Declínio de mulheres líderes empresariais na Grã-Bretanha: um retrocesso para a igualdade de gênero em 2024

Declínio de mulheres líderes empresariais na Grã-Bretanha: um retrocesso para a igualdade de gênero em 2024
Diya Poddar
17 de out. de 2024, 07:26 AM
  • A proporção de mulheres nos comitês executivos do FTSE 350 caiu para 32% em 2024.
  • Apenas 9% dos CEOs e 18% dos CFOs nas empresas do FTSE 350 são mulheres.
  • A representação feminina em cargos comerciais, que levam a cargos de CEO e CFO, caiu para 19% em 2024.

O número de mulheres ocupando altos cargos executivos nas maiores empresas da Grã-Bretanha caiu pela primeira vez em oito anos, levantando preocupações sobre o ritmo da paridade de gênero na liderança corporativa.

De acordo com o relatório Women Count de 2024 da The Pipeline, a proporção de mulheres em comitês executivos em empresas do FTSE 350 caiu para 32% em 2024, em comparação com 33% no ano anterior.

Embora isso possa parecer um pequeno declínio, ele destaca uma tendência mais ampla de estagnação na igualdade de gênero corporativa.

Esse revés pode atrasar a obtenção da paridade de gênero em mais cinco gerações, pressionando as empresas a tomar medidas mais proativas.

2024 vê queda na representação executiva feminina

A queda de 1% de mulheres em comitês executivos pode não parecer significativa, mas reflete uma tendência preocupante de desequilíbrio de gênero.

As mulheres continuam sub-representadas em cargos de tomada de decisão importantes, como cargos de diretora executiva (CEO) e diretora financeira (CFO).

O relatório revela que apenas 9% dos CEOs e 18% dos CFOs nas empresas do FTSE 350 são mulheres, em comparação com a representação de 44% de mulheres em cargos de contabilidade credenciada.

Apesar do progresso feito em algumas áreas, como a diversidade no conselho, as executivas ainda estão lutando para garantir posições de liderança que tenham responsabilidade financeira direta e influência sobre a direção da empresa.

Outra estatística preocupante é o declínio de mulheres ocupando cargos comerciais que poderiam levar a cargos de CEO ou CFO.

A proporção de mulheres nessas funções de responsabilidade por lucros e perdas caiu de 20% em 2023 para apenas 19% em 2024.

Essas posições são trampolins cruciais para mulheres que almejam cargos executivos de alto escalão, e a queda sinaliza um problema mais profundo na criação de caminhos para a liderança feminina.

Rentabilidade ligada à paridade de género no local de trabalho

O caso comercial para a paridade de gênero na liderança corporativa é claro.

De acordo com o relatório do The Pipeline, empresas com representação equilibrada de gênero nos comitês executivos têm 22% mais chances de obter lucros melhores.

Muitas organizações continuam a ignorar o potencial inexplorado do talento feminino em funções de tomada de decisão.

Líderes empresariais e headhunters devem tomar medidas urgentes para acabar com a desigualdade de gênero e criar ambientes de trabalho onde as mulheres possam prosperar e progredir para cargos de liderança.

A Grã-Bretanha está atrasada em relação às metas de paridade de gênero, apesar dos sucessos anteriores

Essa reversão na representação feminina segue a afirmação anterior do governo do Reino Unido de que o país estava liderando o caminho na diversidade de gênero, com mulheres ocupando 40,2% dos cargos de diretoria nas 350 maiores empresas listadas em 2023.

Esses cargos no conselho geralmente são funções não executivas, com influência limitada nas operações diárias e nos resultados financeiros de uma empresa.

O atual declínio de mulheres em cargos executivos revela uma lacuna entre a representação simbólica e o poder real de tomada de decisão dentro das empresas britânicas.

Chamada para ação

Para evitar mais retrocessos, as empresas precisam se concentrar na criação de culturas inclusivas que apoiem as mulheres em todas as fases de suas carreiras.

Geeta Nargund, presidente da The Pipeline, pediu que as empresas aproveitem o vasto conjunto de talentos femininos e implementem estratégias para promover a diversidade de gênero no nível executivo.

Isso inclui oferecer acordos de trabalho flexíveis, abordar preconceitos inconscientes e desenvolver programas de liderança personalizados para ajudar as mulheres a progredirem para cargos de liderança.