Por que a oferta de US$ 1 bilhão da Apple não conseguiu mudar a decisão de proibição da Indonésia

Por que a oferta de US$ 1 bilhão da Apple não conseguiu mudar a decisão de proibição da Indonésia
Deepali Singh
08 de jan. de 2025, 09:28 AM
  • A Indonésia mantém a proibição de vendas do iPhone 16, rejeitando a oferta de US$ 1 bilhão da Apple.
  • Os requisitos de conteúdo nacional para smartphones são o principal motivo da proibição.
  • A Indonésia vê a fábrica do AirTag como um acessório, não cumprindo os padrões locais de fabricação.

A Indonésia manteve sua proibição da venda do iPhone 16s da Apple Inc., afirmando que o plano de investimento de US$ 1 bilhão da gigante da tecnologia, que inclui a construção de uma fábrica do AirTag, não é suficiente para atender aos requisitos de conteúdo doméstico do país.

Essa decisão enfatiza a firme posição da Indonésia em relação à produção local, destacando um desafio significativo para a Apple no mercado do Sudeste Asiático.

Regras de conteúdo nacional: o obstáculo para a Apple

O ministro da Indústria, Agus Gumiwang Kartasasmita, esclareceu na quarta-feira que as regras de conteúdo nacional do país exigem que a Apple fabrique uma parte de seus smartphones ou seus componentes em território nacional.

Ele enfatizou que os AirTags, por serem apenas um acessório, não se qualificam de acordo com esses requisitos, mantendo a proibição em vigor.

"Até esta tarde, o governo não tinha base para emitir os certificados de conteúdo local" que a Apple precisa para vender seu dispositivo principal na Indonésia, disse ele.

Vendas perdidas em um mercado-chave de crescimento

A Indonésia inicialmente bloqueou as vendas do iPhone 16 em outubro, como parte de uma estratégia para incentivar a Apple a aumentar seus investimentos na maior economia do Sudeste Asiático.

Os constantes atrasos na retomada das vendas estão privando a Apple de receita de um promissor mercado de crescimento com cerca de 280 milhões de consumidores, onde eles também estão competindo com rivais como a Samsung Electronics Co.

De acordo com Kartasasmita, a Apple poderia enfrentar sanções por seu contínuo descumprimento das regras locais de investimento, embora ele tenha enfatizado que esse seria o último recurso do governo.

"Procuraremos outras maneiras ou opções", disse ele em uma entrevista coletiva, acrescentando que o governo já enviou uma contraproposta à Apple.

Uma reviravolta repentina e declarações conflitantes

A decisão marca uma reviravolta inesperada, ocorrendo apenas algumas horas depois que o ministro do Investimento, Rosan Roeslani, disse aos repórteres na terça-feira que a Indonésia havia aprovado o plano da Apple de instalar uma unidade do AirTag.

No entanto, os requisitos de conteúdo nacional estão sob a jurisdição do ministro da indústria, criando uma aparente contradição nas declarações do governo.

A proposta da Apple para uma fábrica de AirTag e as negociações em andamento

De acordo com Roeslani, a Apple propôs construir uma fábrica até o início de 2026 e iniciar a produção do AirTags, um dispositivo que permite aos usuários rastrear suas malas, animais de estimação e outros pertences.

Executivos da Apple estão atualmente em Jacarta negociando com o governo sobre sua proposta de investimento.

Abordagens alternativas de fabricação

Outras fabricantes de telefones, como a Samsung e a Xiaomi Corp., montaram fábricas na Indonésia para cumprir as regulamentações de conteúdo nacional, introduzidas em 2017.

Outros caminhos para aumentar o conteúdo local incluem a obtenção de materiais, contratação de trabalhadores locais, desenvolvimento de aplicativos e investimento em academias de desenvolvedores dentro do país.

“Não há prazo para o cumprimento”, disse Kartasasmita.