A economia do México supera as expectativas do primeiro trimestre, mas as perspectivas permanecem incertas em meio às tensões comerciais.

A economia do México supera as expectativas do primeiro trimestre, mas as perspectivas permanecem incertas em meio às tensões comerciais.
Noris Soto
30 de abr. de 2025, 14:34 PM
  • O PIB do primeiro trimestre cresceu 0,2%, superando as expectativas e recuperando-se de uma contração de 0,6% no quarto trimestre de 2024.
  • O setor primário cresceu 8,1%, compensando uma queda de 0,3% na manufatura e a atividade estagnada do setor de serviços.
  • Os analistas permanecem cautelosos, citando os riscos da guerra comercial com os EUA e a incerteza da demanda interna no segundo trimestre.

A economia do México cresceu mais do que o esperado no primeiro trimestre de 2025, mostraram dados preliminares do instituto nacional de estatística INEGI na quarta-feira.

O PIB cresceu 0,2%, contrariando a previsão de crescimento nulo em uma pesquisa da Reuters.

A leve recuperação ocorre após uma contração de 0,6% no quarto trimestre do ano passado e afasta a segunda maior economia da América Latina de uma recessão técnica, geralmente definida como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.

Embora os resultados tenham sido uma surpresa positiva, os economistas permanecem cautelosos.

O aumento foi impulsionado principalmente por um aumento na atividade do setor primário, enquanto outros setores significativos da economia apresentaram sintomas de estagnação ou contração.

A recuperação impulsionada pela agricultura mascara a fragilidade subjacente.

A agricultura, a pesca e a mineração registraram um aumento de 8,1%, compensando a desaceleração em outros setores.

Ao mesmo tempo, o setor secundário, que abrange a manufatura e a atividade industrial, diminuiu 0,3%, e o setor terciário, que inclui os serviços, estagnou.

Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, disse que o aumento trimestral permitiu ao México evitar uma recessão técnica, mas não mudou o quadro mais amplo de mal-estar econômico.

Ele citou o aumento da incerteza interna, as condições financeiras restritivas e os riscos persistentes da guerra comercial com os EUA, acrescentando que os indicadores principais já sugerem uma perspectiva difícil.

As ameaças de tarifas do presidente Donald Trump causaram novas tensões comerciais e aumentaram a instabilidade na economia, particularmente no México, que depende em grande parte das exportações dos EUA.

Crescimento anual supera estimativas, mas o impulso é fraco.

O PIB do México cresceu 0,8% ano a ano entre janeiro e março, superando ligeiramente as previsões dos economistas, de 0,6%.

Essa expansão foi mais uma vez impulsionada principalmente pelo desempenho robusto do setor primário.

No entanto, os analistas enfatizaram que a recuperação ainda é desigual e vulnerável.

Kimberley Sperrfechter, economista de mercados emergentes da Capital Economics, observou que as últimas estatísticas indicam um mau início do segundo trimestre e mostram uma persistente estagnação econômica.

"Isso deve abrir caminho para mais um corte de 50 pontos-base na reunião do Banxico no próximo mês", disse Sperrfechter, referindo-se ao banco central mexicano.

Se adotada, seria a terceira queda consecutiva na taxa de juros, indicando apoio monetário contínuo mesmo com o início da alta da inflação.

Alavancas políticas e pressão externa

Com a inflação começando a acelerar no início de abril, o Banxico deve encontrar um equilíbrio difícil entre promover o crescimento e gerenciar as pressões sobre os preços.

O banco central já implementou cortes substanciais nas taxas de juros nos últimos meses para estimular a economia, mas sua eficácia pode ser limitada devido aos desafios externos contínuos.

Os ambientes político e comercial voláteis, notadamente a possível influência do ciclo eleitoral presidencial dos EUA e as mudanças nos padrões de demanda global, aumentam a incerteza.

Economistas alertam que, sem uma recuperação generalizada em todos os setores, a economia mexicana continuaria a lutar contra a baixa demanda interna e o medo de investir.