Lucros da BP no primeiro trimestre ficam aquém do esperado; analistas citam forte desempenho no setor de downstream, fraqueza no mercado de petróleo e aumento da dívida.

Lucros da BP no primeiro trimestre ficam aquém do esperado; analistas citam forte desempenho no setor de downstream, fraqueza no mercado de petróleo e aumento da dívida.
Vatsala Gaur
29 de abr. de 2025, 06:11 AM
  • A BP registrou um lucro de US$ 1,38 bilhão no primeiro trimestre, ficando abaixo das expectativas dos analistas, que eram de US$ 1,6 bilhão.
  • Dividendo mantido estável, mas recompra de ações reduzida para US$ 750 milhões em meio à incerteza macroeconômica.
  • A chefe de estratégia Giulia Chierchia deixa o cargo como parte da reestruturação corporativa.

A BP divulgou na terça-feira resultados do primeiro trimestre abaixo do esperado, devido à queda dos preços do petróleo bruto e a uma recente mudança na estratégia corporativa que afetaram o desempenho.

A grande petrolífera britânica reportou um lucro subjacente de custo de reposição de US$ 1,38 bilhão para o período de janeiro a março, ficando abaixo das expectativas dos analistas de US$ 1,6 bilhão, com base em um consenso compilado pela LSEG.

O valor caiu acentuadamente em relação aos US$ 2,7 bilhões registrados no ano anterior.

O resultado surge em um momento de maior escrutínio da direção e execução da BP, com acionistas ativistas questionando seu histórico misto em equilibrar as operações tradicionais de petróleo e gás com um impulso mais amplo para energias renováveis.

O desempenho da empresa no primeiro trimestre ficou aproximadamente 10% abaixo das previsões, refletindo tanto os desafios do setor quanto as pressões internas.

O preço das ações da BP caiu 3,8% após o anúncio dos resultados.

Dividendos mantidos, mas recompra de ações reduzida.

Embora a BP tenha mantido seu dividendo em 8 centavos por ação ordinária, reduziu drasticamente seu programa de recompra de ações para US$ 750 milhões, abaixo dos US$ 1,75 bilhão do trimestre anterior.

A empresa citou a contínua incerteza do mercado e os preços mais baixos do petróleo como justificativa para a decisão.

A dívida líquida aumentou para US$ 26,97 bilhões no final de março, ante US$ 22,99 bilhões três meses antes.

A BP havia alertado os investidores sobre a menor produção upstream e o aumento da dívida no primeiro trimestre, com os números agora confirmando essas expectativas.

Analistas do RBC Capital Markets afirmaram que os resultados refletem lucros fracos na divisão de gás e baixo carbono da BP, observando que o controle de custos em outras áreas ajudou a compensar parcialmente a falha.

Giulia Chierchia, arquiteta da transição para energias renováveis, deixa o cargo após pressão da Elliott.

Como parte de sua revisão estratégica mais ampla, a BP também anunciou a próxima saída de Giulia Chierchia, vice-presidente executiva de estratégia e sustentabilidade.

Ela deixará o cargo em 1º de junho, sendo a própria função extinta.

Chierchia foi uma figura central na mudança da BP para investimentos em energia de baixo carbono nos últimos anos, uma direção que atraiu tanto elogios quanto críticas.

Sua saída ocorre após crescente pressão do investidor ativista Elliott Investment Management, que pediu mudanças na liderança da BP e maior responsabilização por seus erros estratégicos.

A BP disse que suas responsabilidades seriam integradas a outras áreas de negócios para “permitir uma tomada de decisão mais rápida e responsabilidades mais claras”.

Queda na produção a montante limitará o aumento dos lucros em 2025: analistas

A BP está fazendo progressos significativos em sua divisão de petróleo e gás, mas levará tempo para que a nova produção impulsionar os lucros, escreveu Derren Nathan, chefe de pesquisa de ações da Hargreaves Lansdown.

A BP tem três novas empresas iniciantes e seis descobertas em desenvolvimento, mas a produção upstream ainda deve cair este ano, acrescentou ele.

Nathan observou que a divisão de downstream da BP, que inclui refino e marketing, está apresentando um desempenho mais forte.

No entanto, os baixos preços do petróleo e os crescentes níveis de endividamento significam que a empresa precisa se esforçar mais para atender às expectativas dos investidores.

Nathan acrescentou que a meta da BP para alienação de ativos — agora fixada entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões — pode não ser suficiente para reduzir significativamente sua dívida líquida de US$ 27 bilhões.

Ele alertou que medidas de redução de custos mais decisivas podem estar no horizonte.

"A empresa está fazendo progressos impressionantes, mas é um processo lento e o difícil contexto macroeconômico o torna desafiador", acrescentou.

Equilibrando a energia tradicional com um mercado em mudança

Os resultados do primeiro trimestre sublinham a dificuldade da BP em equilibrar suas operações tradicionais de petróleo com as demandas de uma transição energética.

Em fevereiro, a empresa fez uma mudança decisiva de volta aos hidrocarbonetos, comprometendo-se a reduzir os gastos com energias renováveis em favor do aumento dos investimentos anuais em petróleo e gás.

Ainda assim, o CEO Bernard Looney enfrenta pressão de investidores e do mercado em geral para demonstrar que a BP pode manter o retorno aos acionistas enquanto gerencia sua dívida e navega em um cenário energético volátil.

A empresa fornecerá as próximas orientações financeiras quando divulgar os resultados do segundo trimestre ainda este ano.