Líderes europeus vão elaborar plano de paz para a Ucrânia para garantir apoio dos EUA: aqui está o que sabemos até agora

Líderes europeus vão elaborar plano de paz para a Ucrânia para garantir apoio dos EUA: aqui está o que sabemos até agora
Srinibas Rout
03 de mar. de 2025, 03:49 AM
  • Líderes europeus sinalizaram sua disposição em aumentar os gastos com defesa.
  • A Comissão Europeia sugeriu a revisão das regras de endividamento para facilitar orçamentos de defesa mais elevados.
  • Após a cúpula de Londres, Zelensky reafirmou a posição da Ucrânia sobre a integridade territorial.

Líderes europeus concordaram em elaborar um plano de paz para a Ucrânia a ser apresentado aos Estados Unidos, com o objetivo de garantir as garantias de segurança de Washington para Kiev.

A iniciativa segue uma cúpula de alto nível em Londres, onde o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recebeu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, e importantes chefes de Estado europeus.

As discussões ocorrem em meio a crescentes preocupações sobre o futuro do apoio dos EUA à Ucrânia, após uma tensa reunião no Salão Oval entre Zelensky e o presidente dos EUA, Donald Trump.

Líderes europeus sinalizaram sua disposição em aumentar os gastos com defesa e propuseram o relaxamento de restrições financeiras para reforçar o apoio militar.

A Comissão Europeia sugeriu a revisão das regras de dívida para facilitar orçamentos de defesa mais elevados, uma medida destinada a demonstrar autossuficiência a Trump.

Coalizão para garantias de paz e segurança

Starmer anunciou que o Reino Unido, a França, a Ucrânia e outras nações aliadas formariam uma "coalizão de voluntários" para delinear um plano de paz estruturado.

"Este não é momento para mais conversas. É hora de agir", afirmou, enfatizando a urgência dos esforços diplomáticos.

Embora detalhes específicos não tenham sido divulgados, o presidente francês Emmanuel Macron havia insinuado anteriormente um possível cessar-fogo de um mês, abrangendo operações aéreas e marítimas, mas excluindo combates terrestres.

Líderes europeus estão pressionando por uma estrutura que garanta a soberania da Ucrânia e, ao mesmo tempo, dissuada novas agressões russas.

Macron também sugeriu que tropas europeias poderiam ser mobilizadas caso um acordo de paz mais amplo seja alcançado, embora ainda não esteja claro se todas as nações da UE apoiam essa medida.

Zelensky: Sem concessões territoriais

Após a cúpula de Londres, Zelensky reafirmou a posição da Ucrânia sobre a integridade territorial, declarando que Kiev não cederia nenhum território à Rússia em troca da paz.

Ele também reiterou a disposição da Ucrânia em firmar um acordo de minerais com os EUA, o que poderia fortalecer os laços econômicos e garantir recursos estratégicos para ambas as nações.

Apesar das tensões com Trump, Zelensky expressou esperança de melhorar as relações, embora tenha observado que as futuras discussões deveriam ocorrer a portas fechadas.

"O formato da nossa última conversa não trouxe nada de positivo", reconheceu ele, referindo-se à recente disputa na Casa Branca.

O impulso da Europa para aumentar os gastos com defesa

O receio de que o apoio dos EUA à Ucrânia possa diminuir levou os líderes europeus a considerar uma maior autossuficiência em matéria de defesa.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, indicou que várias nações europeias se comprometeram discretamente a aumentar os gastos militares, uma medida considerada essencial para obter o apoio de Trump a um acordo de segurança transatlântico.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfatizou a importância de fortalecer a Ucrânia contra ameaças futuras, afirmando: "Devemos transformar a Ucrânia em um porco-espinho de aço — indigesto para potenciais invasores".

A posição de Washington

A abordagem de Trump ao conflito na Ucrânia divergiu acentuadamente da política tradicional dos EUA.

Sua administração se envolveu em negociações separadas com a Rússia e sugeriu que Kiev é responsável por prolongar a guerra.

Nas redes sociais, Trump minimizou as preocupações sobre Moscou, instando os EUA a se concentrarem em questões de segurança interna.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, elogiou a diplomacia de "senso comum" de Trump, ao mesmo tempo em que criticou os líderes europeus por "sustentarem Zelensky com suas baionetas na forma de unidades de manutenção da paz".

Enquanto as nações europeias pressionam por uma resolução diplomática, garantir o envolvimento dos EUA continua sendo uma prioridade máxima.

Starmer enfatizou que, embora a Europa deva liderar esses esforços, o sucesso depende, em última análise, de um forte apoio americano.

"A Europa deve fazer o trabalho pesado, mas uma paz sustentável requer o apoio dos EUA", afirmou ele.