Ações europeias de energia limpa despencam com vitória eleitoral de Trump levantando preocupações com política climática

Ações europeias de energia limpa despencam com vitória eleitoral de Trump levantando preocupações com política climática
Noris Soto
06 de nov. de 2024, 12:07 PM
  • Trump prometeu assinar uma ordem executiva interrompendo projetos eólicos offshore.
  • A Orsted, maior desenvolvedora de energia eólica offshore do mundo, viu suas ações despencarem 10%.
  • Os fabricantes de turbinas eólicas Vestas e Nordex também relataram quedas de estoque de 8% e 6%, respectivamente.

As ações europeias de energia limpa despencaram na quarta-feira após a vitória eleitoral de Donald Trump, enquanto os investidores se preparam para possíveis retrocessos nas políticas climáticas e de energia renovável dos EUA.

Com a campanha de Trump prometendo desmantelar iniciativas climáticas, o sentimento do mercado azedou, refletindo temores de reversões de políticas que poderiam impactar o setor global de energia renovável.

As ansiedades dos investidores se concentram na perspectiva de que o governo dos EUA possa reverter compromissos assumidos durante o governo do presidente Joe Biden, incluindo a participação no Acordo de Paris e o apoio a iniciativas de energia limpa.

Trump prometeu assinar uma ordem executiva interrompendo projetos eólicos offshore em seu primeiro dia no cargo e indicou que pode revogar a Lei de Redução da Inflação, que oferece subsídios substanciais para tecnologia de energia limpa.

Quedas acentuadas para as principais empresas de energia limpa

Em reação ao resultado das eleições, as principais empresas europeias de energia limpa registraram quedas significativas.

De acordo com uma reportagem da Reuters, a Orsted, maior desenvolvedora de energia eólica offshore do mundo, viu suas ações despencarem 10% às 11h33 GMT.

Os fabricantes de turbinas eólicas Vestas e Nordex também relataram quedas de ações de 8% e 6%, respectivamente, já que preocupações sobre o futuro dos investimentos em energia renovável nos EUA desencadearam uma liquidação generalizada.

"A mensagem principal é que a incerteza está de volta", comentou o analista da Alphavalue Pierre-Alexandre Ramondenc à Reuters, resumindo as preocupações dos investidores sobre o futuro dos compromissos de energia limpa nos EUA.

O setor de energia renovável dos EUA representa uma oportunidade crítica de crescimento para empresas de serviços públicos europeias, como a portuguesa EDP Renováveis, a Orsted e a alemã RWE.

Analistas do Deutsche Bank ressaltaram que, embora uma revogação total da Lei de Redução da Inflação exija apoio do Congresso, ajustes substanciais na política são esperados.

Tais mudanças podem atrapalhar projetos futuros, especialmente empreendimentos eólicos offshore que podem não ser concluídos antes de 2029 ou depois.

O Deutsche Bank observou que, embora os projetos em andamento devam continuar, atrasos podem estar no horizonte para novos empreendimentos devido às mudanças de política de Trump.

Apesar da incerteza, empresas como Vestas e Orsted permaneceram otimistas antes da eleição, citando a forte demanda dos EUA por energia verde.

A Nordex ecoou essa perspectiva positiva para o setor eólico onshore dos EUA, mas reconheceu que a tomada de decisões dos clientes pode ser adiada em resposta à evolução do cenário político.

Após a queda das ações, as ações da RWE caíram 3,4%, enquanto as da EDP Renováveis caíram 7,7%.

Vestas, Orsted e EDP estavam entre as empresas com pior desempenho no índice pan-europeu STOXX 600, ressaltando o impacto mais amplo das eleições dos EUA nas ações de energia renovável da Europa.

Enquanto Trump se prepara para assumir o cargo, a trajetória da energia renovável nos EUA e na Europa enfrenta obstáculos significativos.

Os investidores estão se preparando para possíveis mudanças políticas que podem remodelar o cenário de energia renovável, tornando este um momento crucial para as partes interessadas do setor.

Embora possam surgir obstáculos, a demanda por energia limpa continua sendo um poderoso impulsionador, obrigando os líderes do setor a navegar por essas mudanças com cuidado.

Os próximos meses revelarão se as políticas de Trump alterarão fundamentalmente a perspectiva global de energia limpa ou se a confiança dos investidores conseguirá resistir a essa nova era de incerteza.