Cortes de juros, redução da taxa de reservas: China age para impulsionar a economia antes das negociações com os EUA

Cortes de juros, redução da taxa de reservas: China age para impulsionar a economia antes das negociações com os EUA
Deepali Singh
07 de mai. de 2025, 02:15 AM
  • A China anunciou diversas medidas de apoio econômico (reduções de taxas, redução do RRR) para contrabalançar o impacto da guerra comercial com os EUA.
  • O PBOC reduziu sua taxa de recompra reversa, taxa de empréstimo e índice de reservas bancárias (liberando aproximadamente US$ 137,6 bilhões).
  • Conversas comerciais de alto nível entre EUA e China confirmadas para o final desta semana em Genebra, Suíça.

Diante da crescente pressão econômica decorrente da prolongada guerra comercial com os Estados Unidos, a China anunciou um significativo pacote de medidas de estímulo destinadas a fortalecer sua economia doméstica.

Essa série de ações políticas ocorre justamente quando Pequim e Washington confirmaram planos para negociações comerciais de alto nível ainda esta semana, oferecendo um sinal tentativo de possível desescalada.

Altos funcionários financeiros chineses, incluindo o governador do Banco Popular da China (PBOC), detalharam uma série de medidas destinadas a injetar liquidez e apoiar o crescimento.

Entre as principais medidas estão os cortes nas taxas de juros e a redução da taxa de reserva obrigatória para os bancos, uma ação destinada a liberar fundos substanciais para empréstimos.

Especificamente, o governador do PBOC, Pan Gongsheng, anunciou uma redução na taxa de recompra reversa (a taxa sobre os depósitos dos bancos comerciais no banco central) para 1,4%, de 1,5%, e um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de empréstimo do PBOC aos bancos comerciais, levando-a para 1,5%.

Crucialmente, a taxa de reserva obrigatória para os bancos foi reduzida em 0,5%.

O governador Pan estimou que essa medida sozinha "liberaria 1 trilhão de yuans (US$ 137,6 bilhões) em dinheiro extra" para o sistema bancário utilizar.

Além disso, o banco central reduziu as taxas de juros sobre empréstimos habitacionais de cinco anos, com o objetivo de apoiar o setor imobiliário em dificuldades.

Além desses ajustes na política monetária, o governo também se comprometeu a aumentar o financiamento disponível para melhorias em fábricas, inovação tecnológica e empresas do setor de serviços, como cuidados com idosos.

Essas medidas de apoio interno são uma resposta clara ao significativo impacto econômico causado pelas altas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

A economia chinesa, dependente das exportações e já lutando contra uma prolongada recessão em seu crucial mercado imobiliário, foi ainda mais pressionada por essas barreiras comerciais.

O anúncio desses estímulos econômicos coincidiu com a notícia de que negociações comerciais de alto nível estão programadas para serem retomadas.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, têm agendada uma reunião com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Genebra, Suíça, ainda esta semana.

Este será o primeiro diálogo confirmado desde a última rodada de aumentos significativos de tarifas.

O diálogo é recebido com otimismo cauteloso.

Embora o acordo para conversações ofereça um vislumbre de esperança, ambos os lados mantiveram posições públicas firmes sobre suas respectivas tarifas, levando a reações cautelosas do mercado.

"As conversas 'podem ser o ponto crucial que ou consolida a frágil confiança ou reacende o inferno da 'guerra comercial'", alertou Stephen Innes, da SPI Asset Management, em um relatório, destacando os altos riscos envolvidos.

Dados econômicos recentes ressaltam a tensão em ambas as economias.

A economia dos EUA contraiu 0,3% no primeiro trimestre de 2025.

Embora a China tenha registrado um crescimento anual de 5,4% no primeiro trimestre, impulsionado pelo aumento da produção nas fábricas para atender a um pico de pedidos antes da imposição de tarifas, economistas questionaram a sustentabilidade desse impulso, e indicadores mais recentes mostram deterioração nos novos pedidos de exportação e no sentimento empresarial.

Os mercados financeiros, que vinham sofrendo com o impasse caracterizado por tarifas americanas de até 145% sobre produtos chineses e aumentos retaliatórios chineses de até 125%, reagiram positivamente, mas com cautela, à dupla notícia do estímulo e das negociações.

Os preços das ações em Hong Kong subiram mais de 2%, e Xangai ganhou 0,5% nas negociações da manhã de quarta-feira, com os futuros dos EUA também avançando.

No entanto, observadores do mercado antecipam um processo de resolução prolongado. "Não esperamos uma reação eufórica", comentou Tan Jing Yi do Mizuho Bank, conforme citado pela Reuters.

A combinação de estímulos domésticos e diálogo renovado sinaliza a tentativa de Pequim de navegar pelo desafiador cenário econômico criado pelo conflito comercial em curso.