Friedrich Merz, linha-dura em matéria de migração, deve se tornar o próximo chanceler da Alemanha, com a CDU liderando as pesquisas.

Friedrich Merz, linha-dura em matéria de migração, deve se tornar o próximo chanceler da Alemanha, com a CDU liderando as pesquisas.
Diya Poddar
20 de fev. de 2025, 04:20 AM
  • Suas políticas pró-negócios incluem cortes de impostos, redução da burocracia e incentivos ao investimento privado.
  • Merz defende que a Alemanha assuma um papel de liderança mais forte na Europa e o fornecimento de ajuda militar à Ucrânia.
  • A liderança de Merz sinaliza uma mudança conservadora em relação ao legado centrista de Merkel.

Friedrich Merz está a caminho de se tornar o próximo chanceler da Alemanha, com seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), e sua afiliada bávara, a União Social-Cristã (CSU), mantendo uma forte liderança nas pesquisas.

Com a eleição a poucos dias de distância, a liderança de Merz representaria uma mudança decisiva em relação às políticas da ex-líder da CDU, Angela Merkel, cuja abordagem centrista definiu a política alemã por mais de uma década.

Merz, 69 anos, é um político e executivo de negócios experiente, conhecido por sua postura pró-empresarial, ceticismo em relação a políticas climáticas extensas e visões linha-dura sobre imigração.

Sua candidatura à liderança sinaliza um possível retorno a uma agenda econômica mais conservadora, com propostas para reduzir impostos corporativos, simplificar a burocracia e fomentar o investimento privado.

Sua aliança com o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em uma recente votação parlamentar gerou controvérsia, levantando preocupações sobre sua abordagem à governança.

Friedrich Merz: uma carreira que abrange política e negócios

Antes de retornar à política, Merz construiu uma extensa carreira corporativa, ocupando cargos de alta gerência na BlackRock Alemanha, HSBC Trinkaus & Burkhardt e Deutsche Börse.

Seu retorno à liderança política levou anos, após uma rivalidade de longa data com Merkel que o levou a renunciar à liderança da CDU no início dos anos 2000.

Desde que assumiu a liderança do partido em 2022, ele liderou o bloco de oposição CDU-CSU e se posicionou como a face de uma CDU mais inclinada à direita.

Merz concentrou sua campanha em reformas econômicas, argumentando que as políticas atuais sob o chanceler Olaf Scholz levaram à estagnação.

Ele prometeu reformular o arcabouço regulatório da Alemanha para apoiar empresas e startups, propondo a criação de um cargo ministerial dedicado à digitalização e à IA.

Embora Merz defenda a disciplina fiscal, ele indicou que está aberto a reformar a rígida regra do freio da dívida alemã, que restringe os empréstimos governamentais.

Isso sugere uma possível mudança na postura tradicionalmente rígida da CDU em relação aos gastos públicos, à medida que as pressões econômicas aumentam.

As políticas de imigração de Friedrich Merz

A postura linha-dura de Merz sobre imigração tem sido um aspecto definidor de sua liderança, pressionando por controles de fronteira mais rigorosos, aumento das deportações e políticas de asilo mais estritas.

Ele associou leis de migração flexíveis a riscos de segurança, uma narrativa que ganhou força entre os eleitores conservadores, mas atraiu críticas de oponentes políticos.

Em janeiro, sua moção não vinculativa sobre imigração obteve apoio inesperado da extrema-direita AfD, marcando a primeira vez que uma iniciativa legislativa apoiada pelo bloco CDU-CSU teve sucesso com votos da AfD.

Esse desenvolvimento provocou uma reação negativa dos centristas e tensionou ainda mais as relações dentro do establishment político alemão, com Merkel condenando publicamente seu envolvimento com o AfD.

A abordagem de Merz reflete uma mudança mais ampla dentro dos partidos de centro-direita europeus, onde os líderes têm adotado cada vez mais políticas de migração mais duras em resposta às pressões eleitorais dos movimentos nacionalistas.

Sua disposição em colaborar com legisladores de extrema direita levantou preocupações sobre a direção da CDU sob sua liderança.

A política externa de Friedrich Merz

Em relação à política externa, Merz defendeu que a Alemanha assuma um papel de liderança mais forte na Europa, particularmente em resposta à guerra na Ucrânia.

Em discurso na Conferência de Segurança de Munique no fim de semana passado, ele enfatizou a necessidade de ajuda militar contínua a Kiev, ao mesmo tempo em que instou os aliados europeus a adotarem uma postura mais decisiva em relação à segurança.

Sua posição sobre os gastos com defesa permanece ambígua, enquanto a Alemanha enfrenta crescente pressão da OTAN para aumentar o financiamento militar.

Embora tenha evitado comprometer-se com mudanças orçamentárias específicas, sua retórica sugere uma mudança para uma política externa mais assertiva em comparação com a abordagem cautelosa de Scholz.

À medida que a Alemanha se aproxima de uma eleição crucial, a liderança de Merz representaria uma mudança significativa em relação à era Merkel, com potenciais alterações de políticas abrangendo reformas econômicas, controles de imigração e prioridades de defesa.

Embora sua agenda pró-negócios tenha repercutido entre os eleitores conservadores, sua associação com a extrema-direita permanece uma questão controversa que pode definir a direção futura da CDU.