Alcoa registra forte carteira de pedidos, mas enfrenta incertezas em meio a tarifas e apagão.

Alcoa registra forte carteira de pedidos, mas enfrenta incertezas em meio a tarifas e apagão.
Sayantan Sarkar
01 de mai. de 2025, 07:49 AM
  • A Alcoa relata uma carteira de pedidos robusta apesar das tarifas americanas sobre importações de alumínio, mas os clientes expressam incerteza.
  • O CEO William Oplinger reconhece a incerteza dos clientes sobre o futuro, apesar da forte carteira de pedidos.
  • Riscos operacionais, incluindo uma queda de energia na Espanha, representam desafios para a produção e as perspectivas da Alcoa.

A Alcoa informou na quinta-feira que sua carteira de pedidos do segundo trimestre permanece forte e ainda não foi afetada pelas tarifas americanas.

A produtora de alumínio também observou que o recente apagão na Espanha apresenta riscos potenciais para suas operações naquele país.

Em um esforço para impulsionar a produção doméstica de alumínio, o presidente dos EUA, Donald Trump, desde que assumiu o cargo, implementou uma tarifa uniforme de 25% sobre todas as importações de alumínio, afirmando que não haveria "exceções ou isenções".

"Nossa carteira de pedidos do primeiro trimestre foi forte. Nossa carteira de pedidos do segundo trimestre permanece forte. Portanto, ainda não vimos uma queda nos pedidos associada às tarifas", disse o CEO William Oplinger, citado em uma reportagem da Reuters.

Comércio e manufatura de alumínio nos EUA

Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre do mês passado, a Alcoa afirmou que prevê que as tarifas americanas sobre as importações de alumínio canadense custarão à empresa aproximadamente US$ 90 milhões no segundo trimestre.

Oplinger, da Alcoa, afirmou que a empresa apoia o objetivo de Trump de um setor manufatureiro americano competitivo, acrescentando que garantir a entrada do alumínio canadense nos Estados Unidos é a melhor maneira de concretizar essa visão.

Os EUA enfrentam um déficit anual substancial de aproximadamente quatro milhões de toneladas de alumínio, acrescentou ele.

Essa escassez é agravada pela ausência de depósitos domésticos de bauxita economicamente viáveis, a principal matéria-prima necessária para a produção de alumínio.

Consequentemente, os EUA dependem fortemente das importações para atender à sua demanda de alumínio, criando potenciais vulnerabilidades em sua cadeia de suprimentos.

Essa dependência de fontes estrangeiras para um metal industrial crítico tem implicações para diversos setores, incluindo manufatura, construção e transporte, e levanta preocupações sobre segurança nacional e competitividade econômica.

Garantir um fornecimento estável e confiável de alumínio é, portanto, um desafio estratégico significativo para o país.

A Alcoa atualmente não tem planos de construir nenhuma fundição nos Estados Unidos, um processo que geralmente leva de 5 a 7 anos.

Seriam necessárias sete novas fundições de alumínio nos EUA para produzir as 4 milhões de toneladas, com um custo estimado de US$ 35 bilhões, disse Oplinger.

A Alcoa, a maior produtora de alumínio dos EUA, tem um valor de mercado de US$ 6,5 bilhões, ele destacou.

"Portanto, esse conceito de criar manufatura a curto prazo simplesmente não vai acontecer no alumínio primário."

Queda de energia na Espanha e riscos operacionais

O recente apagão, ainda sem explicação, que afetou Espanha e Portugal aumentou os riscos potenciais para o complexo de alumínio da Alcoa em San Ciprián, na Espanha, segundo Oplinger.

Ele afirmou que atualmente não há explicação para a situação energética na Espanha e que se prevê a necessidade de vários dias para avaliar os riscos potenciais de novos cortes de energia.

A Alcoa está atualmente avaliando os danos em sua fábrica. De acordo com Oplinger, a fundição da unidade estava em processo de reinício e estava 8-10% concluída.

Devido aos elevados custos de energia em 2021, a produção da fábrica foi reduzida. Os esforços de reinício estão em andamento, com um aumento completo da produção previsto para outubro.