Criptomoedas na América Latina: riscos de fraude aumentam no México enquanto Argentina aposta em tokens de lítio

Criptomoedas na América Latina: riscos de fraude aumentam no México enquanto Argentina aposta em tokens de lítio
Noris Soto
15 de mar. de 2025, 05:50 AM
  • A taxa de fraude com criptomoedas no México atinge 1,6%, de acordo com o relatório de 2024 da Sumsub.
  • A Atómico 3 SA anuncia a tokenização de lítio em San Juan, Argentina, aumentando a transparência na mineração.
  • A empresa estatal de energia da Bolívia, YPFB, facilitará transações com criptomoedas para resolver problemas de abastecimento de combustível.

O cenário de criptomoedas na América Latina continua a crescer.

Os destaques desta semana vêm do México, onde a Sumub (uma plataforma de segurança de ativos digitais) publicou um relatório detalhando os casos de fraude com ativos digitais e como eles afetam os usuários.

O "Relatório de Fraude de Identidade 2024" da Sumsub relatou uma taxa de fraude com bitcoin de 1,6% no México.

Esta plataforma de segurança de ativos digitais oferece uma análise detalhada de dados sobre tendências e prevenção de fraudes de identidade, enfatizando a crescente complexidade dos esquemas fraudulentos à medida que se tornam mais comuns no mercado.

De acordo com o Cointelegraph, a pesquisa destaca uma realidade preocupante para os usuários, à medida que o número de investidores em bitcoin cresce.

Em entrevista ao veículo de mídia local Milenio, o diretor de expansão da Sumsub, Daniel Mazzuccheli, afirmou que já existem mais de 3 milhões de usuários de ativos digitais no México, um número que está crescendo rapidamente.

Com essa expansão, aumenta o risco, pois as organizações criminosas se tornam mais hábeis em suas táticas.

Mazzuccheli acrescentou: "À medida que o número de usuários cresce, também aumenta a sofisticação dos golpistas".

Com os avanços tecnológicos, novas oportunidades para cometer fraudes estão surgindo, notavelmente no México, onde mais de 3 milhões de pessoas possuem criptomoedas.

De acordo com a pesquisa, a fraude de identidade é o tipo mais comum de fraude em todo o mundo, com um aumento de 137%.

A Sumsub afirmou que a tecnologia atual simplificou a execução de ações fraudulentas, reduzindo a necessidade de conhecimento especializado ou expertise técnica.

Esse progresso tornou a fraude mais barata de ser executada, e inúmeras empresas de "fraude como serviço" fornecem ferramentas e métodos a golpistas inexperientes, tornando os atos fraudulentos mais acessíveis e onipresentes do que nunca.

Iniciativa de tokenização de lítio da Argentina

Na Argentina, a mineradora Atómico 3 SA embarcou em um ambicioso projeto para tokenizar reservas de lítio localizadas nos Salares de Mogna.

De acordo com um comunicado divulgado pelo fundador Pablo Rutigliano, o processo de tokenização proporcionará maior transparência nas operações de mineração na província de San Juan.

Por décadas, San Juan desempenhou um papel proeminente na extração de metais em todo o país, e a incursão na mineração de lítio serve para diversificar ainda mais seu portfólio de recursos naturais.

Por meio da aplicação inovadora da tecnologia blockchain, Rutigliano espera que os ativos tokenizados proporcionem uma supervisão sem precedentes da indústria de lítio da Argentina, da extração à distribuição.

Com maior visibilidade em escala global, os produtores argentinos de lítio pretendem fortalecer sua posição como fornecedores para a nova economia verde.

A Atómico 3 agiu rapidamente para estabelecer sua dominação na região, assinando acordos preliminares para gerir mais de 50.000 hectares na próxima meia década.

A etapa inicial examinará uma área considerável de 10.000 hectares, enquanto a análise geológica contínua permanece incessante.

Situado a cerca de 100 quilômetros da capital provincial, no árido departamento de Angaco, o remoto Salar de Mogna, com seu clima seco e escassa precipitação anual, constitui um local privilegiado para a extração de lítio, conferindo à Argentina uma posição estratégica.

Com sua tokenização, o lítio tem a chance de reinventar a forma como a nação utiliza seus recursos naturais, catapultando-a para a vanguarda da indústria e impulsionando o progresso em direção a um futuro sustentável dependente de energia limpa.

YPFB da Bolívia adota criptomoeda para importações de energia

A Bolívia enfrenta um sério problema econômico, pois o país sofre com uma grave escassez de dólares e gasolina, forçando a agência estatal de energia YPFB a utilizar criptomoedas para importações de energia.

De acordo com a Reuters, um funcionário da YPFB reconheceu que a decisão ocorre em meio à queda das reservas cambiais da Bolívia devido a anos de baixas exportações de gás natural.

O país enfrenta um problema crescente com a gasolina, como evidenciado pelas longas filas regulares nos postos de combustível e pelo crescente descontentamento público expresso em manifestações.

O país que antes era conhecido por sua abundância de gás natural, desde então, experimentou uma espiral descendente.

Com a diminuição da produção interna, o país passou de exportador líquido de energia a importador líquido de energia.

A diminuição deve-se à falta de fontes geopolíticas de abastecimento, ao subinvestimento em exploração e à ausência de grandes novas descobertas de gás.

A depleção das reservas gerou alarmes sobre uma escassez de energia a longo prazo, o que poderia alimentar mais agitação civil em meio às crescentes dificuldades causadas pela escassez de combustíveis e um cenário econômico ainda mais difícil.

Diante desses desafios atuais, o governo aprovou o consumo de ativos digitais como meio de um mecanismo mais amplo de estabilização das importações de energia.

A YPFB, fornecedora estatal de energia da Bolívia, planeja usar criptomoedas para complementar as reservas de dólares do país, que estão em declínio.

O porta-voz da YPFB acrescentou que: “A partir de agora, essas transações (com criptomoedas) serão realizadas”, enfatizando a necessidade de encontrar métodos de financiamento alternativos devido à escassez de moeda forte.