A América Latina surge como a segunda região de criptomoedas de crescimento mais rápido globalmente, de acordo com o relatório da Lemon.

A América Latina surge como a segunda região de criptomoedas de crescimento mais rápido globalmente, de acordo com o relatório da Lemon.
Noris Soto
19 de fev. de 2025, 14:22 PM
  • Os downloads de crypto app dispararam em 2024, mas ainda não atingiram os picos de 2021, afirma o relatório.
  • A participação da região no volume global de criptomoedas também aumentou, passando de 7,3% em 2023 para 9,1% em 2024.
  • O relatório de Lemon destaca a Argentina como um dos principais líderes na adoção de criptomoedas.

De acordo com um estudo da Lemon, a América Latina consolidou-se como a segunda região de crescimento mais rápido na adoção de criptomoedas em todo o mundo.

Tornou-se a segunda região de crescimento mais rápido em termos de valor de criptomoedas recebido, registrando um aumento anual de mais de 42%.

A América Latina se destacou como a região que mais eficazmente capitalizou a expansão do ecossistema cripto em 2024, de acordo com o relatório mais recente da Lemon, intitulado "Estado de la Industria Crypto 2024".

A América Latina está emergindo como um mercado importante para moedas digitais, à medida que as criptomoedas continuam sua expansão pelo mundo.

A notável jornada do Bitcoin

De acordo com o relatório, 2024 foi um ano formativo tanto para o Bitcoin quanto para o mercado de criptomoedas como um todo.

O Bitcoin começou a atingir níveis surpreendentes que muitos consideravam impossíveis.

Pela primeira vez, a criptomoeda testemunhou um movimento notável nos mercados tradicionais, mais especificamente, após a aprovação dos Fundos Negociados em Bolsa (ETFs) nos EUA.

Seu valor aumentaria constantemente, terminando o ano com um retorno impressionante de 122%. Em janeiro de 2025, atingiu o pico de aproximadamente US$ 109.000.

Esse aumento está tendo um impacto direto nas buscas online, como indicado pelo significativo aumento registrado nas buscas do Google pela palavra "Bitcoin".

A narrativa em torno do Bitcoin se transformou, evoluindo de um investimento de nicho para um ativo financeiro convencional.

Criptomoedas na América Latina

O crescente interesse em Bitcoin e criptomoedas decorre de seu uso como salvaguarda econômica para países com taxas de inflação altíssimas, como Argentina, Venezuela e México, que têm considerado o Bitcoin uma solução parcial para suas prementes situações econômicas.

A participação da região no volume global de criptomoedas também registrou um aumento notável, subindo de 7,3% em 2023 para 9,1% em 2024, com entradas totais superando US$ 415 bilhões.

Esses dados mostram que, em pouco mais de um ano, os cidadãos estão recorrendo cada vez mais às criptomoedas para preservar sua riqueza e mitigar a turbulência econômica, de acordo com pesquisas.

O relatório de Lemon destaca a Argentina como um dos líderes na adoção de criptomoedas. É um importante centro para startups, desenvolvedores e investidores globais dentro de um ecossistema empreendedor fértil.

A Argentina lidera a América Latina tanto em usuários ativos de criptomoedas quanto em valor total recebido, apesar de ter apenas um quinto da população do Brasil e pouco mais de um terço da população do México.

Em 2024, a Argentina registrou US$ 91,1 bilhões em valor de criptomoedas recebido, representando um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior.

Também ocupa a quarta posição global em número de usuários ativos de wallet para criptomoedas .

O próximo país latino-americano melhor classificado é o Brasil, que ocupa a 13ª posição mundial.

Ao mesmo tempo, o Peru tornou-se um dos mercados promissores devido ao progresso regulatório e aos avanços técnicos que atraíram empresas estrangeiras e impulsionaram seu ecossistema cripto local.

Embora os downloads de aplicativo de criptomoedas em 2024 não tenham atingido os níveis de 2021, o ano ainda marca um dos períodos mais altos de downloads na região.

Os downloads dobraram no segundo trimestre deste ano em comparação com o segundo trimestre de 2023 e triplicaram no trimestre seguinte, quando o Bitcoin quebrou seu "antigo recorde histórico de US$ 69.000", de acordo com a Lemon.

Apesar desse aumento, o relatório destaca que o entusiasmo observado durante o último ciclo de alta não retornou totalmente entre os investidores de varejo, indicando que a nova fase de alta ainda está em seus estágios iniciais.

LATAM: a região para criptomoedas?

De acordo com o relatório, quatro dos 20 principais países em adoção global de criptomoedas estão na América Latina — Argentina, Brasil, México e Venezuela.

As práticas de adoção variam entre os países. O Brasil se destaca pela sua aceitação institucional das criptomoedas, aliada a um mercado varejista ativo que se envolve em negociações especulativas.

A incorporação de criptomoedas nos sistemas financeiros indica uma mudança na economia, potencialmente alterando seus fundamentos.

Essa transição posiciona a América Latina para consolidar sua liderança no setor da economia digital.