o governo espera.

A China já chegou tarde demais?

À medida que a China se esforça para alcançar a tecnologia DUV, a indústria global de semicondutores já mudou seu foco para a litografia ultravioleta extrema (EUV).

As máquinas EUV operam em um comprimento de onda de apenas 13,5 nm, permitindo que os fabricantes empilhem chips mais próximos uns dos outros, melhorando a eficiência e reduzindo custos.

A tecnologia EUV da ASML se tornou o padrão para a produção de chips de ponta e deve ser responsável por mais de um terço das vendas da empresa neste ano.

Infelizmente para a China, o país foi amplamente excluído desse salto tecnológico devido aos controles de exportação liderados pelos EUA.

A lacuna entre as máquinas de litografia de 193 nm da China e as máquinas EUV de 13,5 nm do Ocidente representa uma divisão tecnológica significativa que será difícil para a China transpor.

Apesar do desenvolvimento de novas máquinas de litografia, a China enfrenta obstáculos substanciais para competir com a avançada tecnologia de fabricação de chips do Ocidente.

As sanções dos EUA, juntamente com a rápida evolução dos métodos de produção de semicondutores, sugerem que a China pode ter dificuldades para alcançar líderes globais como a ASML.

Embora essas novas máquinas possam reduzir a dependência da China da tecnologia ocidental no curto prazo, o país precisará fazer avanços significativos tanto em inovação quanto em estratégia para fechar a lacuna no longo prazo.