Rublo russo atinge nível mais baixo desde as primeiras semanas da invasão da Ucrânia

- O rublo russo cai para 110 por dólar, seu menor valor desde março de 2022.
- As sanções dos EUA ao Gazprombank aumentam a pressão sobre a economia da Rússia.
- Analistas preveem mais queda do rublo, possivelmente atingindo 115-120.
O rublo russo caiu para seu nível mais baixo em relação ao dólar desde as primeiras semanas da invasão em grande escala da Ucrânia, ressaltando a crescente pressão sobre a economia do país.
A moeda atingiu 110 em relação ao dólar na quarta-feira, um nível não visto desde 16 de março de 2022.
Isso marca uma forte depreciação em relação à faixa de negociação pré-guerra de 75-80 por dólar no início de 2022.
A queda do rublo ocorre em meio a novas sanções dos EUA, incluindo medidas contra o Gazprombank, o terceiro maior banco da Rússia.
O Gazprombank desempenhou um papel fundamental no processamento de pagamentos pelas exportações decrescentes de gás natural para a Europa, destacando as crescentes restrições às entradas de moeda estrangeira de Moscou.
Analistas da corretora BCS descreveram a atividade recente do mercado forex como "semelhante ao pânico" em meio à incerteza, e muitos investidores estão aguardando medidas governamentais para estabilizar a situação.
Olhando para o futuro, analistas preveem que o rublo pode enfraquecer ainda mais para 115-120 por dólar até o final do ano.
Os pedidos de intervenção, incluindo medidas para obrigar os exportadores a vender mais moeda estrangeira e aumento das vendas estatais de divisas, estão crescendo.
Sofya Donets, analista do T-Bank, sugeriu que o governo poderia ajustar os parâmetros das regras orçamentárias ou impor controles de capital adicionais para dar suporte à moeda.
Sanções ao Gazprombank e queda do mercado de ações
As sanções ao Gazprombank seguem rodadas anteriores de penalidades que pouparam em grande parte as exportações de gás russo devido à dependência da Europa.
Com a Europa reduzindo significativamente sua dependência da energia russa, as sanções levantam preocupações sobre o declínio das receitas do gás, que são cruciais para sustentar o orçamento e os esforços de guerra de Moscou.
O impacto dessas sanções vai além dos mercados de câmbio.
O mercado de ações da Rússia perdeu mais de 20% de seu valor este ano, à medida que os investidores migraram para depósitos bancários, que oferecem retornos maiores do que as ações.
As taxas do banco central, recentemente elevadas para 21%, incentivam ainda mais essa tendência ao mesmo tempo em que apertam as condições de empréstimos em toda a economia.
Analistas da corretora BCS descreveram a atividade recente do mercado forex como "semelhante ao pânico" em meio à incerteza, e muitos investidores estão aguardando medidas governamentais para estabilizar a situação.
Rublo fraco atinge poder de compra e alimenta inflação
Um rublo enfraquecido representa riscos imediatos para os russos comuns, principalmente devido ao aumento dos preços de produtos importados.
A inflação, já projetada para atingir 8,5% este ano — o dobro da meta do banco central — continua a corroer o poder de compra.
Esse aumento inflacionário se reflete na vida cotidiana. O "índice borscht", uma medida de custo de vida que rastreia ingredientes-chave para sopas, registrou um aumento de 20% ano a ano.
As intervenções do Banco Central, incluindo o aumento das taxas no mês passado, pouco fizeram para conter essas pressões, e analistas preveem outro aumento das taxas em dezembro.
Kremlin equilibra sofrimento econômico com ganhos orçamentários
Apesar de suas desvantagens econômicas, um rublo fraco beneficia o Kremlin ao aumentar as receitas das exportações de energia.
O ministro das Finanças, Anton Siluanov, minimizou o impacto da desvalorização, sugerindo que ela favorece os exportadores e compensa parcialmente as altas taxas de juros impostas pelo Banco Central.
A Rússia redirecionou grande parte de suas exportações de petróleo para a China e a Índia, mitigando a perda dos mercados de energia europeus.
No entanto, o Kremlin enfrenta crescentes desafios fiscais, com gastos militares consumindo quase um terço do orçamento de 2024 — a maior proporção desde a Guerra Fria.
Despesas militares pressionam a economia
A guerra na Ucrânia alterou as prioridades econômicas da Rússia, com o aumento dos gastos militares e a escassez de mão de obra prejudicando o crescimento a longo prazo.
À medida que homens em idade ativa são mobilizados ou fogem do país, indústrias críticas enfrentam escassez de trabalhadores, prejudicando ainda mais a produção econômica.
Economistas alertam que o país está entrando em estagflação, marcada por alta inflação e crescimento estagnado.
Analistas do Instituto de Previsão Econômica apontam para uma desaceleração da atividade em setores-chave, observando que apenas indústrias ligadas ao setor militar mostram algum crescimento significativo.
“A militarização da economia está sufocando o desenvolvimento de outros setores”, escreveram os economistas russos Alexander Kolyandr e Alexandra Prokopenko em um relatório recente.
Eles enfatizaram que o crescimento fora das indústrias ligadas ao setor militar é insignificante ou inexistente.

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