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Preocupações aumentam com a Ecopetrol, enquanto Gustavo Petro supostamente interfere nas operações da empresa

Preocupações aumentam com a Ecopetrol, enquanto Gustavo Petro supostamente interfere nas operações da empresa
Noris Soto
20 de dez. de 2024, 12:02 PM
  • Alegações de interferência do presidente Petro e purgas de funcionários na Ecopetrol levantam preocupações sobre a lucratividade.
  • A Ecopetrol demitiu cerca de 600 funcionários, considerados motivados politicamente, sob o comando do CEO Ricardo Roa.
  • As ações da empresa caíram 28% neste ano, levando os bancos a reduzir os preços-alvo.

As preocupações com a Ecopetrol, maior empresa estatal da Colômbia, estão aumentando, pois uma decisão estratégica sobre sua joint venture com a Occidental Petroleum está iminente.

Alegações de envolvimento do presidente Gustavo Petro, combinadas com grandes purgas de pessoal para favorecer substituições pró-governo, levantaram preocupações sobre a futura lucratividade da empresa e seu papel crítico na economia nacional.

O dilema estratégico da Ecopetrol antes do prazo de março

De acordo com a Reuters, os acionistas da Ecopetrol enfrentam incerteza à medida que a data limite para renovar ou encerrar seu acordo de Joint Venture com a Occidental Petroleum no Texas se aproxima em março.

Entrevistas com vários funcionários da Ecopetrol, ex-funcionários e observadores do setor sugerem uma crescente preocupação com o futuro da empresa.

O cenário político foi agravado pelas recentes atividades de Petro, incluindo o cancelamento de um acordo de US$ 3,6 bilhões com a Occidental para adquirir uma participação de 30% na produtora de xisto CrownRock.

A oposição de Petro ao fracking e as preocupações com a expansão do fardo financeiro da empresa foram fatores importantes nessa decisão, de acordo com dois ex-membros do conselho que deixaram o cargo em protesto.

Petro, representando um governo socialista, desenvolveu um programa para a Colômbia fazer a transição para energias renováveis, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.

No entanto, embora ele defenda essa agenda revolucionária, as medidas tomadas contra a Ecopetrol levantam preocupações sobre o potencial impacto prejudicial no desempenho operacional e na lucratividade da empresa.

Limpezas de funcionários levantam preocupações entre os funcionários

De acordo com relatos, a Ecopetrol reduziu significativamente seu quadro de funcionários após a contratação do CEO Ricardo Roa em abril de 2023, com mais de 600 funcionários — ou cerca de 3% de sua força de trabalho total — sendo demitidos.

Ex-funcionários e pessoas internas afirmaram que essas demissões foram motivadas por razões políticas, e não por dificuldades de desempenho.

"Muitos de nós fomos removidos injustamente para dar lugar a substitutos pró-governo", disse à Reuters um ex-chefe da unidade de tecnologia e inovação da Ecopetrol que foi demitido em agosto.

O volume não documentado dessa rotatividade humana, juntamente com a crescente politicização das operações corporativas, enviou ondas de choque por todo o setor, gerando questionamentos sobre governança e integridade operacional dentro da organização.

"Há problemas de governança na Ecopetrol, mas o problema fundamental é que o governo detém 88,5% da empresa, e o presidente Petro e seus ministros não querem petróleo nem gás", disse Juan Jose Echavarria, ex-membro do conselho.

Desempenho das ações e reação do mercado

A reação do mercado aos acontecimentos tem sido reveladora. As ações da Ecopetrol caíram 28% neste ano, demonstrando a perda de confiança dos investidores.

Grandes bancos, incluindo Citi, Santander, Goldman Sachs e JPMorgan, reduziram seus preços-alvo para a Ecopetrol e seus recibos de depósito americano — veículos de investimento que permitem que investidores dos EUA comprem ações de corporações estrangeiras.

Essa queda no valor das ações destaca as ramificações mais amplas da intervenção de Petro e as disputas internas na Ecopetrol, uma corporação que é a pedra angular da economia da Colômbia.

À medida que crescem as preocupações sobre a capacidade da empresa de continuar operando e contribuir significativamente para a receita nacional, as apostas se tornam cada vez maiores.

Um futuro incerto

Enquanto a Colômbia se aproxima de um ponto-chave em sua estratégia energética, o futuro da Ecopetrol permanece incerto.

O possível encerramento da joint venture de petróleo com a Occidental pode mudar o cenário da indústria energética da Colômbia, enquanto as contínuas purgas e intervenções políticas colocam em risco não apenas a viabilidade da empresa, mas também a estrutura econômica do país.

A Ecopetrol e seus stakeholders precisam urgentemente de clareza e estabilidade.

As preocupações generalizadas sobre a governança da Petro e a reformulação da Ecopetrol podem continuar a dominar as conversas sobre investimentos energéticos na Colômbia, exigindo uma resposta imediata de autoridades governamentais e executivos do setor.

Com decisões importantes no horizonte, todos os olhos estão voltados para a Ecopetrol, que navega em um clima cada vez mais incerto.