Investidores do mercado de carbono Silvania lançam fundo de US$ 1,5 bilhão para proteger a floresta amazônica

Investidores do mercado de carbono Silvania lançam fundo de US$ 1,5 bilhão para proteger a floresta amazônica
Sayantan Sarkar
22 de jan. de 2025, 03:39 AM
  • Silvania, apoiada pela Mercuria, lança fundo de US$ 1,5 bilhão para proteger a floresta amazônica.
  • A iniciativa "Corrida para Belém" visa gerar e vender créditos de carbono vinculados à preservação da floresta tropical.
  • O projeto ocupará uma grande área e será necessário obter a aprovação de todos os níveis de governo e dos agricultores.

O investidor em mercados de carbono Silvania, apoiado pela corretora suíça Mercuria, anunciou um fundo de US$ 1,5 bilhão em colaboração com duas organizações sem fins lucrativos na quarta-feira, de acordo com a Reuters.

A iniciativa visa proteger a floresta amazônica por meio da colaboração com estados brasileiros, agricultores e comunidades locais.

A iniciativa "Corrida para Belém", nomeada em homenagem à cidade brasileira que sediará a próxima Conferência das Partes (COP) sobre mudanças climáticas em novembro, tem um objetivo claro e ambicioso.

Objetivos da Silvania

A iniciativa visa gerar e vender créditos de carbono vinculados diretamente à preservação da floresta amazônica, a maior e mais biodiversa floresta tropical do mundo.

Ele também reconhece o papel fundamental que a Amazônia desempenha na regulação do clima global e busca criar um mecanismo financeiro que incentive sua proteção.

Ao vender esses créditos, a iniciativa visa atrair investimentos de governos, corporações e indivíduos que buscam compensar suas emissões de carbono e contribuir para a ação climática.

O sucesso da "Corrida para Belém" pode ter implicações significativas para o futuro da Amazônia, demonstrando um modelo viável para a conservação da floresta tropical que alinha interesses econômicos com a proteção ambiental.

A iniciativa foi lançada pela Silvania em parceria com a Conservation International e a The Nature Conservancy. A Silvania é um veículo de investimento de US$ 500 milhões dedicado à natureza e à biodiversidade, e esta é sua primeira grande campanha.

Esta iniciativa marca um passo significativo na missão da Silvania de financiar projetos que protegem e restauram ecossistemas naturais, conservam a biodiversidade e promovem práticas sustentáveis de uso da terra.

Ao colaborar com duas das principais organizações de conservação do mundo, a Silvania visa aproveitar sua expertise e redes para identificar e investir em projetos de alto impacto que gerem resultados mensuráveis de conservação.

A parceria também permitirá que a Silvania se envolva com uma gama mais ampla de partes interessadas, incluindo governos, empresas e comunidades locais, para promover o desenvolvimento sustentável e o financiamento da conservação.

Implementação

O novo plano será implementado em uma área significativamente maior. Para evitar as críticas recebidas por projetos anteriores em relação ao seu impacto no mundo real, o acordo de todos os níveis de governo, fazendeiros e comunidades afetadas será buscado, de acordo com a reportagem da Reuters.

A Amazônia está se aproximando de um ponto em que emitirá mais carbono do que absorverá devido às temperaturas globais recordes do ano passado.

Essa mudança tornará ainda mais difícil atingir a meta global de limitar o aquecimento global.

O pano de fundo para isso também inclui a retirada dos EUA do acordo de Paris pelo presidente Donald Trump e o enfraquecimento dos compromissos corporativos devido à lenta implementação de políticas pelos governos para atingir a meta do acordo de Paris.

Após o lançamento do programa no estado brasileiro do Tocantins, o presidente-executivo da Race to Belém, Keith Tuffley, expressou esperança de que outros estados participassem.

Financiamento e implantação

Ele acrescentou que a meta inicial de financiamento de US$ 1,5 bilhão para este ano seria superada, informou a Reuters.

Tuffley foi citado no relatório dizendo:

A Silvania oferecerá aos estados US$ 1 por tonelada de créditos de carbono adquiridos antecipadamente para dar início ao projeto, que terá um valor total de até US$ 100 milhões.

O preço por tonelada é negociável com potenciais compradores, e Tuffley afirmou que isso poderia resultar em centenas de milhões de toneladas de economia de carbono, de acordo com o relatório.

A implantação começará imediatamente, com fases adicionais sendo introduzidas nos próximos três a cinco anos.

Os créditos são classificados como créditos Jurisdictional Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation (JREDD+), com projetos existentes em países como Guiana, Gana e Costa Rica.

Esses créditos representam uma "oportunidade geracional para reverter os fatores econômicos da desflorestação", de acordo com uma declaração divulgada pelo presidente-executivo da Conservation International, M. Sanjayan.

"Este será um ano sísmico para o futuro da Amazônia. Temos a chance de olhar para trás e ver a trajetória da proteção amazônica em duas eras distintas: pré e pós-COP30", disse ele.