China escolhe soja brasileira mais barata em vez da dos EUA antes do retorno de Trump

China escolhe soja brasileira mais barata em vez da dos EUA antes do retorno de Trump
Sayantan Sarkar
17 de jan. de 2025, 05:06 AM
  • Processadores chineses estão comprando mais soja do Brasil do que dos EUA devido aos preços mais baixos.
  • No ano passado, o Brasil forneceu 54% das importações de soja do primeiro trimestre da China, enquanto os EUA responderam por 38%.
  • Trump ameaçou novamente impor tarifas entre 10% e 60% sobre produtos chineses.

Processadores chineses de soja estão mudando suas estratégias de fornecimento de oleaginosas dos EUA para cargas brasileiras devido à competitividade de preços e preocupações com possíveis tarifas de importação, informou a Reuters na sexta-feira.

Essas preocupações surgem com a próxima posse do presidente eleito Donald Trump e a possibilidade de seu governo impor restrições comerciais às importações chinesas.

A incerteza em torno das futuras relações comerciais entre EUA e China já causou interrupções nos fluxos comerciais agrícolas com a China.

Como maior importador mundial de produtos agrícolas, a China desempenha um papel crucial nos mercados globais de commodities.

Estratégias de aquisição da China

A expectativa de novas tensões comerciais sob o governo Trump levou compradores chineses a ajustar proativamente suas estratégias de aquisição.

Isso inclui o acúmulo de estoques para mitigar possíveis interrupções no fornecimento e a busca ativa por fornecedores alternativos para reduzir a dependência de oleaginosas dos EUA.

A mudança para cargas de soja brasileiras destaca a vulnerabilidade das exportações agrícolas dos EUA aos riscos geopolíticos e às incertezas da política comercial.

Isso também ressalta a importância de manter preços competitivos e relações comerciais estáveis para que os produtores dos EUA mantenham sua participação de mercado em mercados de exportação importantes, como a China.

Processadores chineses garantiram quase toda a carga de soja do Brasil para embarque no primeiro trimestre, segundo três fontes comerciais citadas pela Reuters.

Essa mudança sinaliza uma possível mudança no comércio global de soja, já que a China, o maior importador mundial de soja, normalmente obtém seu suprimento do Brasil e dos EUA.

China olha além dos EUA

No ano passado, o Brasil forneceu 54% das importações de soja do primeiro trimestre da China, enquanto os EUA responderam por 38%, de acordo com o relatório.

Este ano, a aquisição antecipada do Brasil sugere um potencial aumento da participação do Brasil no mercado chinês.

O domínio da China no mercado de soja é inegável, já que ela importa mais de 60% da soja enviada ao mundo. Quaisquer mudanças em sua estratégia de fornecimento podem ter implicações significativas nos preços globais da soja e nos fluxos comerciais.

"As britadeiras chinesas estão agora reservando cargas brasileiras para embarque em fevereiro e março", disse um comerciante em Cingapura à Reuters.

Os EUA e a China já se envolveram em tarifas de retaliação durante o primeiro mandato de Trump, em 2018.

Como resultado, Pequim tomou medidas permanentes para diminuir sua dependência de produtos agrícolas americanos.

Trump ameaçou novamente impor tarifas entre 10% e 60% sobre produtos chineses, o que provavelmente resultaria em tarifas chinesas retaliatórias sobre produtos agrícolas dos EUA.

Dados alfandegários chineses indicam que a participação das importações de soja da China dos EUA caiu para 18% nos primeiros 11 meses de 2024, em comparação com 40% em 2016.

Enquanto isso, a participação do Brasil subiu de 46% para 74%. A soja sul-americana, colhida no início do ano, domina o comércio global até que os suprimentos dos EUA estejam disponíveis em agosto.

Este ano, os importadores chineses de oleaginosas mudaram suas compras para feijão brasileiro mais cedo e em quantidades maiores, impactando os fornecedores dos EUA no final de sua temporada de pico de comercialização em janeiro.

Como resultado, espera-se que os EUA, o segundo maior exportador de soja depois do Brasil, tenham 10,34 milhões de toneladas de grãos restantes até o final do ano comercial de 2024-25, em agosto, o maior volume em cinco anos, de acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA.

Soja mais barata

O preço competitivo da soja no Brasil tem um apelo significativo em comparação com a soja dos EUA, disseram comerciantes à Reuters.

Lin Guofa, analista sênior do Bric Agriculture Group, uma consultoria, disse à Reuters:

"O clima favorável no Brasil e a desvalorização do real reduziram os custos de produção, incentivando novas importações de soja", acrescentou Lin.

Soja do Brasil à China, incluindo frete e outros custos, está sendo comercializada a US$ 420 a tonelada, enquanto a soja das cargas do noroeste do Pacífico dos EUA está a US$ 451 a tonelada, de acordo com o relatório.

No entanto, o amplo suprimento interno de soja na China provavelmente vai conter a demanda, disse a Reuters.

A China importou 105,03 milhões de toneladas de soja em 2024, um recorde, de acordo com o relatório.