O Reino Unido retaliará se for atingido por tarifas de Trump?

O Reino Unido retaliará se for atingido por tarifas de Trump?
Srinibas Rout
06 de dez. de 2024, 06:18 AM
  • Trump propôs tarifas gerais de 10% a 20% em quase todas as importações.
  • Países como Canadá, México e China já foram nomeados como alvos.
  • Embora o Reino Unido não esteja explicitamente na lista, a possibilidade de ser afetado gerou preocupação.

O Reino Unido pode enfrentar decisões difíceis sobre se retaliar contra possíveis tarifas dos EUA sob o governo do presidente eleito Donald Trump.

Jonathan Reynolds, ministro do comércio e negócios do Reino Unido, afirmou em entrevista ao Financial Times que a Grã-Bretanha “pensaria muito cuidadosamente” antes de adotar medidas retaliatórias se Trump impuser novas tarifas.

Plano tarifário de Trump levanta preocupações

Trump, que retornará à Casa Branca em janeiro, propôs tarifas gerais de 10% a 20% em quase todas as importações.

Países como Canadá, México e China já foram nomeados como alvos.

Embora o Reino Unido não esteja explicitamente na lista, a possibilidade de ser afetado gerou preocupação.

"Neste país, não há base política para o protecionismo", observou Reynolds, enfatizando que a Grã-Bretanha prefere mercados abertos e livre comércio.

Ele acrescentou que, embora a retaliação seja uma opção, o governo está cauteloso com medidas que possam aumentar o custo de bens e alimentos para os consumidores.

Reynolds expressou esperança de que a relação comercial equilibrada do Reino Unido com os EUA possa protegê-lo de medidas tarifárias agressivas.

No entanto, ele reconheceu a incerteza em torno das políticas comerciais do governo entrante e o potencial para uma mudança de prioridades.

Acordo de livre comércio improvável

O ministro minimizou a probabilidade de um acordo de livre comércio tradicional entre as duas nações, citando as diferenças nos padrões alimentares como um obstáculo significativo.

“Nossos padrões alimentares continuarão sendo um obstáculo”, afirmou, sinalizando que há pouco espaço para concessões nessa questão.

A chanceler Rachel Reeves já havia enfatizado a importância do livre comércio, prometendo fazer "fortes representações" ao governo de Trump.

Ela destacou os benefícios mútuos dos mercados abertos e os riscos das políticas protecionistas.

Tarifas e inflação: um ponto de interrogação

A formuladora de políticas do Banco da Inglaterra, Megan Greene, avaliou o potencial impacto econômico das tarifas dos EUA.

Ela observou na quinta-feira que ainda não está claro se as propostas tarifárias de Trump aumentariam ou reduziriam a inflação britânica, adicionando outra camada de complexidade à situação.

"Nenhum de nós sabe exatamente como essas tarifas podem ser. Não conseguimos nem mesmo descobrir em qual direção as tarifas empurrarão a inflação, em particular no Reino Unido e também na zona do euro até certo ponto", disse Greene em um painel de discussão organizado pelo Financial Times.

A inflação do preço ao consumidor no Reino Unido ficou em 2,3% em outubro, com o Banco da Inglaterra projetando que ela se aproxime de 3% no ano que vem.

Esse aumento é impulsionado por vários fatores, incluindo o efeito diminuto das quedas nos preços da energia do ano passado e o estímulo antecipado no orçamento recente.

Enquanto Trump se prepara para assumir o cargo, a Grã-Bretanha deve encontrar um delicado equilíbrio entre proteger seus interesses comerciais e manter a acessibilidade dos consumidores.

A perspectiva de tarifas é grande, mas o Reino Unido parece comprometido em manter suas opções abertas, priorizando a diplomacia em vez de retaliação imediata.