A Ecopetrol da Colômbia afirma que não fará negócios com a Venezuela após as restrições do OFAC dos EUA.

A Ecopetrol da Colômbia afirma que não fará negócios com a Venezuela após as restrições do OFAC dos EUA.
Noris Soto
06 de mar. de 2025, 14:44 PM
  • A Ecopetrol se absterá de qualquer negócio com a Venezuela devido às restrições contínuas do OFAC dos EUA.
  • A decisão da empresa ocorre após a revogação da licença de operação da Chevron na Venezuela.
  • A indisponibilidade do gasoduto Antonio Ricaurte complica ainda mais as possíveis negociações.

O presidente da Ecopetrol, Ricardo Roa, confirmou que a empresa estatal colombiana não faria negócios com a Venezuela enquanto as proibições do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA estivessem em vigor.

Esta declaração representa uma posição importante para a Ecopetrol, particularmente à luz das recentes mudanças geopolíticas que afetam o negócio de petróleo e gás da região.

De acordo com a mídia local W Radio, os comentários de Roa surgem depois que Washington revogou a licença de operação da Chevron e deu à petroleira um mês para desocupar o território.

O governo Trump anunciou a decisão depois que a Venezuela não cumpriu os compromissos de receber de volta imigrantes ilegais e devido a contínuas disputas sobre as eleições no país.

O que influenciou a decisão da Ecopetrol?

Em uma coletiva de imprensa, Roa afirmou que a empresa manterá uma abordagem clara e responsável.

Ele afirmou ainda que é um sinal muito importante para a empresa e que está cristalino que eles se manterão afastados de quaisquer negociações e transações com a Venezuela sob as restrições do OFAC.

Um elemento chave que marca o caminho da decisão da Ecopetrol é a falta do gasoduto Antonio Ricaurte. Essa infraestrutura é importante para viabilizar as trocas de energia entre Colômbia e Venezuela.

Segundo Roa, a falta de acesso a esse oleoduto dificulta as operações econômicas transfronteiriças.

Outro obstáculo, além das dificuldades logísticas, é a falta de certeza de que o gás poderia ser exportado da Venezuela para a Colômbia.

Sem uma arquitetura robusta de comércio de energia em vigor, não faria sentido comercial para a Ecopetrol operar na Venezuela, disse Roa.

Planos de captação de recursos da Ecopetrol

A produtora de petróleo estatal colombiana Ecopetrol planeja levantar até US$ 2 bilhões em dívida adicional este ano para apoiar investimentos e está considerando opções de financiamento por meio de bancos e mercados de capitais, disse um funcionário da empresa na quarta-feira.

A dívida será alocada em investimentos inorgânicos, incluindo a aquisição de novos ativos ou projetos.

O vice-presidente corporativo de finanças, Camilo Barco, declarou em uma teleconferência com investidores que o conselho da empresa havia autorizado US$ 1 bilhão em dívida estrutural e mais US$ 1 bilhão como medida temporária.

A Barco expressou confiança de que o plano de investimentos ganharia impulso na segunda metade do ano, exigindo algumas operações de financiamento para executar a estratégia de investimentos inorgânicos.

A Ecopetrol delineou um plano de investimentos que varia de US$ 5,9 bilhões a US$ 6,8 bilhões para o ano, financiado principalmente por suas reservas de caixa, que totalizavam US$ 4,4 bilhões no final de 2024.

A Ecopetrol espera que a produção varie entre 740.000 e 750.000 barris de óleo equivalente por dia (boepd) em 2025, disse o vice-presidente de Hidrocarbonetos, Rafael Guzman.

A empresa reportou uma produção média de 745.800 boepd no ano passado, seu nível mais alto em nove anos.

A Ecopetrol reportou uma queda anual de quase 22% no lucro líquido de 2024, impactada pela valorização do dólar americano e pela queda dos preços internacionais do petróleo.