Por que o Goldman Sachs elevou a Ultrapar do Brasil para 'comprar'?

Por que o Goldman Sachs elevou a Ultrapar do Brasil para 'comprar'?
Noris Soto
31 de jan. de 2025, 13:48 PM
  • O Goldman Sachs elevou a Ultrapar de neutra para compra, reduzindo o preço-alvo para R$ 19,70.
  • A corporação espera retornos aos acionistas de 7% em 2024 e 9% em 2025.
  • A Ipiranga, da Ultrapar, deve manter margens em torno de 10% em 2025.

O Goldman Sachs elevou a recomendação da Ultrapar Participações SA (UGPA3) de manter para comprar, apesar de reduzir o preço-alvo de R$ 25,10 para R$ 19,70.

O Goldman Sachs acredita que a Ultrapar está bem posicionada para fusões e aquisições (M&A) no atual ambiente macroeconômico.

Historicamente, as crises econômicas levaram a consolidações corporativas, e os menores níveis de dívida da Ultrapar lhe dão maior flexibilidade para fortalecer sua posição no mercado.

A alavancagem menor permite que a empresa melhore a estabilidade financeira, busque investimentos estratégicos e devolva mais capital aos acionistas por meio de dividendos e recompras.

O Goldman espera retornos totais aos acionistas de 7% em 2024 e 9% em 2025, mantendo sua relação Dívida Líquida/EBITDA abaixo de 1,5 vezes.

Ipiranga x Vibra

O Goldman Sachs destacou a unidade de distribuição de combustíveis da Ultrapar, a Ipiranga, e sua competição contínua com a Vibra Energia.

Embora as margens da Ipiranga continuem menores do que as da Vibra — esperadas em torno de 10% —, a Vibra se beneficia de maior escala e eficiência de custos, o que lhe dá uma vantagem competitiva.

O Goldman rebaixou a Vibra de "compra" para "neutro", cortando seu preço-alvo de R$ 27,40 para R$ 19,50.

O rebaixamento reflete uma previsão de lucro líquido de 2025 27% menor do que o esperado, já que as taxas de juros mais altas pesam nas finanças da Vibra.

Preocupações com dívidas e estratégia de fluxo de caixa

Os níveis de dívida da Vibra devem mais do que dobrar até o fim do ano devido à aquisição da Comerc Energia, o que pode limitar sua capacidade de devolver capital aos acionistas.

Analistas esperam que os dividendos permaneçam em apenas 5% em 2025 e 2026, já que a empresa prioriza a redução da dívida.

Apesar disso, Goldman observa que o rendimento do fluxo de caixa livre da Vibra deve atingir 18% até 2026-2027, sinalizando uma forte geração de caixa mesmo enquanto trabalha para reduzir sua carga de dívida.

O Goldman Sachs vê a menor dívida da Ultrapar e o potencial de fusões e aquisições como fatores-chave que sustentam sua classificação de "compra", enquanto as pressões da dívida e os desafios de margem da Vibra levaram ao seu rebaixamento.

Enquanto as condições econômicas do Brasil permanecem incertas, a disciplina financeira e a estratégia de crescimento da Ultrapar podem lhe dar uma vantagem competitiva.