A Rússia teria começado a vender 1.032 BTC de um caso de corrupção criptográfica

A Rússia teria começado a vender 1.032 BTC de um caso de corrupção criptográfica
Diya Poddar
10 de jan. de 2025, 02:55 AM
  • O estoque de Bitcoin vem da condenação de Marat Tambiev, um ex-investigador russo.
  • Marat Tambiev foi condenado a 16 anos de prisão e multado em US$ 5 milhões.
  • Ele foi considerado culpado em 2023 por aceitar 1.032,1 BTC como suborno do grupo de hackers Infraud.

A Rússia começou a liquidar uma grande quantidade de Bitcoin apreendida durante sua investigação sobre o grupo de hackers Infraud, uma medida que pode marcar uma virada na forma como o país administra ativos criptográficos confiscados.

A venda, inicialmente envolvendo quase US$ 10 milhões em Bitcoin, é o primeiro passo para converter um total de 1.032,1 BTC em moeda fiduciária, de acordo com um site de mídia russo.

A decisão ressalta o crescente envolvimento da Rússia com criptomoedas nos setores jurídico e financeiro, mesmo que as complexidades legais estejam retardando o processo.

Batalhas legais pela propriedade do Bitcoin

O estoque de Bitcoin vem da condenação de Marat Tambiev, ex-investigador do Comitê Investigativo Russo, que foi considerado culpado em 2023 por aceitar 1.032,1 BTC como suborno do grupo de hackers Infraud.

Essa enorme apreensão foi feita nos computadores e dispositivos de armazenamento de Tambiev, tornando-se a maior apreensão de Bitcoin na Rússia até o momento.

Tambiev foi condenado a 16 anos em uma colônia penal de segurança máxima e multado em 500 milhões de rublos (US$ 5 milhões).

Vender todo o estoque tem se mostrado um labirinto legal. Tambiev teria dividido o Bitcoin em carteiras menores, exigindo decisões judiciais separadas para acessar cada parcela.

Os promotores suspeitam que alguns dos ativos digitais podem ter sido passados para a família de Tambiev, complicando ainda mais os esforços de recuperação.

No final de 2024, o Procurador-Geral da Rússia entrou com ações adicionais contra parentes e ativos de Tambiev, com o objetivo de expandir a reivindicação do Estado sobre sua riqueza ilícita.

Os prolongados procedimentos legais destacam os desafios da liquidação de ativos descentralizados em casos criminais, especialmente quando a propriedade é obscurecida pela natureza pseudônima do blockchain.

Suborno criptográfico sob escrutínio

O caso também destacou uma preocupante tendência do uso de criptomoedas para suborno e corrupção na Rússia.

Entre 2020 e 2022, Tambiev aceitou subornos em Bitcoin para ajudar a Infraud a escapar de investigações policiais e ocultar criptoativos no valor de 14 bilhões de rublos (US$ 137 milhões).

Outros funcionários foram implicados em casos semelhantes, incluindo Kristina Lyakhovenko, outra ex-investigadora, que foi condenada a nove anos por aceitar subornos.

Enquanto isso, Dmitry Gubin, ex-vice-chefe do departamento de investigação do distrito de Tverskoy, em Moscou, continua foragido após fugir das autoridades.

A crescente prevalência de suborno baseado em criptomoedas reflete uma mudança mais ampla em direção a transações "não monetárias" em atividades criminosas.

Especialistas como Marina Odintsova, chefe da filial de Kirov da Associação de Advogados da Rússia, notaram um aumento significativo no uso de moedas digitais para fins ilícitos, o que representa novos desafios para a aplicação da lei.

Implicações para a política criptográfica da Rússia

A decisão da Rússia de vender os Bitcoins confiscados destaca sua postura em evolução em relação às criptomoedas.

Tradicionalmente cético em relação a ativos digitais, o Kremlin sinalizou recentemente abertura para aproveitá-los, especialmente porque as sanções limitam o acesso a sistemas financeiros internacionais.

A atual liquidação pode estabelecer um precedente para a forma como os ativos digitais apreendidos são gerenciados e integrados aos cofres do Estado.

Essa abordagem levanta questões sobre a supervisão regulatória e o possível uso indevido.

Embora a venda ajude a liquidar ativos não rastreáveis, críticos argumentam que ela poderia inadvertidamente legitimar o envolvimento do estado nos mercados de criptomoedas, complicando ainda mais o cenário regulatório da Rússia.