O IPO recorde da Hyundai na Índia superará a demanda morna e proporcionará uma estreia forte?

O IPO recorde da Hyundai na Índia superará a demanda morna e proporcionará uma estreia forte?
Deepali Singh
17 de out. de 2024, 03:21 AM
  • O IPO da Hyundai atraiu apenas 42% das ações vendidas em sua oferta de US$ 3,3 bilhões até agora.
  • O sentimento dos investidores está baixo em meio à fraqueza geral do mercado e ao foco no potencial estímulo da China.
  • As ações têm um preço alto, o que limita o apelo para investidores de varejo com retorno rápido.

O braço indiano da Hyundai Motor Co. está tendo um começo difícil, já que sua monumental oferta pública inicial (IPO) de US$ 3,3 bilhões luta para cativar o interesse dos investidores em meio a um cenário de mercado desafiador.

Em apenas dois dias, a Hyundai Motor India Ltd. conseguiu garantir apenas 42% das ações disponíveis neste IPO histórico, o maior da história da Índia.

Com a oferta programada para fechar na quinta-feira, essa demanda morna, aliada à fraca atividade do mercado paralelo, reduziu as expectativas de uma forte estreia das ações.

Essa resposta decepcionante reflete a tendência mais ampla de queda das ações indianas nas últimas semanas, à medida que os investidores se concentram cada vez mais no potencial de medidas de estímulo na China.

O IPO da Hyundai gerou grande entusiasmo, especialmente porque a Índia havia surgido recentemente como o mercado de IPO mais ativo do mundo.

A empresa controladora sul-coreana está se desfazendo de uma participação de até 17,5% em sua subsidiária indiana, posicionando a Hyundai Motor India com uma avaliação próxima a US$ 19 bilhões no limite superior da faixa do IPO.

A negociação das ações está programada para começar em 22 de outubro.

Apesar da lentidão inicial, ainda há possibilidade de recuperação.

Historicamente, grandes IPOs na Índia costumam ver um aumento nas subscrições à medida que o prazo se aproxima, com investidores de varejo intervindo para corresponder ao interesse institucional.

Até quarta-feira, investidores institucionais haviam feito lances para 58% das ações em oferta, enquanto as assinaturas de varejo estavam em 38%.

De acordo com as regulamentações locais, uma subscrição mínima de 90% da oferta total é necessária para que os IPOs prossigam com a atribuição de ações e listagem.

“Estou bastante confiante de que a questão será resolvida”, comentou Astha Jain, analista da Hem Securities Ltd., em entrevista à Bloomberg.

Ela atribuiu a fraca demanda à alta valorização das ações, o que deixa pouca margem de lucro para potenciais investidores.

Jain observou que os comerciantes varejistas, que normalmente buscam retornos rápidos, podem hesitar em se envolver.

Antes do lançamento da oferta pública, a Hyundai levantou com sucesso aproximadamente 83,2 bilhões de rúpias (US$ 990 milhões) alocando ações para investidores âncora no ponto de preço máximo de 1.960 rúpias cada.

Investidores notáveis como BlackRock Inc. e Baillie Gifford foram confirmados como participantes, após reportagens anteriores da Bloomberg News.

Com os recursos do IPO da Hyundai, o capital total levantado em IPOs indianos neste ano ultrapassou US$ 12 bilhões, superando os volumes dos dois anos anteriores, mas ainda ficando aquém do recorde de US$ 17,8 bilhões alcançado em 2021, de acordo com dados da Bloomberg.

Outros IPOs importantes em andamento incluem a gigante de entrega de alimentos Swiggy Ltd. e a divisão de energia renovável da produtora de energia estatal NTPC Ltd.