A opinião de Trump sobre a guerra Rússia-Ucrânia: 'A Ucrânia nunca deveria ter começado'

A opinião de Trump sobre a guerra Rússia-Ucrânia: 'A Ucrânia nunca deveria ter começado'
Srinibas Rout
19 de fev. de 2025, 00:50 AM
  • Seus comentários vieram depois que Zelenskyy expressou frustração com a exclusão da Ucrânia das conversas entre EUA e Rússia.
  • Trump afirmou que poderia ter negociado um acordo que teria evitado a guerra.
  • Trump tem feito cada vez mais comentários que se alinham com os interesses russos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que a Ucrânia nunca deveria ter iniciado a guerra com a Rússia, argumentando que Kiev poderia ter chegado a um acordo para evitar o conflito.

"Você nunca deveria ter começado isso", disse Trump, referindo-se à Ucrânia ao criticar o presidente Volodymyr Zelenskyy.

Seus comentários vieram depois que Zelenskyy expressou frustração com a exclusão da Ucrânia das recentes conversas entre EUA e Rússia realizadas na Arábia Saudita.

Falando em seu resort Mar-a-Lago, Trump afirmou que poderia ter negociado um acordo que teria evitado a guerra.

“Eu poderia ter feito um acordo para a Ucrânia que lhes teria dado quase toda a terra, tudo, e nenhuma pessoa teria sido morta, nenhuma cidade destruída, e nenhuma cúpula derrubada”, disse ele.

Conversas EUA-Rússia em Riad

As declarações de Trump surgem no momento em que os EUA e a Rússia concordaram em restabelecer o quadro de funcionários das embaixadas em uma discussão de alto nível — marcando uma mudança na política americana.

Zelenskyy disse anteriormente que a Ucrânia não tinha conhecimento dessas conversas.

Trump tem feito cada vez mais comentários que se alinham com os interesses russos.

No mês passado, ele disse à Fox News que a Ucrânia não deveria ter resistido à invasão russa.

Ele também afirmou na semana passada que ele e o presidente russo Vladimir Putin haviam conversado por telefone sobre o fim da guerra.

O governo Trump anunciou na terça-feira que concordou em realizar discussões adicionais com a Rússia sobre o fim da guerra na Ucrânia, após uma reunião inicial que não incluiu Kiev.

A medida sinaliza uma mudança na estratégia anterior de Washington de reunir aliados para isolar o presidente russo Vladimir Putin.

Durante a reunião de 4 horas e meia em Riad, a Rússia reforçou sua posição, deixando claro que não aceitaria a potencial adesão da Ucrânia à OTAN.

As conversações, realizadas na capital saudita, marcaram o primeiro contato direto entre autoridades americanas e russas para resolver o conflito — o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, a Ucrânia afirmou categoricamente que não aceitará nenhum acordo feito sem sua participação.

O chanceler alemão Olaf Scholz ecoou esse sentimento, enfatizando que "não deve haver nenhuma decisão tomada pelas costas da Ucrânia".

Preocupações com a abordagem dos EUA

Mesmo antes da reunião, alguns líderes europeus criticaram a administração Trump por fazer concessões a Moscou.

Na semana passada, Washington descartou a adesão da Ucrânia à OTAN e rejeitou a ideia de que Kiev poderia recuperar os 20% de seu território atualmente ocupados pelas forças russas.

O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Mike Waltz, reconheceu que qualquer resolução envolveria negociações sobre terra e acordos de segurança.

"A realidade é que terão de haver discussões sobre questões territoriais e garantias de segurança", disse ele a repórteres em Riade.

Para facilitar futuras negociações, equipes de alto nível continuarão as conversas sobre o fim da guerra, enquanto um esforço separado se concentrará na restauração das missões diplomáticas dos EUA e da Rússia em Washington e Moscou, confirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.