ONU projeta crescimento econômico da América Latina em 2,4% para 2025 em meio a tensões globais

ONU projeta crescimento econômico da América Latina em 2,4% para 2025 em meio a tensões globais
Noris Soto
19 de dez. de 2024, 12:58 PM
  • As economias da América Latina devem crescer 2,4% em 2025, impulsionadas pelo consumo privado.
  • As tensões geopolíticas e comerciais representam riscos à estabilidade econômica e aos preços das matérias-primas.
  • A inflação está em declínio, permitindo reduções cautelosas das taxas de juros, apesar do fraco investimento público.

A Organização das Nações Unidas informou na quarta-feira que as economias da América Latina e do Caribe devem crescer 2,4% em 2025, impulsionadas principalmente pelo aumento do consumo interno.

No entanto, essa expansão prevista é atenuada pelos riscos relacionados ao aumento das tensões geopolíticas e comerciais globais.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (CEPALC) corrigiu suas previsões de crescimento, reduzindo a estimativa anterior de 2,3% de agosto.

No entanto, a estimativa geral prevê que a região permanecerá em uma "trajetória de baixo crescimento".

Consumo privado: o motor do crescimento

De acordo com a pesquisa da CEPAL, o consumo privado deve ser o principal impulsionador do crescimento regional.

A expansão estimada para 2025 é semelhante à de 2024, embora em um ritmo mais modesto.

Espera-se que o consumo cresça um pouco mais rápido que o PIB, demonstrando a força do gasto das famílias diante dos ventos contrários externos.

Além disso, a agência elevou sua previsão para 2023, projetando uma taxa de crescimento de 2,2%, acima da estimativa anterior de 1,8%.

Apesar das tendências melhoradas no consumo privado, a pesquisa identifica preocupações subjacentes no mercado de trabalho, como uma taxa fraca de participação da força de trabalho que permanece abaixo dos níveis pré-pandêmicos, bem como a contínua desigualdade de gênero que afeta a dinâmica da força de trabalho.

Risco geopolítico e estabilidade econômica

A CEPAL destacou que os principais riscos às economias da América Latina são os crescentes conflitos geopolíticos e comerciais em todo o mundo.

Essas tensões podem ter um impacto considerável no preço das matérias-primas, complicar as rotas de transporte e interromper as operações de transporte, colocando em risco a estabilidade e o crescimento econômico.

De acordo com essa análise, o Brasil, a maior economia da região, deve crescer 2,3% em 2025, enquanto o México crescerá em um ritmo mais lento, de 1,2%.

A Argentina, por outro lado, deve crescer a uma taxa rápida de 4,3% ao ano.

Essas previsões variadas refletem as situações econômicas e os contextos políticos de países específicos.

Tendências inflacionárias e ajustes nas taxas de juros

O declínio constante da inflação é um dos indicadores mais positivos da região.

Isso, combinado com as iniciativas de flexibilização monetária nos Estados Unidos, permitiu que os bancos centrais regionais adotassem uma abordagem cautelosa para as reduções de juros.

A CEPAL também afirmou que ajustes na política monetária poderiam dar algum alívio e assistência ao consumo interno.

No entanto, a comissão alertou que o prognóstico para o investimento continua sombrio.

O fraco gasto público resultou em uma redução na criação bruta de capital fixo, levantando preocupações sobre sua capacidade de sustentar o crescimento de médio e longo prazo.

A pesquisa enfatiza a importância da criação de um clima favorável ao investimento para alcançar um crescimento econômico robusto e de longo prazo.

Recuperação de exportação e importação planejada

Em uma nota mais otimista, a CEPAL prevê que tanto as exportações quanto as importações de produtos e serviços se recuperarão em 2025 em comparação aos níveis de 2024.

Essa recuperação projetada demonstra a força da região na dinâmica comercial e prevê um possível retorno da atividade econômica transfronteiriça, o que pode impulsionar ainda mais o PIB.

Em conclusão, embora a América Latina e o Caribe enfrentem problemas substanciais como resultado de fatores geopolíticos externos, a taxa de crescimento prevista de 2,4% para 2025 oferece alguma esperança.

A dependência da região do consumo interno como motor de desenvolvimento demonstra sua capacidade de adaptação, mas também levanta preocupações sobre a estabilidade econômica de longo prazo diante das condições globais voláteis.

No futuro, os formuladores de políticas devem estar alertas e agressivos para aproveitar adequadamente os pontos fortes internos e mitigar os perigos externos.