A economia da Hungria enfrenta dificuldades: Orbán conseguirá reviver o crescimento antes de 2026?

A economia da Hungria enfrenta dificuldades: Orbán conseguirá reviver o crescimento antes de 2026?
Dionysis Partsinevelos
06 de fev. de 2025, 17:05 PM
  • A economia da Hungria está lutando contra o baixo crescimento, a alta inflação e a queda da moeda.
  • Orbán planeja cortes de impostos e subsídios, mas analistas alertam sobre riscos à estabilidade financeira.
  • A ascensão da oposição e a incerteza econômica podem tornar a eleição de 2026 a mais difícil de sua carreira.

A economia da Hungria está vacilando em um momento crítico para o primeiro-ministro Viktor Orbán.

A inflação está voltando, os salários estão tendo dificuldade para acompanhar o aumento dos preços e a moeda nacional está enfraquecendo.

A confiança do consumidor foi abalada e os economistas estão céticos em relação às ambiciosas previsões de crescimento do governo.

Com as eleições se aproximando em 2026 e uma forte oposição surgindo, Orbán está apostando alto em gastos públicos e acordos de investimento para mudar as coisas.

A Hungria está começando a crescer, mas não rápido o suficiente

Officially, Hungary is out of recession for now. The economy shrank for most of 2023, but by late 2024, growth had returned, but only just barely.

A Comissão Europeia estima o crescimento do PIB em 0,6% para 2024, com previsões de 1,8% em 2025 e 3,1% em 2026.

O problema é que esses números estão bem abaixo do que Orbán precisa.

Seu governo havia projetado um crescimento de 3,4% em 2025, mas a maioria dos economistas agora vê o número mais próximo de 2%.

O Erste Bank, um dos mais confiáveis analistas econômicos da Hungria, prevê uma queda ainda maior.

A Hungria depende muito das exportações, principalmente para a Alemanha. Mas o setor industrial alemão está em declínio, o que significa menos pedidos para os fabricantes húngaros.

Este é um problema sério porque o modelo econômico do país depende da competitividade de suas fábricas, especialmente do setor automotivo.

Orbán está contando com novos investimentos da BMW e da chinesa BYD para aumentar a produção, mas eles não terão um impacto imediato.

Se a Europa desacelerar ainda mais, esses projetos podem enfrentar atrasos.

A inflação está caindo, mas os preços ainda estão muito altos

A Hungria teve a pior inflação da UE após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Em seu pico no início de 2023, estava acima de 25%.

Desde então, caiu para cerca de 3,2%, mas o dano já foi feito. Os salários reais foram afetados e, mesmo com a recuperação das rendas, muitos húngaros agora se sentem ainda mais pobres.

O Banco Central alertou que os riscos de inflação estão aumentando novamente.

O forinte está fraco, oscilando perto das mínimas de dois anos em relação ao euro. Isso torna as importações mais caras, aumentando os custos de alimentos e bens de consumo.

O governo está tentando aliviar a pressão aumentando as pensões, aumentando os benefícios fiscais familiares e oferecendo subsídios para a compra de casas.

Mas essas medidas trazem riscos, pois o aumento dos gastos governamentais pode agravar ainda mais o déficit orçamentário, já acima dos limites da UE, e desencadear uma reação negativa do mercado que enfraqueça ainda mais o forinte.

Gastos eleitorais podem dar errado

Orbán já usou os gastos do governo como ferramenta política antes.

De acordo com uma reportagem da Reuters, antes das eleições de 2022, ele lançou um pacote de gastos de US$ 5,35 bilhões, distribuindo restituições fiscais, bônus de aposentadoria e aumentos salariais. Funcionou, pois ele venceu por uma margem esmagadora.

Mas também alimentou a inflação, que saiu do controle.

Agora, a história pode se repetir. Seu governo está preparando uma nova onda de gastos em 2025, com o objetivo de impulsionar o crescimento e recuperar o apoio público.

Isenções fiscais, incentivos habitacionais e subsídios empresariais estão todos em discussão.

O problema é que o déficit orçamentário da Hungria já é alto, bem acima dos limites da UE.

Agências de classificação de crédito alertaram que a Hungria pode enfrentar um rebaixamento se as finanças públicas enfraquecerem ainda mais.

Os investidores estão observando de perto.

Se os mercados perderem confiança, o forinte poderá cair ainda mais, piorando a inflação.

O curinga político: Orbán enfrenta concorrência real

Pela primeira vez em mais de uma década, o controle do poder por Orbán parece vacilante.

Peter Magyar, um ex-integrante do Fidesz que se tornou líder da oposição, abalou a política húngara.

Em algumas pesquisas, seu Partido Tisza está à frente do Fidesz, e a insatisfação com a economia está alimentando sua ascensão.

Uma pesquisa da UE realizada em janeiro de 2025 revelou que quase 40% dos húngaros esperam que suas finanças piore neste ano.

That’s a troubling number for a government that has built its success on economic stability. Magyar is capitalizing on this frustration, positioning himself as a fresh alternative to Orbán’s 15-year rule.

Se as condições econômicas não melhorarem, o Fidesz pode enfrentar uma verdadeira luta em 2026.

A estratégia econômica de Orbán sempre foi uma mistura de pragmatismo e cálculo político.

Ele garantiu grandes investimentos estrangeiros, manteve forte controle sobre a mensagem pública e usou gastos do governo para manter os eleitores do seu lado. Mas os desafios da Hungria são maiores do que a manipulação da mídia.

A economia está crescendo, mas não rápido o suficiente. A inflação desacelerou, mas as pessoas ainda sentem os efeitos.

O governo está gastando para aumentar a confiança, mas isso corre o risco de piorar o déficit.

E, pela primeira vez, um verdadeiro oponente político surgiu.

Orbán tem dois anos para convencer os húngaros de que sua visão econômica ainda funciona.

Se o crescimento aumentar, ele poderá resistir à tempestade. Se não aumentar, seu longo domínio político poderá estar em risco.