EUA consideram separação do Google em caso histórico antitruste sobre monopólio de busca

EUA consideram separação do Google em caso histórico antitruste sobre monopólio de busca
Deepali Singh
09 de out. de 2024, 03:04 AM
  • Autoridades consideram forçar o Google a vender partes de seus negócios para conter o domínio das buscas.
  • As soluções propostas podem restringir a IA do Google e aumentar o controle dos anunciantes sobre os anúncios de pesquisa.
  • O Google chama as propostas de “radicais”, alertando sobre impactos negativos para consumidores e empresas.

O Departamento de Justiça dos EUA está avaliando uma ação sem precedentes contra o Google, ao contemplar uma possível divisão da gigante da tecnologia para lidar com preocupações sobre seu domínio no mercado de buscas online.

Em um caso antitruste significativo, a agência está explorando soluções estruturais, incluindo a possibilidade de forçar o Google a vender partes de seus negócios, uma medida que ecoaria a mais significativa dissolução antitruste desde a tentativa fracassada do governo de dividir a Microsoft duas décadas atrás.

Em um processo judicial apresentado na terça-feira, autoridades antitruste federais indicaram que o juiz distrital dos EUA Amit Mehta pode receber diversas opções para mitigar os danos causados pelas práticas monopolistas do Google.

Essas soluções incluem exigir que o Google conceda maior acesso aos dados que usa para gerar resultados de pesquisa e desenvolver seus produtos de inteligência artificial (IA).

“O Departamento de Justiça está considerando soluções comportamentais e estruturais que impediriam o Google de usar produtos como Chrome, Play e Android para beneficiar a pesquisa do Google”, afirmou o documento, destacando como a gigante da tecnologia poderia ser proibida de alavancar suas outras plataformas para sufocar a concorrência em mercados emergentes, incluindo IA.

Possíveis soluções para o domínio do Google

O documento de 32 páginas, que descreve as possíveis soluções, sugere que mais detalhes serão apresentados no próximo mês, à medida que o caso entra na próxima fase.

Entre as propostas, os reguladores estão considerando dar aos anunciantes mais controle sobre suas campanhas, com foco específico no domínio do Google em anúncios de texto de pesquisa.

O departamento também está considerando exigir que o Google dê aos sites mais flexibilidade para optar por não participar de seus produtos de IA.

Além disso, o Departamento de Justiça deu a entender que pode tentar impedir o Google de investir ou adquirir potenciais concorrentes no espaço de busca, uma medida que visa impedir que a gigante da tecnologia neutralize ameaças por meio do domínio financeiro.

Em resposta ao registro, os futuros do Nasdaq 100, que inclui a Alphabet Inc., empresa controladora do Google, entre suas principais participações, caíram ligeiramente, refletindo a sensibilidade do mercado às potenciais ramificações de um movimento tão histórico.

Google reage e chama o processo de "radical"

O Google reagiu rapidamente à proposta do Departamento de Justiça, caracterizando as recomendações como extremas.

Lee-Anne Mulholland, vice-presidente de assuntos regulatórios do Google, expressou preocupação em uma postagem de blog:

A empresa argumentou que a implementação dessas soluções levaria a consequências indesejadas tanto para consumidores quanto para empresas, além de prejudicar a competitividade dos EUA no cenário global.

A defesa do Google destaca sua insistência de que as soluções propostas, se implementadas, prejudicariam seu negócio principal, potencialmente prejudicando usuários e anunciantes.

Um movimento histórico na lei antitruste

Este caso representa a ação mais agressiva contra uma grande empresa de tecnologia por monopolização ilegal em décadas.

No cerne do argumento do Departamento de Justiça está o fato de que o Google aproveitou injustamente seus acordos com outras empresas para tornar seu mecanismo de busca a escolha padrão em smartphones e navegadores da web, consolidando seu poder no ecossistema digital.

O sistema operacional Android, usado em milhões de smartphones no mundo todo, também é um fator-chave no domínio do Google, permitindo que a empresa promova seu mecanismo de busca por meio de aplicativos e serviços pré-instalados.

Os reguladores argumentam que o Google se beneficiou de seu domínio de mercado por meio dessas práticas, levando a uma vantagem injusta sobre os rivais.

O Departamento de Justiça também está explorando medidas relacionadas aos produtos de inteligência artificial do Google, com o objetivo de abordar preocupações sobre seu amplo controle em mercados emergentes de IA.

Além disso, o poderoso negócio de anúncios de texto de pesquisa do Google está sob escrutínio, com reguladores buscando impor mais transparência e controle aos anunciantes sobre onde seus anúncios são exibidos.

Batalha jurídica longe do fim

O juiz Amit Mehta, que decidiu no início deste ano que o Google violou as leis antitruste em seus mercados de busca e publicidade em busca, deve realizar um julgamento na próxima primavera para determinar quais remédios, se houver, serão impostos. Uma decisão final é esperada para agosto de 2025.

O Google, que planeja apelar da decisão inicial de Mehta, deve esperar que o tribunal finalize sua solução antes de prosseguir com sua apelação. As batalhas legais da empresa se estendem além deste caso, pois o Google também está enfrentando processos antitruste separados envolvendo seu domínio em publicidade de exibição online e suas práticas de distribuição de aplicativos em smartphones Android.

As pressões antitruste contra a gigante da tecnologia estão aumentando. Nesta semana, um juiz federal separado decidiu que o Google deve abrir sua loja de aplicativos por três anos para lidar com as preocupações antitruste levantadas pela Epic Games Inc. A empresa anunciou planos de apelar dessa decisão também.

Futuro incerto para o Google

Apesar dos desafios legais significativos, alguns especialistas estão céticos sobre se uma dissolução do Google é realmente iminente.

Daniel Ives, diretor administrativo e analista sênior de ações da Wedbush Securities, expressou dúvidas sobre a probabilidade de uma alienação forçada.

“Acreditamos que uma dissolução do Google seja improvável neste momento, apesar dos problemas antitruste”, disse ele.

Para aumentar a complexidade, uma coalizão de estados envolvidos em um processo separado contra o Google sugeriu que a empresa pode ser obrigada a financiar uma campanha pública para educar os usuários sobre como trocar de mecanismo de busca, caso eles desejem se afastar da plataforma dominante do Google.

Com vários casos antitruste tramitando nos tribunais simultaneamente, o Google enfrenta uma longa e incerta batalha jurídica.

O que está claro é que o Departamento de Justiça está determinado a restringir a influência da gigante da tecnologia sobre o mercado de buscas online, potencialmente remodelando o futuro da busca digital como a conhecemos.