Rublo russo atinge nível mais baixo desde as primeiras semanas da invasão da Ucrânia

Rublo russo atinge nível mais baixo desde as primeiras semanas da invasão da Ucrânia
Vatsala Gaur
27 de nov. de 2024, 13:56 PM
  • O rublo russo cai para 110 por dólar, seu menor valor desde março de 2022.
  • As sanções dos EUA ao Gazprombank aumentam a pressão sobre a economia da Rússia.
  • Analistas preveem mais queda do rublo, possivelmente atingindo 115-120.

O rublo russo caiu para seu nível mais baixo em relação ao dólar desde as primeiras semanas da invasão em grande escala da Ucrânia, ressaltando a crescente pressão sobre a economia do país.

A moeda atingiu 110 em relação ao dólar na quarta-feira, um nível não visto desde 16 de março de 2022.

Isso marca uma forte depreciação em relação à faixa de negociação pré-guerra de 75-80 por dólar no início de 2022.

A queda do rublo ocorre em meio a novas sanções dos EUA, incluindo medidas contra o Gazprombank, o terceiro maior banco da Rússia.

O Gazprombank desempenhou um papel fundamental no processamento de pagamentos pelas exportações decrescentes de gás natural para a Europa, destacando as crescentes restrições às entradas de moeda estrangeira de Moscou.

Analistas da corretora BCS descreveram a atividade recente do mercado forex como "semelhante ao pânico" em meio à incerteza, e muitos investidores estão aguardando medidas governamentais para estabilizar a situação.

Olhando para o futuro, analistas preveem que o rublo pode enfraquecer ainda mais para 115-120 por dólar até o final do ano.

Os pedidos de intervenção, incluindo medidas para obrigar os exportadores a vender mais moeda estrangeira e aumento das vendas estatais de divisas, estão crescendo.

Sofya Donets, analista do T-Bank, sugeriu que o governo poderia ajustar os parâmetros das regras orçamentárias ou impor controles de capital adicionais para dar suporte à moeda.

Sanções ao Gazprombank e queda do mercado de ações

As sanções ao Gazprombank seguem rodadas anteriores de penalidades que pouparam em grande parte as exportações de gás russo devido à dependência da Europa.

Com a Europa reduzindo significativamente sua dependência da energia russa, as sanções levantam preocupações sobre o declínio das receitas do gás, que são cruciais para sustentar o orçamento e os esforços de guerra de Moscou.

O impacto dessas sanções vai além dos mercados de câmbio.

O mercado de ações da Rússia perdeu mais de 20% de seu valor este ano, à medida que os investidores migraram para depósitos bancários, que oferecem retornos maiores do que as ações.

As taxas do banco central, recentemente elevadas para 21%, incentivam ainda mais essa tendência ao mesmo tempo em que apertam as condições de empréstimos em toda a economia.

Analistas da corretora BCS descreveram a atividade recente do mercado forex como "semelhante ao pânico" em meio à incerteza, e muitos investidores estão aguardando medidas governamentais para estabilizar a situação.

Rublo fraco atinge poder de compra e alimenta inflação

Um rublo enfraquecido representa riscos imediatos para os russos comuns, principalmente devido ao aumento dos preços de produtos importados.

A inflação, já projetada para atingir 8,5% este ano — o dobro da meta do banco central — continua a corroer o poder de compra.

Esse aumento inflacionário se reflete na vida cotidiana. O "índice borscht", uma medida de custo de vida que rastreia ingredientes-chave para sopas, registrou um aumento de 20% ano a ano.

As intervenções do Banco Central, incluindo o aumento das taxas no mês passado, pouco fizeram para conter essas pressões, e analistas preveem outro aumento das taxas em dezembro.

Kremlin equilibra sofrimento econômico com ganhos orçamentários

Apesar de suas desvantagens econômicas, um rublo fraco beneficia o Kremlin ao aumentar as receitas das exportações de energia.

O ministro das Finanças, Anton Siluanov, minimizou o impacto da desvalorização, sugerindo que ela favorece os exportadores e compensa parcialmente as altas taxas de juros impostas pelo Banco Central.

A Rússia redirecionou grande parte de suas exportações de petróleo para a China e a Índia, mitigando a perda dos mercados de energia europeus.

No entanto, o Kremlin enfrenta crescentes desafios fiscais, com gastos militares consumindo quase um terço do orçamento de 2024 — a maior proporção desde a Guerra Fria.

Despesas militares pressionam a economia

A guerra na Ucrânia alterou as prioridades econômicas da Rússia, com o aumento dos gastos militares e a escassez de mão de obra prejudicando o crescimento a longo prazo.

À medida que homens em idade ativa são mobilizados ou fogem do país, indústrias críticas enfrentam escassez de trabalhadores, prejudicando ainda mais a produção econômica.

Economistas alertam que o país está entrando em estagflação, marcada por alta inflação e crescimento estagnado.

Analistas do Instituto de Previsão Econômica apontam para uma desaceleração da atividade em setores-chave, observando que apenas indústrias ligadas ao setor militar mostram algum crescimento significativo.

“A militarização da economia está sufocando o desenvolvimento de outros setores”, escreveram os economistas russos Alexander Kolyandr e Alexandra Prokopenko em um relatório recente.

Eles enfatizaram que o crescimento fora das indústrias ligadas ao setor militar é insignificante ou inexistente.