Inflação no Reino Unido desacelera para 2,8% em fevereiro, alimentando esperanças de corte de juros

Inflação no Reino Unido desacelera para 2,8% em fevereiro, alimentando esperanças de corte de juros
Utkarsh Roshan
26 de mar. de 2025, 04:52 AM
  • A taxa de inflação anual do Reino Unido caiu para 2,8% em fevereiro, ligeiramente abaixo da previsão de 2,9% dos economistas.
  • A queda segue um forte aumento para 3% em janeiro, depois que a inflação havia inesperadamente caído para 2,5% em dezembro.
  • O Banco da Inglaterra manteve as taxas de juros inalteradas em 4,5% em sua recente reunião de política monetária.

A taxa de inflação anual do Reino Unido caiu para 2,8% em fevereiro, ligeiramente abaixo da previsão de 2,9% dos economistas consultados pela Reuters, de acordo com dados divulgados pelo Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS) na quarta-feira.

A queda segue um forte aumento para 3% em janeiro, depois que a inflação havia inesperadamente caído para 2,5% em dezembro.

A inflação subjacente, que exclui itens voláteis como energia, alimentos, álcool e tabaco, ficou em 3,5% em fevereiro, abaixo dos 3,7% de janeiro.

"A desaceleração da taxa até fevereiro de 2025 refletiu contribuições negativas de quatro divisões e contribuições positivas de cinco divisões. As maiores contribuições negativas vieram de vestuário e calçados, habitação e serviços domésticos, e recreação e cultura", afirmou o ONS.

Após a divulgação dos dados, a libra esterlina caiu 0,1% em relação ao dólar americano, sendo negociada a 1,2925.

Próximos passos do BOE

Os últimos dados de inflação aumentam as considerações para o Banco da Inglaterra (BOE), que manteve as taxas de juros inalteradas em 4,5% em sua recente reunião de política monetária.

A economia do Reino Unido continua a enfrentar incertezas em meio a preocupações com a política comercial global, possíveis tarifas e uma previsão de aumento temporário da inflação ainda este ano.

A economia do Reino Unido mostrou sinais de fraqueza, contraindo-se 0,1% em janeiro.

Em comunicado divulgado na semana passada, o banco central observou que "a incerteza na política comercial global se intensificou, e os Estados Unidos fizeram uma série de anúncios de tarifas, aos quais alguns governos responderam".

Também destacou os crescentes riscos geopolíticos e o aumento da volatilidade dos mercados financeiros.

O Banco da Inglaterra havia alertado anteriormente que a inflação poderia subir temporariamente para 3,7% no terceiro trimestre, impulsionada pelos custos mais altos de energia.

Também reduziu pela metade sua previsão de crescimento para o Reino Unido em 2025, para 0,75%.

Plano de ação do governo

Os dados da inflação surgem enquanto a ministra das Finanças, Rachel Reeves, se prepara para apresentar uma atualização sobre os gastos e a tributação do governo mais tarde, na quarta-feira.

Espera-se que Reeves apresente medidas para lidar com um déficit orçamentário causado pelos custos de empréstimo mais altos desde seu último plano fiscal no outono.

Ela se comprometeu a aderir às suas “regras fiscais”, garantindo que os gastos diários do governo sejam cobertos pelas receitas tributárias e que a dívida pública diminua como proporção da produção econômica até 2029-30.

A Declaração de Primavera, agendada para as 12h30, horário de Londres, será apresentada juntamente com as previsões econômicas atualizadas do Office for Budget Responsibility (OBR).

Relatórios indicam que o OBR pode reduzir a previsão de crescimento do Reino Unido para 2025, potencialmente cortando pela metade sua estimativa anterior de 2%.

Espera-se que uma perspectiva econômica mais fraca aumente a pressão sobre os empréstimos do governo e possa exigir cortes de gastos de cerca de £10 bilhões (US$ 12,96 bilhões).