As cinco principais notícias da LATAM que fizeram manchetes em 2024: aqui está um resumo
- O caos eleitoral da Venezuela: como um país rico se tornou um caso político sem solução e com um futuro incerto.
- As tensões comerciais e migratórias entre os EUA e o México pressionam as relações bilaterais.
- O Brasil implementou um imposto mínimo de 15% sobre os lucros de multinacionais, o que levantou preocupações no mercado.
O ano de 2024 provou ser um ponto de virada para o mundo inteiro, mas especialmente para a América Latina. Como uma região diversificada, a LATAM viu mudanças significativas econômicas, sociais e políticas.
Estas são as cinco notícias mais notáveis da região em 2024, de acordo com a Invezz.
O caos eleitoral da Venezuela
A Venezuela enfrentou um momento crítico. O resultado das eleições de 28 de julho, marcadas por problemas técnicos e alegações de fraude, intensificou a crise política e econômica do país.
Com o crescente descontentamento público e o escrutínio internacional, o caminho a seguir continua incerto.
O anúncio da vitória de Maduro pelo CNE foi recebido com ceticismo pela comunidade internacional. Os resultados oficiais declararam Maduro vencedor com 51,20% dos votos, enquanto González recebeu 44,2%.
Este resultado foi recebido com reação imediata de várias nações.
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, expressou na época sérias preocupações, questionando a legitimidade dos resultados e pedindo uma contagem de votos transparente.
Esse incidente político também teve impacto nas perspectivas econômicas da Venezuela. No último trimestre, o bolívar perdeu pelo menos 36% de seu valor em relação ao dólar, já que a instabilidade política domina as decisões de compra das pessoas.
Além disso, o recém-eleito presidente Donald Trump ameaçou a Venezuela de parar de comprar seu petróleo, alegando que os Estados Unidos "produzem mais do que o suficiente". O que agrava ainda mais a já difícil situação econômica, já que o petróleo é a principal fonte de receita do país.
O futuro continua incerto à medida que o próximo evento de posse (10 de janeiro) se aproxima, e o verdadeiro vencedor ainda é desconhecido. Isso coloca a comunidade internacional em uma difícil decisão política sobre a Venezuela.
Tensões comerciais e migratórias entre os EUA e o México
Em 4 de novembro, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum teve uma conversa com Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, sobre migração e segurança.
Este discurso ocorreu após as ameaças de Trump de impor tarifas ao México após a eleição.
Ele afirmou ter convencido Sheinbaum a tomar medidas rápidas para reduzir o fluxo de migrantes rumo aos EUA, insistindo que o México agiriria prontamente para impedir que as pessoas tentassem cruzar sua fronteira sul.
No entanto, Sheinbaum ofereceu uma perspectiva diferente sobre a discussão, sugerindo que tais ameaças poderiam levar a tensões comerciais necessárias.
Com a incerteza persistindo sobre se essas tarifas serão implementadas, Sheinbaum expressou sua abertura ao diálogo, mas alertou sobre o potencial impacto negativo que essas tarifas poderiam ter nas economias dos dois países.
Ela destacou que as tarifas podem desencadear ações retaliatórias, representando riscos para importantes setores nos EUA, especialmente o automotivo, citando grandes empresas como General Motors, Stellantis e Ford.
O presidente mexicano demonstrou um forte compromisso em encontrar uma resolução para essas questões, mantendo os importantes laços comerciais entre os EUA e o México.
O Brasil implementou um imposto mínimo de 15% sobre os lucros de multinacionais
O governo do Brasil deu um passo significativo em direção à reforma fiscal em 2024, implementando um imposto mínimo de 15% sobre os lucros de corporações multinacionais, conforme detalhado em uma ordem executiva publicada no Diário Oficial da União na noite de quinta-feira.
Esta iniciativa visava aumentar a receita, tendo em vista a ambiciosa meta do governo de atingir um déficit fiscal zero, evitando amplos cortes de gastos que pudessem colocar em risco programas sociais essenciais.
Ao se alinhar aos esforços globais para combater a evasão fiscal, o Brasil busca estabilizar seu arcabouço financeiro e garantir uma tributação justa para entidades multinacionais.
O decreto especifica que esse novo imposto servirá como uma cobrança adicional ao atual imposto de contribuição social sobre o lucro das empresas (CSLL) do Brasil.
Essa mudança garante que todas as corporações multinacionais, independentemente de suas estratégias fiscais anteriores, agora estarão sujeitas ao requisito de imposto mínimo.
As autoridades brasileiras enfatizaram que essa mudança representa um compromisso mais amplo com uma gestão fiscal sólida e cooperação internacional.
Embora o aumento da carga tributária possa reduzir as margens de lucro, ele também nivela o campo de jogo dentro do sistema tributário, diminuindo os incentivos para estratégias agressivas de otimização fiscal que poderiam prejudicar a concorrência leal.
As empresas precisarão reavaliar suas estratégias fiscais para se adaptar ao novo regime tributário, o que poderá levar a modificações nas estratégias de investimento e nos modelos operacionais.
O governo brasileiro indicou que medidas de conformidade robustas serão cruciais para a aplicação efetiva do imposto mínimo, minimizando os encargos administrativos para as empresas.
Congresso da Colômbia rejeita reforma tributária
O Congresso da Colômbia deu um grande golpe no governo do presidente Gustavo Petro este ano, rejeitando uma reforma tributária crucial para fortalecer o orçamento do país para o próximo ano.
A reforma proposta, defendida pelo ministro das Finanças, Diego Guevara, visava garantir 9,8 trilhões de pesos adicionais (cerca de US$ 2,24 bilhões) para o tesouro nacional.
Essa negação mostra os problemas financeiros do governo Petro e as dificuldades de negociação em meio a uma cena legislativa turbulenta.
Este ano, o governo já reduziu seus gastos em 28,4 trilhões de pesos (US$ 6,49 bilhões) devido à baixa arrecadação de impostos.
Esses cortes orçamentários destacam a gravidade da situação fiscal da Colômbia, forçando o governo a buscar novas fontes de receita por meio de uma reforma tributária.
Apesar da urgência, comitês econômicos no Congresso votaram contra as reformas propostas, destacando uma divisão cada vez maior entre os poderes executivo e legislativo.
El Salvador considera mudanças na lei do Bitcoin para garantir empréstimo do FMI
El Salvador, o país pioneiro que introduziu o Bitcoin como moeda legal, propôs recentemente grandes mudanças em sua legislação sobre Bitcoin.
Essa mudança de perspectiva ocorreu enquanto o governo buscava um acordo fundamental com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um empréstimo de US$ 1,3 bilhão.
As revisões permitiriam que El Salvador abordasse as preocupações contínuas do FMI sobre as ramificações financeiras de seu esforço com criptomoedas, que foi iniciado em setembro de 2021.
De acordo com relatos do Cointelegraph, El Salvador estava negociando um empréstimo de US$ 1,3 bilhão com o FMI, com conversas em andamento desde outubro.
Além disso, de acordo com o Financial Times, se o acordo for ratificado, será necessário fazer consideráveis mudanças nas leis atuais sobre Bitcoin.
Uma das mudanças mais significativas seria a remoção da obrigação legal de as empresas aceitarem Bitcoin como pagamento.
Ao implementar essa abordagem, o governo salvadorenho queria garantir US$ 2 bilhões adicionais em financiamento de organizações financeiras estrangeiras, particularmente o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
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