A Azzas do Brasil reporta queda de 35,8% no lucro do quarto trimestre em meio a desafios de fusão.

A Azzas do Brasil reporta queda de 35,8% no lucro do quarto trimestre em meio a desafios de fusão.
Noris Soto
12 de mar. de 2025, 14:10 PM
  • A Azzas (AZZA3) reportou um lucro líquido de R$ 168,9 milhões no quarto trimestre de 2024, uma queda de 35,8% em relação ao ano anterior.
  • A margem EBITDA recorrente caiu 1,2 ponto percentual devido aos custos de fusão e ajustes de estoque.
  • Analistas estão cautelosamente otimistas para 2025, esperando resultados positivos de novos projetos.

A Azzas, um dos maiores grupos de moda do Brasil e da América Latina, registrou lucro líquido de R$ 168,9 milhões (aproximadamente US$ 28 milhões) no quarto trimestre de 2024, representando uma queda de 35,8% em relação ao ano anterior.

De acordo com uma reportagem do veículo de mídia local E Investidor, o preço das ações da Azzas caiu 7,38%, para R$ 24,48, às 10h30 (horário local), com os mercados reagindo rapidamente aos resultados decepcionantes.

Analistas classificaram o desempenho da empresa como "nebuloso", devido à diminuição das margens causada pela fusão em andamento entre Arezzo e Soma.

Margem e lucratividade enfraquecidas

Especialistas financeiros da XP Investimentos enfatizaram ao E Investidor que, embora o balanço patrimonial da Azzas permanecesse sólido, a lucratividade era a principal preocupação.

A margem bruta recorrente diminuiu 0,6 ponto percentual, o que se deve a uma complexa interação de circunstâncias.

Analistas observaram que uma combinação favorável de canais foi compensada por ajustes de estoque na marca de roupas "Reserva" e por descontos maiores em itens descontinuados.

Além disso, a margem EBITDA ajustada recorrente diminuiu 1,2 ponto percentual entre o 4º trimestre de 2024 e o 4º trimestre de 2023.

Essa queda foi fortemente impulsionada por mudanças pós-fusão, como os custos operacionais duplicados associados à Reserva, o aumento das despesas com viagens e maiores investimentos em branding e equipes criativas para as marcas Farm e NV.

Segundo o E Investidor, os analistas Danniela Eiger, Gustavo Senday e Laryssa Sumer focaram nesses aspectos em suas análises, enfatizando as consequências desfavoráveis para o desempenho geral da Azzas.

A gerência planeja priorizar projetos com maiores retornos internos, maximizando a geração de caixa.

"Nossa principal prioridade estratégica para 2025 será melhorar a eficiência operacional e otimizar a alocação de capital", afirmou a empresa.

Desempenho de vendas

As vendas do ano inteiro atingiram R$ 8,38 bilhões (US$ 1,397 bilhão), representando um aumento de 72,9% em relação a 2023, enquanto o lucro líquido anual diminuiu para R$ 341,73 milhões (US$ 57 milhões), ante R$ 399,4 milhões (US$ 67 milhões).

A empresa acelerou sua taxa de crescimento consolidada para 15,1% no quarto trimestre, acima dos 12,1% do trimestre anterior.

Três de suas quatro unidades de negócios registraram crescimento acima de 17,0% no trimestre, sublinhando a força de seu portfólio diversificado.

Para os Azzas, no entanto, a fusão com a Soma tornou-se uma faca de dois gumes.

Segundo analistas do Banco Safra, a fusão custou à empresa R$ 565 milhões e aumentou a carga tributária, gerando um EBITDA contábil negativo de R$ 46 milhões.

O trimestre foi descrito como difícil para a Azzas, principalmente devido a desafios à lucratividade recorrente impulsionados pela desestabilização do estoque e pelas profundas perdas de EBITDA contábil decorrentes da fusão.

Os analistas Vitor Pini, Renan Sartorio e Tales Granello destacaram que, embora diversas unidades de negócio tenham observado um crescimento saudável de dois dígitos, esse crescimento está associado a despesas cada vez maiores com campanhas de vendas, pressionando as métricas financeiras.

O que o futuro reserva para Azzas?

A Ativa Investimentos, em sua própria análise, reconheceu que os dados financeiros da Azzas apresentavam alguns pontos positivos, mas as complexidades de integração da fusão entre Arezzo e Soma (agora Azzas) se mostraram muito difíceis.

Os analistas ainda estão cautelosamente otimistas em relação a 2025, e até mesmo afirmam que novos projetos estratégicos podem começar a produzir resultados positivos e desviar o navio do naufrágio financeiro.

Agora que a Azzas está lidando com as consequências de sua fusão e tentando consolidar ativos, todos os olhos estarão voltados para a empresa para ver se ela consegue se recuperar e alcançar a lucratividade novamente nos próximos trimestres.