Análise do USD/BRL e a oportunidade de carry trade do real brasileiro

Análise do USD/BRL e a oportunidade de carry trade do real brasileiro
Crispus Nyaga
24 de mar. de 2025, 01:02 AM
  • A taxa de câmbio USD/BRL caiu nos últimos meses.
  • O real brasileiro disparou devido à postura agressiva do banco central.
  • O aumento das taxas de juros brasileiras criou uma oportunidade de carry trade.

O real brasileiro enfraqueceu ligeiramente em relação ao dólar americano após as decisões de juros do Federal Reserve e do Copom na semana passada. A taxa de câmbio USD/BRL atingiu o pico de 5,7285 na segunda-feira, seu ponto mais alto desde 17 de março. Permanece cerca de 10% abaixo do pico de dezembro do ano passado, quando o real brasileiro sofreu uma forte queda.

Decisões do Fed e do Banco Central do Brasil

A taxa de câmbio USD/BRL tem sido o foco nos últimos meses, pois se tornou um importante participante do carry trade. Carry trade é uma situação em que os investidores tomam emprestado uma moeda com baixa taxa de juros e investem em uma com alta taxa de juros.

As taxas de juros dos EUA e do Brasil têm se movido em direções opostas nos últimos meses. Nos EUA, o Federal Reserve reduziu as taxas de 5,50% em 2024 para os atuais 4,50%. O banco central brasileiro tem estado em um ciclo de aumento nos últimos meses.

O Fed sinalizou que continuará reduzindo as taxas de juros. Em sua reunião da semana passada, o Fed manteve as taxas de juros inalteradas, enquanto o gráfico de pontos indicava mais dois cortes ainda este ano. Alguns analistas preveem mais de dois cortes se as tarifas de Trump prejudicarem a economia. Portanto, há uma probabilidade de que as taxas terminem o ano em torno de 3,5%.

O Banco Central do Brasil, por outro lado, tem adotado uma política de aumento de juros para combater a inflação persistente. Dados recentes mostraram que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu para 5,06% em fevereiro, ante 4,56% no mês anterior. Ele saltou do mínimo de 3% do ano passado. Essa inflação cresceu em parte devido aos substanciais gastos do governo.

O banco aumentou as taxas em 1% na semana passada, pela terceira vez consecutiva. Isso elevou as taxas de juros de referência para 14,25%, o ponto mais alto desde 2016. No entanto, autoridades insinuaram que o ritmo dos aumentos será menor nas próximas reuniões. Analistas preveem um aumento de 0,50% pelo banco no período final de maio.

Oportunidade de carry trade

A trajetória divergente do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil criou uma oportunidade de carry trade.

Nesse caso, os investidores estão tomando emprestado o dólar americano e pagando, em teoria, 4,50%, e depois investindo em títulos do governo brasileiro. Os dados mostram que os títulos do governo brasileiro de dez anos estão rendendo cerca de 15%, enquanto os de cinco anos estão rendendo 14,50%. Esses rendimentos são muito mais altos do que os dos EUA.

Uma operação de carry trade geralmente funciona bem, especialmente quando a outra moeda é estável. No caso brasileiro, o real saltou quase 10% desde seu nível mais alto em dezembro do ano passado, tornando a operação de carry trade altamente lucrativa.

O par USD/BRL também caiu devido à potencial guerra comercial entre os EUA e a China. A implicação é que o Brasil se beneficiará de mais exportações agrícolas para a China agora que o governo impôs tarifas sobre as colheitas americanas. O desafio, no entanto, é que o Brasil ainda enfrenta uma seca que pode afetar sua produção.

Análise técnica USD/BRL

Gráfico USDBRL do TradingView

O gráfico diário mostra que a taxa de câmbio USD/BRL atingiu o pico de 6,3130 em 9 de dezembro do ano passado, chegando aos atuais 5,7285. Ela se moveu abaixo do suporte chave em 5,8620, o maior pico em 5 de agosto do ano passado.

O par USD/BRL formou um padrão de cruz da morte, pois as médias móveis ponderadas (WMA) de 50 e 200 dias se cruzaram. Portanto, o par provavelmente continuará caindo, pois a demanda pelo real brasileiro continua aumentando. Tal queda levaria o par ao próximo suporte chave em 5,50, uma queda de 4% em relação ao nível atual.