Ei, privacidade? A Apple pagará US$ 95 milhões para resolver alegações de gravação do Siri

Ei, privacidade? A Apple pagará US$ 95 milhões para resolver alegações de gravação do Siri
Deepali Singh
02 de jan. de 2025, 15:06 PM
  • A Apple concorda com um acordo de US$ 95 milhões sobre alegações de violações de privacidade do Siri.
  • O processo alegou que a Siri gravava os usuários sem o conhecimento deles e compartilhava dados com terceiros.
  • Milhões de usuários da Apple que possuíam dispositivos habilitados para Siri podem receber até US$ 20 cada.

A Apple concordou em pagar US$ 95 milhões para resolver uma ação coletiva alegando que sua assistente ativada por voz, Siri, violou a privacidade dos usuários ao gravar conversas rotineiramente, mesmo quando a ativação foi não intencional, de acordo com uma reportagem da Reuters.

O acordo proposto, protocolado na terça-feira à noite no tribunal federal de Oakland, Califórnia, requer a aprovação do juiz federal Jeffrey White.

Essa ação legal lança luz sobre a complexa interseção entre tecnologia e privacidade pessoal, gerando um debate sobre como as empresas de tecnologia lidam com os dados dos usuários.

Acusações de gravação não autorizada e divulgação de dados

O processo surgiu a partir de reclamações de proprietários de dispositivos móveis que alegaram que a Siri gravava rotineiramente suas conversas privadas após ser ativada involuntariamente e que essas conversas eram então compartilhadas com terceiros, incluindo anunciantes.

Assistentes de voz como a Siri geralmente são ativados por meio de "palavras-chave", como "Ei, Siri".

Os autores deste caso alegaram que menções a produtos e serviços específicos em conversas privadas levaram a anúncios direcionados.

Por exemplo, dois autores de ações relataram ter recebido anúncios de tênis Air Jordan e restaurantes Olive Garden depois de mencionar esses itens, enquanto outro recebeu anúncios de um tratamento cirúrgico depois de discutir o assunto com seu médico durante o que ele acreditava ser uma consulta particular.

Um acordo para compensar milhões de usuários

O período de aulas abrangido pelo acordo vai de 17 de setembro de 2014 a 31 de dezembro de 2024, período que começou quando o recurso "Ei, Siri" foi introduzido, o que, segundo os autores, levou a gravações não autorizadas.

Milhões de membros da classe, proprietários de dispositivos habilitados para Siri, como iPhones e Apple Watches, podem receber até US$ 20 por dispositivo como parte do acordo.

Embora a Apple tenha negado qualquer irregularidade, ela concordou com o acordo para resolver o processo.

O silêncio da Apple e possíveis custos legais

A Apple, com sede em Cupertino, Califórnia, e sua equipe jurídica não responderam imediatamente aos pedidos de comentários sobre o assunto, nem a equipe jurídica do autor da ação.

Espera-se que os advogados dos autores peçam até US$ 28,5 milhões em honorários, mais US$ 1,1 milhão em despesas, do fundo de indenização.

O acordo de US$ 95 milhões, embora seja um valor significativo, equivale a aproximadamente nove horas de lucro para a Apple, que relatou um lucro líquido de US$ 93,74 bilhões no último ano fiscal.

Um caso semelhante contra o Google

Este processo surge na esteira de preocupações semelhantes sobre privacidade em torno de assistentes de voz.

Uma ação coletiva paralela em nome dos usuários do Assistente de Voz do Google está atualmente pendente no tribunal federal de São José, Califórnia, no mesmo distrito do tribunal de Oakland.

Vale ressaltar que os autores são representados pelos mesmos escritórios de advocacia do caso Apple, sugerindo um movimento mais amplo que aborda questões de privacidade relacionadas à tecnologia ativada por voz.

O processo contra a Apple é intitulado Lopez et al v. Apple Inc., Tribunal Distrital dos EUA, Distrito Norte da Califórnia, nº 19-04577.