Ministro das Finanças do Brasil pede aos EUA uma postura mais solidária em relação à América Latina.

Ministro das Finanças do Brasil pede aos EUA uma postura mais solidária em relação à América Latina.
Noris Soto
12 de mai. de 2025, 12:59 PM
  • O Brasil insta os EUA a adotarem uma postura mais generosa em relação ao desenvolvimento industrial da América Latina.
  • O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirma que o Brasil não escolherá entre China e EUA.
  • Presidente Lula lançará plano nacional de centro de dados com incentivos fiscais.

O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, pediu na segunda-feira aos Estados Unidos que adotem uma abordagem mais liberal e estratégica em relação ao desenvolvimento industrial na América Latina, afirmando que os EUA têm muito a ganhar com uma integração regional e investimentos mais profundos.

Em entrevista ao veículo local UOL, Haddad disse que a melhoria das relações entre EUA e América Latina poderia ajudar a construir uma “frente econômica” de oportunidades.

Embora não tenha apresentado propostas políticas específicas, ele enfatizou que o Brasil está ativamente buscando novos caminhos de crescimento alinhados com as tendências globais em sustentabilidade e infraestrutura digital.

Seus comentários surgem em meio a mudanças no cenário econômico da América Latina.

Embora os EUA tradicionalmente tenham exercido influência significativa na região, a China expandiu rapidamente seus investimentos e presença diplomática, particularmente na América do Sul.

Sem escolha entre China e EUA

Haddad rejeitou a ideia de que o Brasil deva se alinhar exclusivamente com a China ou com os EUA.

Em vez disso, ele defendeu uma política externa equilibrada e pragmática que envolva ambas as potências em diversas frentes.

A China tem sido o maior parceiro comercial do Brasil por mais de uma década, em grande parte devido à sua demanda por commodities brasileiras.

Enquanto isso, os EUA permanecem líderes em tecnologia e inovação, áreas-chave onde o Brasil vê potencial para parcerias.

Haddad disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende posicionar o Brasil como um ator global aberto à colaboração, ao mesmo tempo em que avança com reformas internas que apoiam essa ambição.

Centros de dados como prioridade nacional

Um componente chave da estratégia econômica do Brasil é o desenvolvimento da infraestrutura de dados nacional.

Haddad revelou que Lula planeja apresentar uma política nacional de centros de dados ao retornar da China.

A iniciativa oferecerá incentivos fiscais para atrair investimentos em tecnologia e reduzir a forte dependência do Brasil de serviços digitais importados.

Atualmente, o Brasil importa quase 60% de sua capacidade de data centers — uma dependência excessiva que Haddad classificou como “absurda” para um país de seu tamanho.

O decreto executivo planejado apoiará o desenvolvimento local e posicionará o Brasil como um centro de infraestrutura digital.

A matriz energética renovável do Brasil — com mais de 80% provenientes de hidrelétricas, eólica e solar — aumenta seu atrativo para setores intensivos em energia, como a computação em nuvem.

As autoridades esperam atrair investidores nacionais e estrangeiros que buscam operações digitais sustentáveis e de baixa emissão.

A medida está alinhada com a visão econômica mais ampla do Brasil sob Lula: voltada para o futuro, impulsionada pela tecnologia e enraizada na cooperação regional.

Haddad concluiu que a abordagem brasileira à modernização não se trata de escolher lados em uma rivalidade geopolítica, mas sim de garantir progresso e resiliência em um mundo multipolar.