Trump ameaça com mais tarifas enquanto UE e Canadá reagem às barreiras comerciais existentes.

Trump ameaça com mais tarifas enquanto UE e Canadá reagem às barreiras comerciais existentes.
Srinibas Rout
13 de mar. de 2025, 03:27 AM
  • Trump alertou para medidas adicionais caso a UE prossiga com suas tarifas retaliatórias planejadas para o próximo mês.
  • "O que quer que eles nos cobrem, nós vamos cobrar deles", afirmou Trump.
  • A incerteza em torno da política comercial dos EUA tem deixado as corporações multinacionais cada vez mais nervosas.

O cenário do comércio global está novamente tenso, com o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificando suas ameaças de tarifas, gerando temores de interrupção econômica.

Após novas tarifas sobre importações de aço e alumínio, Trump sinalizou novas penalidades sobre mercadorias da União Europeia caso o bloco retaliasse.

Sua postura comercial agressiva alarmou os principais parceiros dos EUA, incluindo Canadá e UE, que se preparam para possíveis consequências econômicas.

Investidores, empresas e formuladores de políticas estão agora avaliando as implicações de longo prazo de uma guerra comercial renovada, particularmente à medida que aumentam as preocupações com a inflação e os riscos de recessão.

A decisão de Trump de reimpor uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio já causou repercussões nos mercados globais.

Falando na Casa Branca, ele alertou sobre medidas adicionais caso a UE prossiga com as tarifas retaliatórias planejadas para o próximo mês.

"O que eles nos cobrarem, nós cobraremos deles", afirmou Trump, reforçando sua filosofia comercial protecionista.

Resposta global às tarifas de Trump

O Canadá, um dos maiores fornecedores de aço e alumínio para os EUA, respondeu rapidamente com seu próprio conjunto de tarifas, atingindo produtos americanos no valor de US$ 20 bilhões.

As medidas incluem taxas sobre metais, computadores e artigos esportivos.

O ministro das Finanças canadense, Dominic LeBlanc, condenou a medida, afirmando: "Não ficaremos de braços cruzados enquanto nossas indústrias são injustamente atacadas".

Na tentativa de proteger sua economia de uma possível instabilidade, o banco central do Canadá também reduziu as taxas de juros.

Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sinalizou que a UE se envolverá em discussões com Washington para evitar uma maior escalada.

"Não é do nosso interesse comum sobrecarregar nossas economias com tais tarifas", observou ela.

As contramedidas planejadas pela UE poderiam afetar exportações americanas no valor de US$ 28 bilhões, incluindo bourbon, diamantes e artigos de luxo.

A tensão da guerra comercial afeta empresas e mercados.

A incerteza em torno da política comercial dos EUA tem deixado as corporações multinacionais cada vez mais nervosas.

De acordo com dados da LSEG, mais de 900 das 1.500 maiores empresas americanas mencionaram tarifas em teleconferências de resultados e apresentações a investidores.

O CEO da Airbus, Guillaume Faury, alertou: "Estamos em uma guerra comercial, e quando uma guerra comercial começa, ela tende a se sustentar e se alimentar."

As indústrias automotiva e química são particularmente vulneráveis, com a gigante alemã de artigos esportivos Puma registrando uma queda acentuada no valor de suas ações em meio a temores de redução nos gastos do consumidor americano.

Economistas do JPMorgan agora preveem 40% de probabilidade de recessão nos EUA nos próximos meses, citando a incerteza na política comercial como um fator significativo.

Se Trump continuar com sua estratégia de tarifas, especialistas alertam para danos duradouros à posição econômica do país e à confiança dos investidores.

Relações EUA-Canadá em deterioração

O Canadá emergiu como um dos críticos mais veementes das políticas comerciais de Trump.

Com o primeiro-ministro Justin Trudeau se preparando para a transição de poder para seu sucessor, Mark Carney, as tensões diplomáticas estão altas.

"Estou pronto para me sentar com o presidente Trump no momento apropriado, sob condições que respeitem a soberania canadense", declarou Carney durante uma visita a uma siderúrgica em Ontário.

A disputa comercial também alimentou o sentimento anti-americano no Canadá, com produtos americanos desaparecendo das prateleiras das lojas e viajantes reconsiderando visitas aos EUA.

As reservas de turismo para os EUA provenientes do Canadá teriam diminuído 20% em comparação com o ano anterior.

Uma guerra comercial em grande escala vai eclodir?

Com Trump reforçando suas políticas protecionistas, a economia global enfrenta novas tensões comerciais que podem ter consequências de longo alcance.

Embora alguns produtores americanos de aço e alumínio tenham recebido bem as tarifas, indústrias dependentes de importações estão sentindo a pressão.

Enquanto isso, aliados importantes como o Japão e o Reino Unido expressaram preocupação, mas se abstiveram de contramedidas imediatas.

A China, rival comercial de longa data dos EUA, também respondeu com cautela, com seu Ministério das Relações Exteriores enfatizando que Pequim "salvaguardará seus interesses".

No entanto, se o conflito comercial se intensificar ainda mais, especialistas alertam que as cadeias de suprimentos, os investimentos empresariais e as relações diplomáticas poderão ser significativamente afetados.

Enquanto líderes globais e mercados se preparam para o que vem a seguir, a questão permanece: a postura agressiva de Trump em relação ao comércio levará o mundo a outra recessão econômica, ou as negociações impedirão uma guerra tarifária em grande escala?