As fusões e aquisições da JNJ estão prejudicando o desempenho da empresa?

As fusões e aquisições da JNJ estão prejudicando o desempenho da empresa?
Harsh Vardhan
15 de out. de 2024, 15:26 PM
  • O segmento farmacêutico da JNJ impulsionou o crescimento no terceiro trimestre.
  • Nos últimos dois anos, a JNJ investiu mais de US$ 30 bilhões em aquisições.
  • Isso não impactou apenas o desempenho financeiro da empresa, mas também o preço das ações.

As ações da Johnson & Johnson (JNJ) estão tendo um dia de negociação positivo após o anúncio dos resultados do terceiro trimestre de 2024.

O lucro por ação (LPA) superou as estimativas, embora o melhor desempenho dos negócios tenha sido ofuscado pela recente aquisição da V-Wave, uma empresa de dispositivos cardíacos.

A empresa também revisou sua previsão de lucros operacionais de US$ 10,05 para US$ 9,91. A aquisição da V-Wave deve diluir os lucros em aproximadamente US$ 0,24 por ação em 2024.

Segmento farmacêutico da JNJ lidera o crescimento

O segmento farmacêutico da JNJ impulsionou o crescimento no trimestre, com Darzalex e Stelara contribuindo com US$ 22,5 bilhões em receita, marcando um aumento de 5% em relação ao ano anterior.

No entanto, o segmento MedTech ficou aquém das expectativas dos analistas, perdendo a meta de receita de US$ 8,03 bilhões em US$ 103 milhões.

Embora esse segmento continue a se beneficiar de aquisições, ele não tem atendido consistentemente às expectativas do mercado decorrentes desses investimentos.

Essa situação levantou dúvidas entre os investidores sobre a eficácia da estratégia de fusão e aquisição da empresa.

JNJ: uma empresa que pensa em décadas

Nos últimos dois anos, a JNJ investiu mais de US$ 30 bilhões em aquisições nos setores farmacêutico e MedTech, incluindo a compra da Abiomed por US$ 16,6 bilhões e a aquisição da V-Wave por US$ 1,7 bilhão.

Essas aquisições não impactaram apenas o desempenho financeiro da empresa, mas também o preço de suas ações, que permaneceram em torno de US$ 160 desde o início de 2021.

Essa estagnação levou os investidores a questionar a saúde da estratégia de longo prazo da empresa.

No início deste ano, o CEO Joaquin Duato declarou: “Nossa estratégia de M&A não vai mudar. Continuaremos a avaliar oportunidades independentemente do setor e do tamanho. Quando pensamos em M&A, pensamos em décadas, não oportunisticamente.”

Apesar de um preço de ação estagnado, as aquisições estão contribuindo para o crescimento da receita. A Abiomed, a aquisição mais cara, está tendo um desempenho acima das expectativas, de acordo com Tim Schmid, chefe da divisão MedTech.

Em circunstâncias normais, os acionistas ficariam satisfeitos com o crescimento do faturamento; no entanto, ainda não está claro quanto tempo levará para a empresa recuperar seus investimentos.

A estratégia de aquisição em andamento gera preocupações entre os investidores. Se essa tendência continuar, qualquer crescimento de receita que não se converta em lucro em dinheiro pode continuar a sobrecarregar tanto os acionistas quanto o preço das ações.

A recente aquisição da V-Wave exemplifica essas preocupações, pois incorrerá em uma despesa de P&D de US$ 600 milhões no trimestre atual. Mesmo em 2025, projeta-se que essa aquisição reduzirá os lucros em US$ 0,06 adicionais por ação.

Além disso, os marcos adicionais necessários para finalizar a aquisição somam US$ 1,7 bilhão.

Apesar disso, a empresa mantém uma visão positiva sobre a aquisição, considerando o dispositivo Ventura Interatrial Shunt da V-Wave como vital para o tratamento de insuficiência cardíaca.

No entanto, os investidores estão focados principalmente na valorização do preço das ações e na melhoria dos lucros. Quando ambos não se materializam, é provável que haja desconforto entre os investidores, o que é precisamente a situação que se desenrola na JNJ.