Sheinbaum, do México, rejeita perspectiva pessimista do FMI e defende perspectivas de crescimento do país

Sheinbaum, do México, rejeita perspectiva pessimista do FMI e defende perspectivas de crescimento do país
Noris Soto
22 de abr. de 2025, 14:28 PM
  • O México rejeita a projeção do FMI de uma contração de 0,3%, citando modelos internos que preveem um crescimento de 1,5% a 2,3%.
  • O FMI atribui a revisão para baixo às tarifas americanas que afetam as exportações mexicanas e as cadeias de suprimentos regionais.
  • O Ministério das Finanças do México mantém uma perspectiva mais otimista, apesar das incertezas econômicas globais.

Na terça-feira, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum rejeitou publicamente a recente previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) de uma contração de 0,3% na economia do México em 2025.

Durante sua coletiva de imprensa matinal regular, Sheinbaum afirmou que o governo discorda da projeção e questiona as premissas subjacentes a ela.

"Não sabemos em que se baseia, não concordamos", afirmou Sheinbaum. "Temos nossos modelos econômicos, que o Ministério das Finanças possui, que não coincidem com essa projeção."

Seus comentários foram feitos poucas horas depois de o FMI divulgar sua atualização do Panorama Econômico Mundial, que previu uma contração econômica de 0,3% para 2025, abaixo da previsão de expansão de 1,4% feita pelo fundo em janeiro.

A previsão atualizada atribui a contração principalmente ao impacto das novas tarifas impostas pelos EUA às exportações mexicanas, um cenário que promete pesar fortemente sobre a segunda maior economia da América Latina.

O México está reduzindo as perspectivas de crescimento para toda a região.

O FMI reduziu sua previsão de crescimento do PIB para 2025 na América Latina e no Caribe, citando a perspectiva mais fraca do México como o principal fator por trás da revisão para baixo da região.

A organização atribuiu as perspectivas reduzidas do México à deterioração da demanda externa, particularmente ligada às mudanças na política comercial dos EUA, que correm o risco de interromper as cadeias de suprimentos regionais e amplificar os ventos contrários econômicos nas economias vizinhas.

Grande parte da previsão reduzida do FMI baseia-se no efeito inibidor das tarifas americanas sobre as exportações mexicanas, particularmente em setores manufatureiros como automóveis e eletrônicos.

Analistas acreditam que, devido à forte interconexão do México com as cadeias de suprimentos norte-americanas, mesmo pequenas interrupções comerciais poderiam ter um impacto significativo em seu PIB.

Ao contrário da previsão pessimista do FMI, o Ministério das Finanças do México divulgou um projeto de orçamento no início deste mês prevendo um crescimento entre 1,5% e 2,3% este ano.

Essa estimativa, considerada “conservadora” pelas autoridades, ainda é significativamente mais otimista do que a perspectiva do Banco Central do México e da maioria dos analistas privados, que começaram a sinalizar ventos contrários mais fortes.

Sheinbaum defende modelos nacionais.

A administração Sheinbaum tem consistentemente retratado os fundamentos econômicos do México como saudáveis, citando mercados de trabalho robustos, inflação estável e investimentos em infraestrutura ligados às tendências de nearshoring.

O presidente destacou que a modelagem econômica do governo continua sendo a principal diretriz para a política orçamentária e monetária.

Apesar da postura otimista de Sheinbaum, a disparidade entre as estimativas oficiais e as de organizações multilaterais e especialistas de mercado pode levar a uma análise mais aprofundada, especialmente enquanto o México se prepara para debates fiscais mais amplos.

Peso sobe apesar da perspectiva sombria do FMI

De acordo com o Trading Economics, o peso mexicano subiu para um nível próximo ao máximo de seis meses, atingindo 19,6 por dólar americano, impulsionado pela taxa de juros de referência do país de 11%, que continua a atrair fluxos de carry trade.

Essa apreciação foi ainda mais reforçada por uma ligação "muito produtiva" entre as presidentes Claudia Sheinbaum e Donald Trump, que aliviou as preocupações sobre possíveis tarifas adicionais sobre as principais exportações mexicanas, como aço, automóveis e tomates.

A valorização do peso também reflete a fraqueza mais ampla do dólar americano, já que as críticas do presidente Trump ao Federal Reserve e as propostas de redução imediata das taxas de juros lançaram dúvidas sobre a independência do Fed, reduzindo a atratividade do dólar como porto seguro.

Enquanto isso, os lucros consistentes das exportações de petróleo do México continuam a impulsionar as receitas comerciais, aumentando a confiança dos investidores na força econômica do país.