Quênia encerra acordos com o Adani Group após alegações de suborno dos EUA contra Gautam Adani

Quênia encerra acordos com o Adani Group após alegações de suborno dos EUA contra Gautam Adani
Srinibas Rout
21 de nov. de 2024, 10:39 AM
  • O Quênia cancelou o processo de aquisição para expansão do Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi.
  • O Adani Group estava entre os licitantes do projeto de expansão do aeroporto.
  • O acordo do Ministério da Energia com uma subsidiária da Adani para construir linhas de transmissão também foi cancelado.

O Quênia rescindiu dois acordos de alto nível com o Adani Group da Índia, intensificando o escrutínio sobre o conglomerado, que já está sofrendo com alegações de suborno por parte de autoridades americanas.

O presidente queniano William Ruto anunciou na quinta-feira que seu governo havia cancelado o processo de aquisição para expansão do Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi, e um acordo de US$ 700 milhões para construção de linhas de transmissão de energia.

Essas decisões marcam um revés significativo para o Adani Group, que enfrenta uma série de desafios legais e financeiros em todo o mundo.

Falando em uma coletiva de imprensa, Ruto confirmou que o projeto de expansão do aeroporto, do qual o Adani Group estava entre os licitantes, não prosseguiria mais pelo atual processo de aquisição.

Da mesma forma, o acordo do Ministério da Energia com uma subsidiária da Adani para construir linhas de transmissão foi cancelado, informou a Reuters.

A decisão do governo queniano ocorre em um momento em que o Adani Group está sob os holofotes globais após novas alegações de suborno nos Estados Unidos.

O grupo ainda não emitiu uma resposta pública às ações do Quênia.

Ações da Adani despencam após alegações de suborno nos EUA

As ações de empresas ligadas ao Adani Group despencaram na quinta-feira depois que promotores americanos acusaram o fundador Gautam Adani e altos executivos de pagar US$ 250 milhões em propinas a autoridades indianas.

A Adani Enterprises, principal empresa do grupo, viu suas ações despencarem mais de 20%.

Outras entidades do grupo, incluindo Adani Green Energy e Adani Ports, caíram 19% e 13%, respectivamente.

A empresa de investimentos australiana GQG Partners, uma investidora importante na Adani Enterprises, também sofreu, com suas ações caindo quase 20%.

Os mercados de ações indianos sentiram o impacto, já que o índice NIFTY 50 caiu 0,7%, eliminando US$ 15 bilhões do patrimônio líquido de Gautam Adani, de acordo com a Bloomberg.

Em resposta, o Adani Group rejeitou as alegações dos EUA como "infundadas", prometendo buscar todas as opções legais possíveis.

"Somos uma organização cumpridora da lei, em total conformidade com todas as leis", declarou um porta-voz.

A sombra da Pesquisa Hindenburg

O Adani Group vem navegando em águas turbulentas desde janeiro de 2023, quando a Hindenburg Research, sediada nos EUA, o acusou de manipulação de ações e fraude contábil.

As alegações eliminaram US$ 153 bilhões em valor de mercado na época, marcando uma das maiores perdas de riqueza na história corporativa.

Embora as ações da Adani tenham apresentado uma recuperação ao longo de 2023 e meados de 2024, atingindo picos em junho, novas alegações reacenderam as preocupações.

Promotores dos EUA agora alegam que o conglomerado se envolveu em suborno, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.

As acusações também sugerem o uso indevido de mais de US$ 2 bilhões arrecadados por meio de empréstimos e ofertas de títulos.

A Hindenburg Research, que lucrou minimamente com sua posição vendida anterior contra a Adani, continua monitorando o conglomerado.

Em setembro de 2024, o grupo alegou que as autoridades suíças congelaram US$ 310 milhões vinculados a entidades da Adani, uma acusação que o grupo negou.

O império empresarial de Gautam Adani

O império empresarial de Gautam Adani, abrangendo setores como aviação, marítimo e energia, está intimamente ligado às ambições econômicas da Índia.

Um conhecido aliado do primeiro-ministro Narendra Modi, Adani enfrentou críticas por alavancar conexões políticas para garantir contratos lucrativos.

O partido de oposição Congresso Nacional Indiano renovou os apelos por uma investigação sobre os negócios de Adani.

O líder do partido, Rahul Gandhi, chegou a exigir a prisão do bilionário, levantando questões sobre o futuro dos empreendimentos de Adani.

Os últimos contratempos podem prejudicar os projetos internacionais do Adani Group, incluindo suas iniciativas de energia verde e uma grande reconstrução de favelas em Mumbai.

O conglomerado também prometeu bilhões para projetos de energia nos EUA e no Butão, ambições agora ofuscadas por problemas legais.

À medida que o Quênia se distancia da Adani e o escrutínio global se intensifica, o conglomerado enfrenta desafios crescentes para restaurar a confiança dos investidores.

Os eventos em andamento não apenas ameaçam a posição da Adani, mas também lançam uma sombra sobre o cenário empresarial da Índia, com investidores globais observando atentamente os próximos acontecimentos.