Por que os preços do café estão se preparando para uma queda acentuada?

Por que os preços do café estão se preparando para uma queda acentuada?
Sayantan Sarkar
14 de fev. de 2025, 07:18 AM
  • Espera-se que os futuros do café arábica caiam cerca de 30% até o final de 2025.
  • A safra de arábica do Brasil em 2025-26 deve ser menor do que a da temporada anterior.
  • Os preços do café robusta também devem cair, com o aumento da produção de robusta no Brasil.

Os futuros do café arábica devem cair aproximadamente 30% até o final de 2025, de acordo com uma pesquisa realizada pela Reuters na sexta-feira.

Esse declínio é atribuído às expectativas de uma safra brasileira recorde no ano que vem e aos preços recordes recentes, que devem reduzir a demanda.

De acordo com a pesquisa, a previsão mediana para os preços do café arábica no final de 2025 foi de US$ 2,95 por libra.

Isso representa uma queda de 30% em relação ao preço de fechamento de quarta-feira e uma perda de 6% em relação ao final de 2024.

Um participante da pesquisa com 12 comerciantes e analistas disse:

A previsão mediana da pesquisa para a safra de café arábica do Brasil em 2025-26 foi de 40,55 milhões de sacas. Isso representa uma queda em relação aos 43,4 milhões de sacas da temporada anterior.

O aumento nos preços do café pode ser atribuído a vários fatores, sendo o principal deles a expectativa de uma redução na colheita de café arábica no Brasil, o maior produtor mundial, durante a próxima temporada de 2025-26.

Desequilíbrio no mercado

Espera-se que essa diminuição na oferta crie um desequilíbrio significativo no mercado global de café, levando a uma maior competição entre os compradores e, em última instância, elevando os preços.

Vários fatores podem estar contribuindo para o declínio projetado na produção de café arábica no Brasil.

O impacto potencial de uma menor safra de arábica no Brasil vai além do aumento imediato dos preços.

Também poderia levar a um aperto na oferta global de café, resultando potencialmente em escassez em algumas regiões.

Isso poderia ter um efeito cascata na indústria do café, afetando torrefadores, varejistas e consumidores.

Os torrefadores podem ser forçados a aumentar seus preços para compensar o custo mais alto dos grãos de café, enquanto os varejistas podem enfrentar dificuldades para garantir suprimentos suficientes para atender à demanda dos consumidores.

Os consumidores, por sua vez, podem ser forçados a pagar mais por sua xícara de café diária ou procurar bebidas alternativas.

Maior rendimento possível na próxima temporada

No entanto, vários participantes indicaram que uma maior produção de arábica é possível para a safra de 2026-27.

"Se conseguirmos superar o período de geada/chuva sem danos, deve haver uma safra brasileira massiva de 26/27 no horizonte", disse outro participante.

Os preços do café arábica, que subiram aproximadamente 70% em 2024, estiveram entre as commodities com melhor desempenho no ano passado.

Este ano, os preços continuaram a subir, atingindo um recorde de US$ 4,2995 em 11 de fevereiro.

A safra total do Brasil deve cair para 64,6 milhões de sacas em 2024-25, ante 66,4 milhões de sacas.

Esse declínio é devido à queda na produção de arábica, parcialmente compensada pelo aumento na produção de robusta (conillon).

Prevê-se que os preços do café robusta caiam 28% em relação ao fechamento de quarta-feira, atingindo US$ 4.200 por tonelada métrica até o final de 2025. Isso resultaria em uma perda anual de 14%, de acordo com a pesquisa.

A safra de robusta de 2025-26 no Brasil deve aumentar para 24,5 milhões de sacas, em comparação com 21 milhões de sacas na safra de 2024-25.

O maior produtor de robusta, o Vietnã, deve ter uma colheita maior, de 29 milhões de sacas, em 2025-26, em comparação com 28 milhões em 2024-25.

Um participante disse: