China escolhe soja brasileira mais barata em vez da dos EUA antes do retorno de Trump

- Processadores chineses estão comprando mais soja do Brasil do que dos EUA devido aos preços mais baixos.
- No ano passado, o Brasil forneceu 54% das importações de soja do primeiro trimestre da China, enquanto os EUA responderam por 38%.
- Trump ameaçou novamente impor tarifas entre 10% e 60% sobre produtos chineses.
Processadores chineses de soja estão mudando suas estratégias de fornecimento de oleaginosas dos EUA para cargas brasileiras devido à competitividade de preços e preocupações com possíveis tarifas de importação, informou a Reuters na sexta-feira.
Essas preocupações surgem com a próxima posse do presidente eleito Donald Trump e a possibilidade de seu governo impor restrições comerciais às importações chinesas.
A incerteza em torno das futuras relações comerciais entre EUA e China já causou interrupções nos fluxos comerciais agrícolas com a China.
Como maior importador mundial de produtos agrícolas, a China desempenha um papel crucial nos mercados globais de commodities.
Estratégias de aquisição da China
A expectativa de novas tensões comerciais sob o governo Trump levou compradores chineses a ajustar proativamente suas estratégias de aquisição.
Isso inclui o acúmulo de estoques para mitigar possíveis interrupções no fornecimento e a busca ativa por fornecedores alternativos para reduzir a dependência de oleaginosas dos EUA.
A mudança para cargas de soja brasileiras destaca a vulnerabilidade das exportações agrícolas dos EUA aos riscos geopolíticos e às incertezas da política comercial.
Isso também ressalta a importância de manter preços competitivos e relações comerciais estáveis para que os produtores dos EUA mantenham sua participação de mercado em mercados de exportação importantes, como a China.
Processadores chineses garantiram quase toda a carga de soja do Brasil para embarque no primeiro trimestre, segundo três fontes comerciais citadas pela Reuters.
Essa mudança sinaliza uma possível mudança no comércio global de soja, já que a China, o maior importador mundial de soja, normalmente obtém seu suprimento do Brasil e dos EUA.
China olha além dos EUA
No ano passado, o Brasil forneceu 54% das importações de soja do primeiro trimestre da China, enquanto os EUA responderam por 38%, de acordo com o relatório.
Este ano, a aquisição antecipada do Brasil sugere um potencial aumento da participação do Brasil no mercado chinês.
O domínio da China no mercado de soja é inegável, já que ela importa mais de 60% da soja enviada ao mundo. Quaisquer mudanças em sua estratégia de fornecimento podem ter implicações significativas nos preços globais da soja e nos fluxos comerciais.
"As britadeiras chinesas estão agora reservando cargas brasileiras para embarque em fevereiro e março", disse um comerciante em Cingapura à Reuters.
Os EUA e a China já se envolveram em tarifas de retaliação durante o primeiro mandato de Trump, em 2018.
Como resultado, Pequim tomou medidas permanentes para diminuir sua dependência de produtos agrícolas americanos.
Trump ameaçou novamente impor tarifas entre 10% e 60% sobre produtos chineses, o que provavelmente resultaria em tarifas chinesas retaliatórias sobre produtos agrícolas dos EUA.
Dados alfandegários chineses indicam que a participação das importações de soja da China dos EUA caiu para 18% nos primeiros 11 meses de 2024, em comparação com 40% em 2016.
Enquanto isso, a participação do Brasil subiu de 46% para 74%. A soja sul-americana, colhida no início do ano, domina o comércio global até que os suprimentos dos EUA estejam disponíveis em agosto.
Este ano, os importadores chineses de oleaginosas mudaram suas compras para feijão brasileiro mais cedo e em quantidades maiores, impactando os fornecedores dos EUA no final de sua temporada de pico de comercialização em janeiro.
Como resultado, espera-se que os EUA, o segundo maior exportador de soja depois do Brasil, tenham 10,34 milhões de toneladas de grãos restantes até o final do ano comercial de 2024-25, em agosto, o maior volume em cinco anos, de acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA.
Soja mais barata
O preço competitivo da soja no Brasil tem um apelo significativo em comparação com a soja dos EUA, disseram comerciantes à Reuters.
Lin Guofa, analista sênior do Bric Agriculture Group, uma consultoria, disse à Reuters:
"O clima favorável no Brasil e a desvalorização do real reduziram os custos de produção, incentivando novas importações de soja", acrescentou Lin.
Soja do Brasil à China, incluindo frete e outros custos, está sendo comercializada a US$ 420 a tonelada, enquanto a soja das cargas do noroeste do Pacífico dos EUA está a US$ 451 a tonelada, de acordo com o relatório.
No entanto, o amplo suprimento interno de soja na China provavelmente vai conter a demanda, disse a Reuters.
A China importou 105,03 milhões de toneladas de soja em 2024, um recorde, de acordo com o relatório.

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