Crise de identidade das criptomoedas: Daly, do Fed, diz que elas não são ouro e precisam de sua própria definição

Crise de identidade das criptomoedas: Daly, do Fed, diz que elas não são ouro e precisam de sua própria definição
Deepali Singh
30 de dez. de 2024, 17:39 PM
  • A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, argumenta que as criptomoedas são distintas do ouro.
  • Daly enfatiza a necessidade de definir o propósito da criptomoeda como moeda, meio de troca ou reserva de valor.
  • Daly e o presidente do Fed, Powell, têm opiniões diferentes sobre comparar o bitcoin ao ouro.

O debate em torno da verdadeira natureza das criptomoedas continua evoluindo, com a presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, se manifestando sobre o assunto.

Em uma entrevista recente, Daly argumentou que as criptomoedas devem ser consideradas uma classe de ativos distinta, em vez de serem agrupadas ao ouro, como costuma acontecer.

Definindo cripto: mais do que apenas uma mercadoria

"Vejo as criptomoedas como algo complicado, e o serviço que precisamos oferecer a todos é realmente explicar o que queremos dizer e chamá-lo pelo que é, depois de fazer isso", afirmou Daly no podcast Opening Bid do Yahoo Finance.

Ela enfatizou que as criptomoedas podem desempenhar várias funções — uma moeda, um meio de troca ou um ativo que pode valorizar ou desvalorizar — e que esses termos exigem uma definição clara.

“Então eu não penso nisso como ouro”, acrescentou Daly.

Visões contrastantes dentro do Fed

A perspectiva de Daly apresenta um ligeiro desvio das visões do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que no início deste mês animou a comunidade cripto com seus comentários sobre o bitcoin.

Powell descreveu o bitcoin como um "ativo especulativo", comparando-o ao ouro virtual ou digital.

"As pessoas não estão usando como forma de pagamento ou como reserva de valor", disse Powell na conferência DealBook do New York Times.

O caminho para o status de moeda

Ecoando o sentimento de Powell, Daly destacou que as criptomoedas ainda não estão prontas para funcionar como moeda, apesar das aspirações de muitos entusiastas de criptomoedas.

“A propriedade que ela precisa é crescer conforme a economia cresce”, explicou Daly.

Movimento de mercado do cripto apesar da incerteza regulatória

Embora o caminho para o reconhecimento oficial como moeda pelo Congresso continue incerto, o ímpeto por trás de vários ativos digitais continua a crescer.

O Bitcoin registrou ganhos significativos desde a eleição de Donald Trump em 5 de novembro, ultrapassando a marca de US$ 100.000 pela primeira vez em 4 de dezembro.

Os preços do Bitcoin subiram 38% desde o dia da eleição e estão 106% mais altos este ano.

Ações ligadas à criptomoeda, como Coinbase (COIN) e Robinhood (HOOD), também registraram crescimento impressionante.

A adoção institucional e o fator Trump

O sentimento de aquecimento em relação às criptomoedas também se reflete em investimentos recentes de players institucionais que normalmente preferem ativos tradicionais.

Em maio, o fundo de pensão de Wisconsin comprou mais de US$ 160 milhões em ações de bitcoin, sinalizando uma crescente aceitação por parte de players financeiros tradicionais.

Além disso, a MicroStrategy (MSTR), liderada por Michael Saylor, continuou sua agressiva aquisição de bitcoin.

A nomeação do capitalista de risco David Sacks como czar das criptomoedas pelo novo governo Trump pode abrir caminho para novas iniciativas, incluindo uma possível reserva de bitcoin.

“O simples fato de que haveria alguém focado em tornar os Estados Unidos líderes em criptomoedas, mineração de bitcoin e outras áreas sobre as quais o presidente Trump falou é uma grande mudança”, disse o analista da Benchmark Company, Mark Palmer, no Opening Bid.

“Assumimos em nossa análise [que] o preço do bitcoin chegará a US$ 225.000 até o final de 2026.”

Ele também enfatizou que “O fato de estarmos vendo uma adoção institucional crescente do bitcoin é fundamental aqui.”