Egito fecha acordo de US$ 3 bilhões por GNL com Shell e Total à medida que crise de gás nacional se aprofunda

Egito fecha acordo de US$ 3 bilhões por GNL com Shell e Total à medida que crise de gás nacional se aprofunda
Sayantan Sarkar
06 de fev. de 2025, 13:25 PM
  • Egito fecha acordo de US$ 3 bilhões com Shell e TotalEnergies para 60 carregamentos de GNL em 2025.
  • A queda na produção interna de gás e o aumento no consumo de energia levaram o Egito a mudar de exportador para importador de gás.
  • O Egito pretende reduzir a dependência do volátil mercado spot por meio de contratos de GNL de longo prazo.

O Egito garantiu 60 carregamentos de gás natural liquefeito (GNL) para 2025 por meio de acordos com a Shell e a TotalEnergies avaliados em aproximadamente US$ 3 bilhões, informou a Reuters na quinta-feira.

O Egito, a nação mais populosa do mundo árabe, reverteu sua posição sobre o comércio de gás natural no ano passado.

Devido a um declínio significativo na produção doméstica de gás natural, o Egito passou de um potencial exportador de gás para a Europa, como planejado anteriormente, para se tornar um importador líquido do produto.

Essa mudança levou o país a comprar vários carregamentos de gás natural para atender à sua demanda interna.

Declínio no fornecimento de gás doméstico

Os suprimentos internos de gás do Egito registraram um declínio significativo em setembro de 2024, atingindo o ponto mais baixo em sete anos.

Essa diminuição, conforme evidenciado pelos dados da Joint Organisations Data Initiative, foi atribuída principalmente a uma combinação de fatores.

O campo de gás Zohr, uma importante fonte de produção de gás nacional, registrou uma redução na sua produção durante esse período.

Simultaneamente, o país experimentou um aumento no consumo de energia, colocando uma pressão adicional sobre os já limitados suprimentos de gás.

Essa confluência de menor produção e maior demanda levou a uma queda substancial na disponibilidade de gás doméstico, levantando preocupações sobre a segurança energética do Egito e potencialmente impactando vários setores que dependem de gás para suas operações.

A demanda do país para o ano seria coberta principalmente pelos 60 carregamentos, de acordo com fontes que falaram sob condição de anonimato à Reuters.

Contratos de longo prazo

Em novembro, a Reuters informou que o Egito estava em negociações com empresas sediadas nos EUA e outros países estrangeiros.

O objetivo dessas conversas era garantir contratos de longo prazo para a compra de GNL.

Essa medida estratégica do Egito visa reduzir sua dependência do mercado spot para aquisição de GNL, conhecido por sua volatilidade de preços e que pode resultar em custos mais altos.

Durante o pico da temporada de verão, a demanda por gás aumenta significativamente devido ao uso extensivo de ar condicionado.

Para atender a essa demanda crescente, o Egito teve que adquirir várias cargas de GNL no mercado spot.

Este mercado à vista, caracterizado por sua entrega imediata e preços flutuantes, geralmente exige que os compradores paguem um prêmio.

No caso do Egito, esse prêmio representou um custo adicional de US$ 1 a US$ 2 por unidade de gás, de acordo com o relatório.

Esse gasto adicional destacou os desafios que os países enfrentam para garantir recursos energéticos durante períodos de alta demanda e as implicações financeiras de depender do mercado spot para suprimentos urgentes.

Aumento dos preços agrava os problemas

O aumento dos preços spot do GNL de aproximadamente US$ 12/mmBtu para mais de US$ 14 por milhão de unidades térmicas britânicas (mmBtu) em 2025 aumentou o fardo financeiro do Egito, um país que já luta contra a escassez de moeda estrangeira.

Este aumento de preço ocorreu desde que o Cairo iniciou seu processo de licitação de GNL.

O Egito lançou um edital em janeiro buscando quatro carregamentos de GNL para entrega entre fevereiro e março.

Dependendo da demanda, das condições do mercado e dos preços, o Egito pode lançar outro leilão pontual ainda este ano, informou a Reuters.

Dados da consultoria Energy Aspects mostraram que a produção doméstica de gás deve cair 22,5% até o final de 2028.

Ao mesmo tempo, analistas esperam que o consumo de energia do país aumente em 39% na próxima década, de acordo com o relatório.