Promotor chileno levanta preocupações sobre uso ilícito de criptomoedas na América Latina

Promotor chileno levanta preocupações sobre uso ilícito de criptomoedas na América Latina
Noris Soto
13 de jan. de 2025, 12:01 PM
  • Autoridades chilenas alertam sobre o uso de criptomoedas para ocultar ativos ilícitos.
  • Um promotor observa a disparidade entre o dinheiro apreendido e a riqueza das organizações criminosas.
  • Uma equipe especializada está sendo formada para investigar transações de criptomoedas.

O Ministério Público de Antofagasta, localizado no norte do Chile, publicou um relatório sobre o provável uso de criptomoedas por organizações criminosas estrangeiras para ocultar ativos ilícitos.

Investigações revelaram evidências de que essas empresas podem estar usando criptomoedas para ocultar suas operações financeiras, desencadeando uma resposta robusta das autoridades policiais chilenas.

Crime criptográfico na América Latina: gangues venezuelanas e criptomoedas

"As criptomoedas e as gangues venezuelanas representam uma nova sombra negra do crime", diz Juan Carlos Bekios, promotor regional de Antofagasta, em um comunicado à imprensa.

Ele mencionou um caso impressionante em que, durante uma grande operação contra uma gangue violenta venezuelana envolvida em atos criminosos como sequestro e tráfico de drogas, apenas 70.000 pesos (aproximadamente US$ 90) foram apreendidos.

Os ativos típicos, como carros, casas e empresas, normalmente associados a esses grupos violentos, estavam ausentes, porque sua motivação principal é coletar e mover ativos rapidamente.

"No entanto, a situação parece estranha", ele continuou, "quando levamos em consideração o tipo dessas organizações. Por exemplo, suas atividades as descrevem como muito inteligentes em manter seu dinheiro escondido. Seu princípio de integração sugere que as criptomoedas são um de seus principais instrumentos."

A mudança para crimes sofisticados

A contínua transformação das práticas criminosas exigiu a necessária reorganização dos serviços policiais, que tiveram que adaptar seus fluxos de trabalho para combater o crime organizado.

O Ministério Público de Antofagasta já observou uma tendência preocupante: os criminosos estão usando cada vez mais moedas digitais em vez de sistemas bancários tradicionais para escapar do escrutínio legal.

"O panorama do crime mudou drasticamente", comentou Bekios. Os sindicatos agora são mais hábeis em movimentar e esconder seus fundos.

Estabelecendo uma força-tarefa especial

Como reação a esses crescentes perigos, o Ministério Público de Antofagasta iniciou os preparativos para a intensificação das investigações relacionadas a criptomoedas.

Uma carta oficial informou que uma equipe especialmente composta seria criada para atender a essa demanda urgente, liderada por um promotor do Gabinete de Análise e Criminalidade Complexa (FACC).

"Não nos concentramos diretamente em achados acidentais de transações com criptomoedas, mas em ações preventivas que determinarão que tipo de organizações usam esses métodos nacional ou transnacionalmente", disse Bekios, apontando para a importância de examinar o fluxo desses canais financeiros para completar totalmente os esforços policiais.

Enfrentando desafios

Bekios observou que, embora a acusação tenha confiscado alguns criptoativos no passado, investigações futuras exigem uma abordagem mais eficiente.

"Nosso objetivo é expandir além dos ativos convencionais com a evolução tecnológica. É essencial que adquiramos habilidades no rastreamento de moedas digitais, pois nos alinhamos com as inovações tecnológicas concomitantes", afirmou.

Esse ajuste faz parte de uma tendência maior na qual as agências de aplicação da lei estão tratando as criptomoedas não apenas como um meio de transações legítimas, mas também como um veículo para lavagem de dinheiro.

O aumento das capacidades ajudará o Ministério Público de Antofagasta a conectar os lados tecnológico e investigativo para alcançar o resultado mais eficaz.

O caminho para o controle definitivo do crime digital

O alerta dado pelo Ministério Público de Antofagasta deve ser um sério chamado de atenção ao mundo sobre os efeitos colaterais da globalização e da tecnologia digital no crime.

O aumento do uso de criptomoedas entre sindicatos criminosos exige que a aplicação da lei seja apoiada por medidas proativas e treinamento especializado.

Reduzir o crime digital em andamento, como o Chile está enfrentando atualmente, depende em grande parte do estabelecimento de equipes capazes de combater o uso ilícito de criptomoedas, protegendo assim a integridade dos sistemas financeiros nacionais e internacionais.

Uma forte colaboração, táticas inovadoras e rastreamento firme serão cruciais para desmantelar essas redes complexas e proteger a sociedade dos efeitos de longo alcance do crime organizado.

O Chile ocupa o segundo lugar em volume de negociação de criptomoedas

O Chile ocupa o segundo lugar na lista global de volume de negociação de criptomoedas em relação à renda média mensal, com impressionantes 94,50%.

A Argentina é a concorrente mais próxima, com 55,86%, enquanto a Colômbia e a Venezuela registram números de 20,60% e 48,34%, respectivamente.

Este ranking, divulgado pela Cointelegraph en Español em meados de 2024, marca uma mudança decisiva na economia latino-americana, onde as criptomoedas não são mais apenas especulação, mas uma parte insubstituível das finanças e um componente fundamental dos sistemas econômicos da região.

Em um exame abrangente realizado pela CoinWire, chamado 'Quais países negociam mais?', foi apontado que o único país que supera o Chile é o Brasil nos volumes de negociação previstos para 2024, que devem ultrapassar US$ 105 bilhões.

O relatório elogiou o Chile não apenas pelos grandes volumes de comércio, mas também pelo nível significativo de participação de seus cidadãos em criptomoedas.

Essa tendência é indicativa do movimento da sociedade em direção às moedas digitais, que estão sendo vistas cada vez mais como uma ferramenta de investimento, especialmente quando a comunidade passa por algumas experiências tumultuadas em relação à economia.

Além disso, a pesquisa enfatiza que o povo do Chile transfere um segmento substancial de seus ganhos para despesas com criptomoedas, com uma média de US$ 447 por mês.

Esse número anuncia que eles gastam 65% de seus salários médios mensais com isso, o que está em linha com o que eles normalmente pagam de aluguel; destacando assim a importância das criptomoedas em suas decisões financeiras diárias.

Diante da dinâmica do mercado global de criptomoedas, os investimentos pessoais maciços por indivíduos servem não apenas como um catalisador para a necessidade de medidas regulatórias corretas, mas também para uma aplicação da lei atraente, especialmente em relação às ameaças de crimes criptográficos por gangues criminosas.