Conselho de Direito Tributário da Dinamarca propõe tributar ganhos não realizados com criptomoedas

Conselho de Direito Tributário da Dinamarca propõe tributar ganhos não realizados com criptomoedas
Charles Thuo
24 de out. de 2024, 11:17 AM
  • O Conselho Tributário da Dinamarca propõe tributar ganhos não realizados com criptomoedas, potencialmente em 42% ao ano.
  • O conselho é a favor de um modelo de inventário que taxe portfólios inteiros com base nas flutuações de valor a cada ano.
  • A legislação proposta será introduzida em 2025 e deverá entrar em vigor não antes de janeiro de 2026.

O Conselho de Direito Tributário da Dinamarca recomendou a introdução de um projeto de lei visando tributar ganhos e perdas não realizados em ativos de criptomoedas, uma medida que pode remodelar significativamente o cenário para os investidores dinamarqueses em criptomoedas.

A proposta do conselho faz parte de uma tendência mais ampla entre jurisdições globais que buscam reforçar as regulamentações e garantir tratamento tributário equitativo entre diversas classes de ativos.

Relatório do Conselho de Direito Fiscal da Dinamarca

Em um relatório detalhado de 93 páginas, o conselho descreveu sua justificativa para a nova estrutura tributária, enfatizando a necessidade de eliminar a assimetria no sistema tributário atual, que deixou muitos investidores enfrentando tributação injusta sob os modelos tradicionais de imposto sobre ganhos de capital.

As recomendações sugerem que todos os criptoativos devem ser submetidos a um conjunto consistente de regras para simplificar o processo de tributação e aumentar a transparência.

O conselho deliberou sobre três possíveis modelos de tributação: imposto sobre ganhos de capital, tributação de armazéns e tributação de estoque.

Em última análise, parece favorecer o modelo de tributação de estoque, que trataria todo o portfólio de criptomoedas de um investidor como um único “estoque” a ser tributado anualmente, independentemente de os ativos terem sido vendidos.

Este modelo visa impor tributação contínua, o que significa que os investidores seriam responsáveis por impostos com base nas flutuações anuais no valor de seus ativos, e não apenas na venda de ativos.

O Ministro da Fazenda, Rasmus Stoklund, reconheceu as complexidades que envolvem a tributação de criptoativos, principalmente devido à sua natureza descentralizada e à falta de supervisão regulatória centralizada.

O imposto proposto sobre ganhos não realizados poderia chegar a cerca de 42%, o que se aplicaria não apenas aos ativos recém-adquiridos, mas potencialmente àqueles mantidos desde o início do Bitcoin em janeiro de 2009.

Essa ampla aplicação gerou preocupações entre os defensores das criptomoedas, que a veem como um impedimento significativo ao investimento em moedas digitais.

O conselho também destacou a necessidade de requisitos de relatórios aprimorados para provedores de serviços de criptomoedas, como exchanges e empresas de pagamento.

Esses provedores seriam obrigados a compartilhar informações de transações com as autoridades de uma maneira acessível a todas as nações da UE, facilitando maior supervisão e conformidade.

O projeto de lei legislativo proposto é esperado para o início de 2025

A proposta legislativa deverá ser apresentada no início de 2025, e as novas regulamentações tributárias não devem entrar em vigor antes de 1º de janeiro de 2026.

No entanto, é crucial observar que essas recomendações ainda não são lei; elas exigem avaliação e aprovação do Parlamento dinamarquês antes da implementação.

Esta estrutura tributária proposta reflete um consenso global crescente sobre a necessidade de regras mais claras e apropriadas que regem o tratamento de criptomoedas.

À medida que jurisdições como a Dinamarca avançam com medidas regulatórias, investidores e participantes do mercado de criptomoedas devem se manter informados e se adaptar ao cenário tributário em evolução.