Mercados europeus abrem: Esperam-se ganhos após Trump recuar na demissão de Powell, aumentam as esperanças comerciais

Mercados europeus abrem: Esperam-se ganhos após Trump recuar na demissão de Powell, aumentam as esperanças comerciais
Deepali Singh
23 de abr. de 2025, 04:44 AM
  • Os mercados europeus devem abrir significativamente em alta na quarta-feira, acompanhando a recuperação global.
  • O sentimento melhorou depois que Trump declarou que "não tem intenção" de demitir o presidente do Fed, Powell.
  • As esperanças de uma desescalada comercial entre EUA e China aumentaram após os comentários de Trump sobre os níveis tarifários.

Os mercados de ações europeus estão preparados para um início positivo na quarta-feira, sinalizando uma recuperação da confiança dos investidores, à medida que as ansiedades em torno das relações comerciais EUA-China e da independência do Federal Reserve dos EUA parecem diminuir.

A melhora do sentimento segue comentários tranquilizadores do presidente Donald Trump e uma forte recuperação em Wall Street.

Os primeiros indicadores sugerem uma abertura firme em todo o continente.

De acordo com dados da IG, espera-se que o FTSE 100 do Reino Unido abra 86 pontos acima, em 8.418; o DAX da Alemanha deve ganhar 457 pontos, atingindo 21.739; o CAC 40 da França deve subir 84 pontos, para 7.402; e o FTSE MIB da Itália deve abrir 446 pontos acima, em 35.906.

Essa perspectiva otimista decorre, em grande parte, dos acontecimentos nos EUA na terça-feira.

Os mercados globais, incluindo uma forte alta nas ações americanas, reagiram positivamente depois que o presidente Trump declarou que não tem "intenção" de demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, antes do término de seu mandato no próximo ano.

As críticas anteriores de Trump e as insinuações de uma possível remoção de Powell alimentaram temores sobre a autonomia do banco central, um pilar fundamental da estabilidade do mercado.

Além disso, os nervos dos investidores em relação ao conflito comercial EUA-China foram um pouco acalmados.

Embora os detalhes ainda sejam escassos, o presidente Trump indicou que as tarifas finais sobre as exportações chinesas "não chegarão nem perto de 145%", embora tenha advertido que as taxas "não serão de 0%".

Essas dicas, combinadas com comentários anteriores do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sugerindo uma eventual "desescalada", alimentaram as esperanças de uma possível solução para o impasse.

Os futuros de ações dos EUA ampliaram os ganhos durante a noite após esses acontecimentos, proporcionando um impulso positivo para as sessões asiáticas e europeias.

Embora as preocupações macroeconômicas globais tenham diminuído ligeiramente, os investidores na Europa voltam sua atenção para fatores regionais.

Os principais dados divulgados hoje incluem as últimas leituras do índice de gerentes de compras (PMI), que oferecem insights sobre a saúde dos setores vitais de serviços e manufatura da zona do euro.

Os lucros corporativos também serão analisados, com relatórios previstos do gigante bancário britânico NatWest e do Aeroporto de Heathrow.

Contrastes corporativos: SAP brilha, Volvo estagna

As primeiras notícias corporativas apresentaram um quadro misto. A gigante alemã de software SAP anunciou resultados impressionantes do primeiro trimestre na manhã de quarta-feira.

O lucro operacional disparou 60% em relação ao ano anterior, atingindo 2,3 bilhões de euros (US$ 2,6 bilhões), uma recuperação significativa em comparação com o prejuízo de 787 milhões de euros registrado no mesmo período de 2024.

A receita aumentou 12%, atingindo 9 bilhões de euros, impulsionada pelo forte desempenho da nuvem (carteira de pedidos em alta de 28%).

O lucro por ação saltou 79%, para 1,44 euros.

De acordo com a CNBC, o CEO da SAP, Christian Klein, afirmou que os resultados mostraram que “nossa fórmula de sucesso está funcionando”, acrescentando:

A SAP recentemente ultrapassou a Novo Nordisk para se tornar a empresa listada mais valiosa da Europa.

Em contraste, a fabricante sueca de caminhões Volvo relatou uma queda de 7% nas vendas líquidas no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o ano anterior, citando explicitamente o impacto do regime tarifário do presidente Trump.

As vendas de veículos caíram 9% em relação ao ano anterior, embora o negócio de serviços tenha crescido modestamente. "À medida que o trimestre avançava, aumentava a incerteza em torno das tarifas e seu efeito no comércio global", comentou Martin Lundstedt, presidente e CEO da Volvo.

O lucro operacional da empresa caiu para 13,3 bilhões de coroas suecas (US$ 1,39 bilhão), com margem de 10,9%, abaixo dos 18,2 bilhões de coroas suecas e margem de 13,8% do ano anterior, ilustrando o impacto tangível das fricções comerciais sobre os fabricantes.

Ouro recua das máximas.

Refletindo a mudança para um apetite de risco ligeiramente melhorado, os preços do ouro à vista recuaram na quarta-feira, depois de terem ultrapassado brevemente a marca de US$ 3.500 por onça no início da semana.

O metal precioso, que se beneficia da incerteza, recuou após os comentários mais conciliatórios do presidente Trump sobre comércio e o Fed. Às 8h50, horário de Singapura, o ouro havia caído 0,55%, sendo negociado a US$ 3.362,85 por onça.