O Google pode manter o Chrome? O DOJ pressiona pela alienação do navegador

O Google pode manter o Chrome? O DOJ pressiona pela alienação do navegador
Deepali Singh
21 de nov. de 2024, 06:25 AM
  • O Departamento de Justiça pede que o Google venda o navegador Chrome após decisão de monopólio.
  • As soluções propostas visam evitar acordos de exclusão com a Apple e a Samsung.
  • O DOJ busca proibir o Google de priorizar suas pesquisas em seus próprios produtos.

O Departamento de Justiça (DOJ) está intensificando sua batalha antitruste contra o Google, pedindo à gigante da tecnologia que desfaça seu navegador Chrome.

Essa medida ousada ocorre após uma decisão de agosto que confirmou o monopólio do Google no mercado de buscas, um cenário que o DOJ pretende reformular.

Lançado em 2008, o Chrome se tornou uma fonte de dados importante para o Google, alimentando sua máquina de publicidade direcionada.

O DOJ argumenta que separar o Chrome do Google nivelaria o campo de jogo, oferecendo aos concorrentes uma chance mais justa na área de buscas.

"Para remediar esses danos, o [Julgamento Final Proposto Inicial] exige que o Google aliene o Chrome, o que interromperá permanentemente o controle do Google sobre esse ponto crítico de acesso à pesquisa e permitirá que mecanismos de pesquisa rivais acessem o navegador que, para muitos usuários, é uma porta de entrada para a internet", afirma oprocesso de 23 páginas do DOJ.

Além do Chrome

As soluções propostas pelo DOJ vão além do Chrome, visando desmantelar a intrincada rede de influência do Google.

O departamento defende impedir que o Google forje acordos de exclusão com gigantes como Apple e Samsung.

Além disso, busca proibir o Google de priorizar seu próprio serviço de busca dentro de seu ecossistema de produtos.

Essa abordagem multifacetada ressalta o comprometimento do DOJ em desmantelar o que ele percebe como práticas anticompetitivas.

"As soluções propostas visam acabar com as práticas ilegais do Google e abrir o mercado para que rivais e novos participantes surjam", enfatiza o documento.

As soluções propostas pelo DOJ preveem uma década de supervisão, exigindo que o Google envie relatórios mensais a um comitê técnico detalhando quaisquer alterações em seu leilão de anúncios de texto de pesquisa.

Essa medida de transparência visa garantir a conformidade contínua e evitar futuras manipulações no cenário de publicidade em pesquisas, um setor que gerou impressionantes US$ 49,4 bilhões para a Alphabet, empresa controladora do Google, no terceiro trimestre, o que representa três quartos de suas vendas totais de anúncios.

Ecos da Microsoft

Essa investida agressiva do DOJ marca sua tentativa mais significativa de desmantelar um gigante da tecnologia desde seu caso histórico contra a Microsoft, que culminou em um acordo em 2001.

A perseguição do DOJ ao Google tem peso semelhante, sinalizando um possível ponto de virada na regulamentação das Big Tech.

Desinvestimento do Android: uma possibilidade iminente?

Embora a alienação do Chrome seja o foco principal, o DOJ também sugeriu a possibilidade de o Google alienar seu sistema operacional móvel Android.

Reconhecendo a potencial resistência, o departamento sugeriu soluções alternativas para conter a influência do Google no ecossistema Android.

No entanto, o DOJ deixou a porta aberta para revisitar a alienação do Android se essas medidas se mostrarem insuficientes. "...mas os demandantes reconhecem que tal alienação pode gerar objeções significativas do Google ou de outros participantes do mercado."

O processo continua, afirmando que se as soluções iniciais “não conseguirem atingir os altos padrões para alívio significativo nesses mercados críticos, o Tribunal pode exigir o retorno” à sugestão de alienação do Android.

Desafiando a fortaleza do Google

Além da alienação, o DOJ propôs limitar ou proibir acordos padrão e acordos de compartilhamento de receitas relacionados a buscas e produtos relacionados a buscas.

Isso inclui os lucrativos acordos de busca do Google com a Apple e a Samsung, negócios que valem bilhões de dólares anualmente.

Esses acordos são vistos como um reforço do domínio do Google, e sua potencial redução poderia impactar significativamente os resultados financeiros da empresa.

No mês passado, o DOJ indicou que estava considerando a cisão dos negócios do Google, incluindo a possibilidade de desmembrar suas divisões Chrome, Play ou Android.

Além disso, o DOJ sugeriu limitar ou proibir acordos padrão e “outros acordos de compartilhamento de receitas relacionados a buscas e produtos relacionados a buscas”.

Isso incluiria os acordos de busca do Google com a Apple no iPhone e com a Samsung em seus dispositivos móveis, acordos que custam à empresa bilhões de dólares por ano em pagamentos.

Uma batalha jurídica prolongada pela frente

O Google prometeu apelar da decisão de monopólio, o que pode atrasar qualquer decisão final de reparação.

Especialistas jurídicos preveem que o tribunal pode, em última instância, exigir que o Google dissolva certos acordos exclusivos, como seu acordo com a Apple.

Embora uma separação total seja considerada improvável, o tribunal pode determinar acesso mais fácil a mecanismos de busca alternativos, capacitando os usuários e promovendo maior concorrência.

O Google disse que vai apelar da decisão de monopólio, o que atrasaria quaisquer decisões finais de reparação.

No entanto, o resultado mais provável, de acordo com alguns especialistas jurídicos, é que o tribunal peça ao Google para anular certos acordos exclusivos, como seu acordo com a Apple.

Embora uma separação seja um resultado improvável, os especialistas disseram que o tribunal pode pedir ao Google para facilitar o acesso dos usuários a outros mecanismos de busca. Em agosto, um juiz federal decidiu que o Google detém o monopólio no mercado de busca.

A decisão foi tomada depois que o governo entrou com seu caso histórico em 2020, alegando que o Google controlava o mercado de buscas em geral criando fortes barreiras à entrada e um ciclo de feedback que sustentava seu domínio.

O tribunal concluiu que o Google violou a Seção 2 da Lei Sherman, que proíbe monopólios.