A Boeing está demitindo 10% de sua força de trabalho, aqui está o porquê

A Boeing está demitindo 10% de sua força de trabalho, aqui está o porquê
Harsh Vardhan
12 de out. de 2024, 03:47 AM
  • A Boeing anuncia planos de cortar 10% de sua força de trabalho em meio a perdas crescentes.
  • Maquinistas em greve e entregas de jatos atrasadas aumentam os desafios da Boeing.
  • As ações caíram 42% em 2024, contrastando com o ganho de 22% do S&P 500 neste ano.

A Boeing Co. anunciou na sexta-feira à noite que planeja cortar aproximadamente 10% de sua força de trabalho, uma medida que surpreendeu os mercados, já que a gigante aeroespacial e de defesa continua enfrentando desafios financeiros significativos.

A empresa alertou os investidores sobre um prejuízo maior do que o esperado no terceiro trimestre e uma receita menor do que Wall Street havia previsto.

O CEO Ortberg explica a mudança

O presidente-executivo da Boeing, Kelly Ortberg, afirmou que o negócio está em uma "posição difícil" e enfatizou a necessidade de "decisões difíceis" para restaurar a vantagem competitiva da empresa.

"Nosso negócio está em uma posição difícil, e é difícil exagerar os desafios que enfrentamos juntos", disse Ortberg em um comunicado.

Essas demissões afetarão funcionários de toda a empresa, incluindo executivos e gerentes, enquanto a Boeing tenta ajustar sua estrutura para lidar com problemas atuais.

A empresa tinha cerca de 171.000 funcionários, principalmente nos EUA, de acordo com seu último registro.

Impasse na greve dos maquinistas aumenta pressão

A decisão vem na esteira de uma greve trabalhista que entrou em sua quarta semana. Negociações com maquinistas em greve no estado de Washington chegaram a um impasse no início desta semana.

De acordo com a S&P Global Ratings, a greve está custando à Boeing aproximadamente US$ 1 bilhão por mês, aumentando a pressão financeira da empresa.

Ortberg reconheceu que resolver os problemas do negócio exigirá mudanças estruturais para manter a competitividade no longo prazo.

A greve complica ainda mais a recuperação da Boeing, já que a empresa enfrenta pressão de várias frentes, incluindo interrupções operacionais e dificuldades financeiras.

Desempenho do terceiro trimestre mais fraco do que o esperado

O relatório preliminar de lucros do terceiro trimestre da Boeing pinta um quadro sombrio.

A empresa previu uma receita de US$ 17,8 bilhões, muito abaixo do consenso dos analistas de US$ 18,49 bilhões.

A empresa também espera reportar um prejuízo GAAP de US$ 9,97 por ação e um fluxo de caixa operacional negativo de US$ 1,3 bilhão no trimestre.

Essa perda significativa contrasta fortemente com a perda prevista de US$ 1,61 por ação, de acordo com estimativas de analistas da FactSet.

No final do trimestre, a Boeing tinha US$ 10,5 bilhões em dinheiro disponível, mas os desafios contínuos estão criando incertezas para o futuro da empresa.

A empresa planeja divulgar seus resultados completos do terceiro trimestre em 23 de outubro, quando mais detalhes sobre sua situação financeira serão divulgados.

Atrasos em projetos e cortes na produção agravam problemas

Para piorar a situação da Boeing, a empresa anunciou que está adiando a entrega de seu jato comercial 777-9 até 2026 e de seu cargueiro 777-8 até 2028.

Esses atrasos resultarão em uma despesa de lucro antes dos impostos de US$ 2,6 bilhões. A Boeing também decidiu encerrar a produção de um de seus jatos cargueiros, sinalizando mais interrupções em seus negócios de aeronaves comerciais.

Após a notícia, as ações da Boeing caíram quase 2% no pregão estendido de sexta-feira, após encerrar a sessão regular de negociação com alta de 3%.

Classificações de crédito em revisão, rebaixamentos de títulos iminentes

A classificação dos títulos da Boeing também está sob pressão.

A S&P Global Ratings colocou os títulos da Boeing sob revisão para um possível rebaixamento no início desta semana, tornando-se a terceira grande agência de classificação de crédito a levantar preocupações sobre a capacidade da Boeing de cumprir com suas obrigações financeiras.

A Moody's e a Fitch já rebaixaram os títulos da Boeing para o nível mais baixo de grau de investimento, deixando a empresa à beira de uma classificação de títulos de grau especulativo, ou "lixo".

Um rebaixamento para o status de lixo afetaria severamente a capacidade da Boeing de tomar dinheiro emprestado em um momento em que a empresa está tentando recuperar seus negócios.

Também excluiria os títulos da Boeing dos portfólios de fundos de pensão e outros investidores institucionais que só podem deter dívida com grau de investimento.

Desempenho das ações e comparação de mercado mais ampla

As ações da Boeing não tiveram um bom desempenho em 2024, com queda de 42% neste ano.

Isso contrasta fortemente com o índice S&P 500, que ganhou aproximadamente 22% no mesmo período.

Os problemas financeiros da empresa, somados aos atrasos na produção, à greve trabalhista e à ameaça de rebaixamento dos títulos, pesaram bastante no sentimento dos investidores.

Enquanto a Boeing se prepara para divulgar seus resultados trimestrais completos em 23 de outubro, os investidores estarão atentos a novos desenvolvimentos nos esforços da empresa para enfrentar seus desafios.

As próximas demissões, a greve em andamento e os atrasos nas entregas de aeronaves são fatores que podem moldar as perspectivas de curto prazo da Boeing.

Por enquanto, a gigante aeroespacial enfrenta uma batalha difícil para restaurar sua saúde financeira e posição competitiva no mercado global.