A temporada de vendas da Black Friday se torna um alvo quente para golpistas. Leia como
- 77% dos e-mails de spam da Black Friday em 2025 são golpes, um aumento de 7% em relação a 2023 e 21% em 2022.
- A acessibilidade e o preço acessível das ferramentas antigolpes são os principais motivadores do aumento dos golpes.
- O crescimento da IA está permitindo ainda mais que golpistas reproduzam sites e e-mails legítimos.
A Black Friday, um dos eventos de compras mais aguardados do ano, tem se tornado cada vez mais um alvo preferencial dos golpistas.
Com a proliferação de descontos e ofertas, especialmente durante o crucial "trimestre dourado" das vendas no varejo, os riscos para consumidores desavisados se multiplicaram.
Um estudo recente do Antispam Lab da Bitdefender revelou que 77% dos e-mails de spam da Black Friday em 2024 são fraudulentos.
Isso representou um aumento de 7% na proporção de e-mails de spam identificados como golpes em comparação à Black Friday de 2023 e um aumento de 21% em comparação a 2022.
Os EUA receberam 38% de todo o spam com o tema Black Friday, enquanto a Europa é responsável por 44% do spam global com o tema Black Friday, destacando a natureza internacional desse problema crescente.
Além disso, a instituição de caridade Caba descobriu que a geração Y e a geração Z têm três vezes mais probabilidade do que a geração baby boomer de serem vítimas de golpes de compras online.
Por que os golpes na Black Friday estão aumentando?
De acordo com um relatório da Euronews, um dos fatores mais significativos que impulsionam o aumento dos golpes na Black Friday é a acessibilidade e o preço acessível das ferramentas de golpes.
O especialista em segurança cibernética Adrianus Warmenhoven, da NordVPN, observa que kits de phishing, layouts de sites falsos e assinaturas de malware como serviço estão prontamente disponíveis na dark web.
Essas ferramentas, que incluem tutoriais pessoais, custam apenas US$ 50 para configurações básicas e até US$ 400 para recursos avançados, como ignorar senhas de uso único (OTP) e autenticação de dois fatores (2FA).
“Golpistas se passam por grandes plataformas como PayPal, Amazon e vários sites bancários para enganar os consumidores”, disse Warmenhoven à publicação.
Essas páginas de lojas falsas geralmente são projetadas com atenção meticulosa aos detalhes, apresentando prompts de verificação de cartão, sistemas antibot e técnicas de evasão para contornar a detecção.
O resultado é um golpe mais sofisticado que pode facilmente enganar até mesmo compradores cautelosos.
Golpes personalizados têm como alvo grupos específicos de consumidores
Outra tendência alarmante é a personalização de golpes para atingir grupos demográficos específicos.
Os fraudadores geralmente criam ofertas falsas de produtos de luxo destinadas a entusiastas da moda, ofertas de gadgets falsificados para amantes de tecnologia ou pesquisas fraudulentas disfarçadas de promoções de redes de supermercados populares como Tesco ou Costco.
O surgimento da inteligência artificial (IA) permitiu ainda mais que golpistas criassem réplicas quase perfeitas de sites e e-mails legítimos, com cores, fontes e layouts correspondentes.
Esses avanços tornam cada vez mais difícil para os consumidores distinguir entre ofertas genuínas e fraudulentas.
Compradores preocupados com a sustentabilidade também se tornaram um alvo.
Com mais consumidores priorizando produtos ecológicos, os golpistas estão explorando essa tendência alegando falsamente que seus produtos são de origem sustentável.
Essas alegações muitas vezes não são verificadas, fazendo com que compradores desavisados caiam em táticas de marketing enganosas.
A caça às pechinchas aumenta a vulnerabilidade
Pressões econômicas, incluindo aumento do custo de vida e taxas de juros mais altas, tornaram os consumidores mais sensíveis aos preços, relata ainda a Euronews.
Isso levou a um aumento no comportamento de caça às pechinchas, que os golpistas rapidamente exploram.
Muitos consumidores, ansiosos por fechar um negócio, não verificam cuidadosamente a origem, as avaliações ou a qualidade dos produtos e vendedores.
Sites como Temu e Shein têm enfrentado críticas por seu papel em promover uma cultura de descontos duvidosos.
A Temu está sendo investigada pela União Europeia por supostamente oferecer descontos falsos e violar leis de proteção ao consumidor.
Em resposta, Temu declarou que está “alinhando suas práticas com normas e regulamentos locais”. Shein ainda não abordou preocupações semelhantes.
Passos para evitar golpes na Black Friday
Embora os riscos sejam significativos, há várias medidas que os compradores podem tomar para se protegerem contra fraudes:
Analise ofertas que parecem boas demais para ser verdade: os compradores devem abordar descontos muito altos com cautela e verificar os vendedores em sites confiáveis.
Verifique URLs e legitimidade do site: sempre garanta que a URL do site corresponda ao site oficial do varejista. Os verificadores de domínio podem ajudar a determinar se um site é recém-criado ou suspeito.
Evite links de terceiros: compre diretamente de varejistas em vez de clicar em links de anúncios de mídia social ou e-mails.
Cuidado com a falsa urgência: os golpistas geralmente criam contagens regressivas ou anunciam ofertas por tempo limitado para apressar os consumidores a tomar decisões.
Use métodos de pagamento seguros: os cartões de crédito oferecem camadas adicionais de proteção contra fraudes em comparação com outros métodos de pagamento.
Pesquise recomendações de celebridades: verifique se as recomendações são legítimas ou se fazem parte de um golpe.
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