Controladora da British Airways fecha acordo de US$ 13 bilhões com a Boeing após avanço comercial entre EUA e Reino Unido: por que isso importa

Controladora da British Airways fecha acordo de US$ 13 bilhões com a Boeing após avanço comercial entre EUA e Reino Unido: por que isso importa
Vatsala Gaur
09 de mai. de 2025, 08:48 AM
  • A IAG faz um pedido de US$ 12,8 bilhões para 32 jatos Boeing 787-10 para a British Airways, com opção para mais 10.
  • No entanto, a nova aeronave da Boeing não será equipada com motores Rolls-Royce, mas sim com motores GE.
  • O acordo pode abrir caminho para outros acordos internacionais para a Boeing.

O International Airlines Group, proprietário da British Airways, fez um pedido histórico de 32 jatos de longo alcance à Boeing, no valor de quase US$ 13 bilhões (£ 9,8 bilhões), um dia depois de um acordo comercial entre o Reino Unido e os EUA levar à eliminação das tarifas sobre motores de aeronaves.

O anúncio, feito na sexta-feira, ocorre apenas um dia depois de o Reino Unido e os Estados Unidos chegarem a um acordo para eliminar as tarifas sobre componentes aeroespaciais, uma medida saudada pelo setor de aviação.

A IAG está comprando 32 Boeing 787-10 Dreamliners, que serão incorporados à frota da British Airways. O acordo, baseado nos preços de tabela da Boeing de janeiro de 2025 de US$ 397 milhões por aeronave, totaliza US$ 12,8 bilhões.

O grupo aéreo também garantiu uma opção de compra de mais 10 jatos do mesmo tipo no futuro.

Em um acordo separado com a fabricante europeia de aeronaves Airbus, a IAG adquirirá 21 aeronaves A330-900neo, que serão utilizadas nas operações da Iberia e da Aer Lingus.

Esse acordo, avaliado em aproximadamente US$ 8 bilhões pelo preço de tabela da Airbus de US$ 374 milhões por aeronave, inclui opções para até mais 13 aeronaves.

A IAG afirmou ter negociado “descontos substanciais” em ambos os negócios, em linha com as práticas padrão do setor.

Novas aeronaves Boeing sem motores Rolls-Royce

O momento dos pedidos coincide com um novo entendimento comercial entre os EUA e o Reino Unido, que resultou na remoção de tarifas sobre motores a jato Rolls-Royce.

As ações da Rolls-Royce subiram quase 4% na quinta-feira após o anúncio da redução tarifária.

No entanto, as novas aeronaves Boeing encomendadas pela IAG não serão equipadas com motores Rolls-Royce.

Em vez disso, eles usarão motores fabricados pela General Electric, com sede nos EUA, que não teriam sido afetados pelas tarifas anteriores.

As aeronaves Airbus serão equipadas com motores Rolls-Royce, e espera-se que sua aquisição se beneficie diretamente das melhores condições comerciais.

Howard Lutnick, secretário de comércio dos EUA, insinuou o pedido da Boeing em comentários feitos na quinta-feira, dizendo que uma empresa sediada no Reino Unido estava se preparando para fazer uma compra de US$ 10 bilhões.

A extensão completa do acordo foi confirmada na declaração da IAG no dia seguinte.

O acordo com a IAG pode abrir caminho para mais negócios internacionais para a Boeing.

“Este pedido marca mais um marco na nossa estratégia e programa de transformação e sublinha o nosso compromisso em fortalecer as nossas marcas de companhias aéreas e melhorar a nossa proposta ao cliente”, disse Luis Gallego, diretor executivo da IAG.

Separadamente, a IAG disse ter observado “alguma queda recente” nas vendas de passagens econômicas para turistas americanos nos últimos meses.

No entanto, afirmou que houve “força” nos bilhetes premium, como os de classe executiva, o que mitigou esses efeitos.

As ações da Boeing subiram na quinta-feira, quando o anúncio do acordo EUA-Reino Unido incluiu uma grande venda de aeronaves do fabricante.

No entanto, embora novos pedidos de aeronaves sejam geralmente positivos para a gigante aeroespacial, a Boeing já administra uma carteira de pedidos comerciais substancial, avaliada em US$ 435 bilhões — o suficiente para manter as linhas de produção ocupadas por quase uma década nos níveis de produção projetados para 2025.

O fator mais significativo para a alta das ações foi o otimismo dos investidores de que o acordo com o Reino Unido poderia abrir caminho para outros acordos internacionais.

A Boeing depende fortemente das vendas globais, com quase metade de sua receita de 2024 proveniente de mercados fora dos EUA.

Barreiras comerciais, incluindo tarifas e medidas retaliatórias, representam uma ameaça à competitividade global da Boeing, pois podem reduzir a demanda e redirecionar pedidos para a Airbus, que frequentemente evita tais restrições.

Em um exemplo recente, companhias aéreas chinesas que enfrentavam tarifas de mais de 100% optaram por cancelar ou atrasar algumas entregas da Boeing.