Trump deve acabar com o Conselho Espacial após lobby da SpaceX: relatório

Trump deve acabar com o Conselho Espacial após lobby da SpaceX: relatório
Diya Poddar
22 de jan. de 2025, 04:40 AM
  • Jared Isaacman, um aliado da SpaceX, foi recentemente nomeado para liderar a NASA.
  • O conselho, presidido por Kamala Harris, trabalhou principalmente na coordenação da política espacial internacional.
  • O conselho foi considerado “desnecessário” pelos lobistas da SpaceX, de acordo com o relatório.

De acordo com uma reportagem da Reuters, o governo do presidente Donald Trump está se preparando para abolir o Conselho Nacional Espacial, um órgão político fundamental para coordenar a agenda espacial dos Estados Unidos, alegando ineficiência e falta de utilidade.

O destino incerto do conselho gerou controvérsia, já que a SpaceX, liderada pelo CEO Elon Musk, emerge como uma força dominante na definição da política espacial sob a nova administração.

Essa mudança sinaliza uma mudança significativa na forma como a exploração espacial e a governança podem evoluir na era Trump, especialmente com o crescente papel da SpaceX em iniciativas nacionais.

O conselho, presidido por Kamala Harris, trabalhou principalmente na coordenação da política espacial internacional e no fomento de colaborações com aliados.

As atividades do conselho teriam atraído críticas dos assessores de Trump e dos lobistas da SpaceX, que o consideram redundante no atual ecossistema espacial.

A crescente influência da SpaceX na política espacial dos EUA

A crescente proximidade da SpaceX com a Casa Branca sob Trump é evidente em seu papel expandido na definição da agenda espacial nacional.

Com Elon Musk prometendo apoio a projetos ambiciosos, como missões tripuladas a Marte e exploração do espaço profundo, a SpaceX parece pronta para se beneficiar do desmantelamento do conselho.

O Conselho Nacional Espacial, que tradicionalmente serve como uma plataforma para coordenação interagencial, foi considerado "desnecessário" por lobistas da SpaceX, disse o relatório citando fontes.

Após a vitória eleitoral de Donald Trump, sua equipe de transição não teria se envolvido com o conselho espacial, ao contrário do que fez com a NASA e outras agências para elaborar planos de transição.

Os escritórios da equipe do conselho perto da Casa Branca foram, em sua maioria, desocupados, de acordo com a agência de notícias.

O primeiro governo de Trump reativou o conselho espacial em 2017, após ele ter sido dissolvido em 1993.

O conselho desempenhou um papel fundamental em iniciativas como o estabelecimento da Força Espacial dos EUA, planos para retornar humanos à Lua e reformas nas regulamentações de lançamento espacial comercial.

O foco da empresa em comercializar o espaço e impulsionar suas ambições em Marte está alinhado com a visão de Trump para uma abordagem mais privatizada e eficiente para a exploração espacial.

Nos últimos meses, Trump fortaleceu os laços com Musk, participando de eventos da SpaceX e apoiando o programa de foguetes Starship da empresa.

Jared Isaacman, aliado e cliente de destaque da SpaceX, foi recentemente nomeado para liderar a NASA, ressaltando ainda mais a influência da SpaceX dentro da administração.

Críticos argumentam que eliminar o conselho poderia enfraquecer a capacidade do governo de construir parcerias internacionais e definir estratégias de longo prazo para a governança espacial.

Sem um órgão central de coordenação, especialistas alertam para a possível fragmentação da política espacial dos EUA, o que poderia dificultar os esforços para estabelecer normas e regras para a exploração espacial, especialmente em áreas contestadas, como operações lunares.

Implicações para a NASA e parcerias globais

A remoção do Conselho Nacional Espacial provavelmente remodelará a abordagem da NASA à cooperação internacional e ao planejamento de longo prazo.

Sob Biden, o conselho desempenhou um papel fundamental na formação de alianças para projetos como o programa Artemis, que visa levar humanos de volta à Lua e promover a colaboração internacional.

Sem o conselho, a NASA pode enfrentar desafios para manter seu papel de liderança no cenário global, já que empresas privadas como a SpaceX dominam a narrativa com seus objetivos comerciais.

Essa mudança também pode atrapalhar o consenso internacional sobre questões críticas, como o gerenciamento de detritos orbitais, estruturas de exploração lunar e ética da exploração do espaço profundo.

Embora o governo Trump ainda não tenha confirmado o fechamento oficial do conselho, o esvaziamento de seus escritórios perto da Casa Branca e a remoção de sua página da web sugerem que sua dissolução é iminente.

Isso é visto como uma vitória para a SpaceX, que há muito busca simplificar a política espacial em favor dos interesses comerciais.