Por que a região separatista da Moldávia cortou o fornecimento de gás para instituições estatais?

Por que a região separatista da Moldávia cortou o fornecimento de gás para instituições estatais?
Sayantan Sarkar
30 de dez. de 2024, 07:19 AM
  • A região separatista da Transnístria, na Moldávia, cortou o fornecimento de gás para várias instituições estatais no domingo.
  • O corte do fornecimento levantou preocupações sobre cortes de energia em massa durante o Ano Novo na Moldávia.
  • A russa Gazprom havia dito que suspenderia as exportações de gás para a Moldávia a partir de 1º de janeiro devido a dívidas não pagas.

Autoridades da região da Transnístria, na Moldávia, cortaram o fornecimento de gás para várias instituições públicas no domingo, informou a Reuters.

O desenvolvimento ocorre quando o acordo que permite a passagem do gás russo pela Ucrânia chega ao fim na terça-feira.

O fornecimento foi cortado dois dias antes do vencimento do acordo, na terça-feira, e foi seguido pela decisão da Ucrânia de não renová-lo durante a guerra em curso contra Moscou.

Preocupações com cortes de energia

De acordo com o relatório, o corte no fornecimento levantou preocupações sobre cortes de energia em massa na Moldávia durante o Ano Novo.

Moldávia é um antigo estado soviético, situado entre a Rússia e a Romênia.

A Tiraspoltransgaz distribui gás na região separatista pró-Rússia. De acordo com a Reuters, 12 instituições estatais foram cortadas nas cidades de Dubasari e Bender, na fronteira com as áreas governamentais da Moldávia.

Esses incluíam quatro instituições educacionais, uma unidade médica, uma delegacia de polícia e um gabinete do promotor.

Disputa sobre atrasos de pagamento

O fornecimento foi interrompido um dia depois que a Gazprom, da Rússia, disse que suspenderia as exportações para a Moldávia a partir de 1º de janeiro devido a dívidas não pagas.

A Moldávia já contestou alegações de atrasos no pagamento de importações de gás da Rússia no passado. Ela também acusou Moscou de desestabilizar o país.

A Moldávia importa cerca de 2 bilhões de metros cúbicos de gás anualmente da Rússia, que é transportado por meio da Ucrânia para a Transnístria separatista pró-Rússia, informou o relatório.

Uma usina térmica na Transnístria produzia energia barata com importações russas e a vendia para partes da Moldávia administradas pelo governo.

O ex-ministro da Energia, Victor Parlicov, foi citado na reportagem da Reuters:

Parlicov foi demitido por não resolver a crise energética após se reunir com o chefe da Gazprom em novembro.

No entanto, Moscou negou todas essas alegações da Moldávia, de acordo com o relatório.

Tanto a Moldávia quanto a Transnístria impuseram um estado de emergência econômica, que incluiu a redução do consumo de energia durante os horários de pico nessas áreas.

A alegação da Gazprom de que a Moldávia havia acumulado atrasos de US$ 709 milhões foi rejeitada por Parlicov, de acordo com o relatório.

Ele acrescentou que todas as importações de gás foram direcionadas à separatista Transnístria desde 2022.

De acordo com a Reuters, a Moldávia diversificou suas importações de gás, com suprimentos vindos da Romênia e de outros países também.

Moldávia rejeita alegações da Gazprom

A Moldávia alega que uma auditoria internacional de suas transações com a Gazprom coloca os atrasos de pagamento em US$ 8,6 milhões, significativamente menor do que o valor informado pela Gazprom.

O primeiro-ministro da Moldávia, Dorin Recean, condenou a decisão da Gazprom de suspender o fornecimento de gás a partir de 1º de janeiro.

Isso também se destina à Eslováquia, Áustria, Hungria e Itália.

A Moldávia também pediu à Gazprom que considere diferentes rotas para o fornecimento de gás.

Foi sugerido o gasoduto Turkstream na Turquia e, de lá, via Bulgária e Romênia, informou a Reuters.

Houve críticas da Rússia e da Eslováquia à decisão da Ucrânia de não renovar o acordo de trânsito de gás entre Moscou e Kiev quando ele terminar em 31 de dezembro de 2024.